A coleção de motorizadas de Edgard Carvalho Gomes

A coleção de motorizadas de Edgard Carvalho Gomes está em permanente atualização.

Uma das motorizadas, uma Casal, foi a mais querida da juventude do empresário.

Uma das motorizadas, uma Casal, foi a mais querida da juventude do empresário.

No preâmbulo à entrevista que me concedeu (publicada no Região de Rio Maior nº 1399 de 31/7/2015 e que pode ler/ver aqui), por ocasião do almoço que ofereceu na sua Quinta da Amália, no Vale da Rosa, a dezenas de amigos e colaboradores da Transave, para celebrar com eles a passagem do seu 60º aniversário, refiro a existência de um pavilhão propositadamente requalificado para acolher em ambiente desumidificado as 26 motorizadas e uma Vespa da coleção, crescente, do empresário e que nessa mesma tarde vi sair, acondicionadas no atrelado de um automóvel, mais duas motorizadas que à distância me pareceram ser dos anos sessenta do século XX, provavelmente a caminho do restauro. Um caminho longo, de ida e volta entre Rio Maior e Monção, na fronteira com a Galiza!

Na festa de anos, o empresário franqueou o pavilhão aos convidados.

A última motorizada que o pavilhão recebeu é uma Casal K 184. Pertenceu a Abílio das lenhas, como era conhecido “o homem que inventou a moca de Rio Maior”, elucidou o colecionador. Edgard Gomes encontrou-a por “mero acaso”: “Conheci um mecânico onde ela estava desprezada, perguntei-lhe de quem era a motorizada e foi assim que fiquei a saber que tinha sido do Abílio das lenhas”. Comprou-a ao mecânico por 150 euros, mandou-a para o restauro e o resultado é o que se vê… mais de 2.200 euros depois! No guarda-lamas da frente ainda está afixada a placa identificativa da loja de Rio Maior onde terá sido adquirida em finais dos anos 1960, princípios da década de 70.

Perspetiva de uma das alas da coleção, vendo-se em primeiro plano a motorizada que pertenceu a Abílio das lenhas.

Perspetiva de uma das alas da coleção, vendo-se em primeiro plano a motorizada que pertenceu a Abílio das lenhas.

As motorizadas e lambretas, como já referi, são restauradas em Monção, no Minho. “Também foi por acaso; comprei-lhes uma motorizada e a partir daí estabelecemos, digamos, uma parceria”, explicou Edgard Gomes.

Apesar de se tratarem de “peças” de uma coleção, não se pense que o proprietário as tem ali, estáticas como num museu. Nada disso! Utiliza-as em passeios, com alguns amigos. Este ano, por curiosidade sua até expôs alguns exemplares na 3ª Classic Expo de Rio Maior que se realizou no Multiusos em meados de junho.

Colecionar motorizadas e lambretas foi um hobby que surgiu na sequência de outro: “Numa altura crítica da minha vida comecei por ter a primeira motoreta, comecei a ir aos passeios e a achar-lhes graça; depois, como se trata de um tipo de veículos que me acompanhou durante a minha juventude – são tudo motoretas que tiveram o seu auge nos anos 60, 70 e 80 do século passado e portanto dizem-me muito –, acabei por as ir colecionando. Geralmente, todos os anos na primavera e no verão passeio nelas: convido um amigo ou dois, levo duas ou três motorizadas e lá vamos nós!”, contou o empresário.

05-10edgardmotoslogoUma das motorizadas, uma Casal, foi a mais querida da juventude do empresário; “foi o meu primeiro veículo a motor ou, como eu costumo dizer, foi a minha primeira compra a prestações” revelou.

No contexto português, as Casal eram boas máquinas. “Foram um produto nacional, fruto da conjuntura, de um certo protecionismo que não possibilitou o desenvolvimento. Nós podíamos ser fortes nisto se na época tivéssemos tido uma visão global. Assim quando os japoneses e outros invadiram tudo com todo o tipo de motociclos, nós tínhamos já um tecido empresarial dedicado a estes veículos que se não tem tido as vistas só até à fronteira, hoje seria uma indústria bastante desenvolvida. Mas como tantas outras indústrias em Portugal, esta também padeceu de uma certa tacanhez. Foi uma pena. Tenho-me dedicado um bocadinho a conhecer a história dos motociclos nacionais e nessa altura, por exemplo em Águeda em cada barracão faziam-se motos; aquela ideia de cada um estar em sua casa a fazer uma moto tornou-se dramática, porque nunca ganharam massa crítica para se poderem projetar em termos concorrenciais. Portugal era um mercado protegido onde não podiam entrar outras marcas e logo que isso acabou…”, comentou Edgard Gomes, cuja coleção se faz de motorizadas portuguesas. O pavilhão onde estão meticulosamente estacionadas tem paredes e teto isolados e como já mencionei, dispõe de desumidificadores para manter um ambiente propício à melhor preservação, especialmente dos cromados.

05-10edgardmotosfundo

“A ideia é um dia fazer-se uma parceria com a Junta da Freguesia de S. João da Ribeira e Ribeira de S. João, para se arranjar um espaço que possa estar aberto ao público em geral e que ao mesmo tempo garanta a preservação da coleção”, revelou o colecionador em fim de conversa.

Texto e fotos: C. M.

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