Agrupamento Fernando Casimiro aposta nas salas do futuro

Uma conversa com o diretor Paulo Almeida sobre o andamento do Agrupamento e a aposta nas “salas do futuro”

Paulo Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, de Rio Maior.

Paulo Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, de Rio Maior.

O Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva realizou nos dias 16, 17 e 18 de março de 2016 as suas Jornadas Culturais, iniciativa que se desenvolveu em diversas componentes e prosseguindo objetivos pedagógicos bem definidos. Estas Jornadas Culturais, que tiveram o seu epicentro na escola sede, na cidade de Rio Maior, levaram o jornal Região de Rio Maior a uma conversa que as extravasa para a vida do Agrupamento em si, com o seu diretor, professor Paulo Almeida. Fazem parte dessa conversa, entre outros aspetos, a necessidade que a escola pública tem de se reinventar, a oferta formativa, a língua Portuguesa e os tratos de polé que anda a sofrer, o ensino da Música, as parcerias e as “salas do futuro”.

Região de Rio Maior (REGIÃO) – Professor Paulo Almeida, as vossas Jornadas Culturais traduzem-se numa diversidade de iniciativas e refletem os conceitos educativos do Agrupamento Fernando Casimiro, não é?

Paulo Almeida (PA) – As Jornadas Culturais são uma oportunidade que a escola tem de se abrir à comunidade e mostrar o que faz cá dentro. Portanto organizámo-nos mais ou menos na lógica das áreas que temos, dividindo os três dias por seis turnos e criando um conjunto de atividades para permitir aos nossos alunos que fossem aprendendo em contextos informais, longe da sala de aula, experimentando tarefas e atividades que normalmente, nos outros dias de aulas não teriam oportunidade de realizar. Por exemplo, na quarta-feira de manhã começámos com as Humanidades: o nosso grupo de línguas – Português, Inglês, Francês e Espanhol – e também as Ciências Sociais desenvolveram atividades ligadas a ciclos de cinema, poesia, literatura, palestras, jogos linguísticos, karaoke…

Nesse dia, ainda de manhã recebemos todas as nossas unidades orgânicas – o Centro Escolar nº 2, o Centro Escolar Poeta Ruy Belo de S. João da Ribeira e a Escola e Jardim Infantil de Asseiceira –, que aqui na escola sede tiveram a oportunidade de experimentar atividades e diversões que tínhamos preparado porque estas também são importantes para as crianças, almoçaram connosco, enfim experimentaram esta cultura que procuramos que seja de coesão entre as diferentes escolas do Agrupamento, tudo na lógica da nossa atual filosofia de Escola: «Sozinhos podemos ir mais rápido mas certamente, juntos vamos mais longe».

REGIÃO – Também cá tiveram a Polícia de Trânsito, porque se ouviu uma sirene a tocar insistentemente durante mais de um quarto de hora e além disso houve mesmo uma senhora que nos veio perguntar o que é que se estaria a passar na EB Fernando Casimiro, porque estavam os miúdos todos cá fora!

PA – Nós temos o hábito, naquela filosofia «Sozinhos podemos ir mais rápido mas certamente, juntos vamos mais longe», de trazer à escola todos os nossos parceiros. A GNR é um parceiro por excelência e é bom que os nossos alunos percebam o trabalho da Guarda Nacional Republicana, o da Polícia de Segurança Pública e o dos Bombeiros. Mas também cá esteve a H2O – Associação de Jovens de Arrouquelas com um trabalho fenomenal, em conjunto com a nossa Associação de Pais que também faz um trabalho notável e portanto é esta ideia de trabalho em conjunto que nós pretendemos desenvolver. A tarde, essa foi para os nossos clubes e aí os alunos experimentaram e tomaram contacto com as ofertas educativas e extracurriculares que temos na EB Fernando Casimiro Pereira da Silva, desde os laboratórios ao Clube Europeu, aos clubes TIC, à Horta Pedagógica, ao Clube da Eletricidade, ao Clube da Robótica – que tem muita saída –, até ao Clube da Dança, da Expressão Dramática e por aí fora.

REGIÃO – As Jornadas Culturais prosseguiram na quinta e na sexta-feira…

PA – Na quinta-feira, de manhã tivemos as Ciências: a Físico-química, as Naturais, a Matemática e a Informática trabalharam em conjunto a realização de peddy-papers, jogos da glória, macaca, uma série de atividades muito engraçadas para os miúdos, na lógica das Ciências como uma única unidade. Depois fizemos uma caminhada aos fornos do Cidral, uma realidade que muitos dos alunos ainda não conheciam. À tarde tivemos a Educação Especial que nos deu a oportunidade de experienciarmos a construção de um laço humano, azul, do autismo, precisamente no sentido de valorizar a diferença pela positiva, para percebermos que todos temos espaço nesta escola pública e que é importante que se olhe para as pessoas que, por infortúnio, tenham um ou outro problema, exatamente da mesma forma que olhamos para todos os outros. Finalmente, na sexta-feira o S. Pedro pouco ou nada ajudou às excursões das Artes que estavam programadas: apesar de tudo experimentaram-se trabalhos de Expressão Plástica e os alunos mais velhos trabalharam em torno da memória do nosso patrono, Fernando Casimiro Pereira da Silva, no que contaram com o contributo do seu filho, Eduardo Casimiro Pereira da Silva cuja visita muito nos honrou; os alunos fizeram trabalhos notáveis em torno da ligação do patrono ao Agrupamento de Escolas. Tivemos também algumas atividades desportivas, dança e uma Music Color já para descomprimir.

REGIÃO – Por falar em music, o Agrupamento Fernando Casimiro tem ensino da Música, não é verdade?

PA – Temos! – há imenso tempo… O nosso professor de Música é o maestro Rui Carreira, que é maestro da Banda de Alcobaça. É professor no Conservatório e tem um trabalho notável. Aqui na escola tem um Clube de Música, que estamos a tentar que se desenvolva. O Agrupamento Marinhas do Sal começou este ano um trabalho de que tanto nós como eles andávamos à procura, nós já há cerca de sete ou oitos anos, mas que não é fácil conseguir-se, que era trazer para a escola pública de Rio Maior o Ensino Articulado da Música. O que ficou acordado entre os dois Agrupamentos é que o 2º ciclo seria dinamizado pelo Agrupamento Marinhas do Sal e o 3º ciclo pelo Agrupamento Fernando Casimiro, pelo que a seu tempo veremos se há interesse ou não em fazê-lo.

Vista da Escola Básica Fernando Casimiro Pereira da Silva, sede do Agrupamento de Escolas do mesmo nome.

Vista da Escola Básica Fernando Casimiro Pereira da Silva, de Rio Maior, sede do Agrupamento de Escolas do mesmo nome.

REGIÃO – Já se aflorou nesta conversa a oferta formativa da EB Fernando Casimiro. Percebe-se que, como escola, vocês estão em pleno “recrutamento” de alunos…

PA – A escola pública, neste momento está seriamente “espicaçada”; tem que se reinventar porque a escola privada tem características próprias, tem uma oferta distinta da oferta da escola pública e portanto temos que nos preocupar com isso.

REGIÃO – A escola privada tem outra liberdade de ação…

PA – Tem outra liberdade de ação e outro tipo de oferta. Sou um defensor da escola pública e sempre serei e os que trabalham comigo, também tenho a sorte de o serem. Não estou a dizer com isto que a escola privada não tenha lugar nem que não tenha valor. A escola pública é inclusiva, para todos, igualmente disponível para todos, que não diferencia alunos, que faz uma missão de serviço público.

REGIÃO – Ainda há pouco falou de Humanidades. Generalizando: os vossos alunos gostam de escrever? Vocês cultivam neles o gosto pela escrita?

PA – Nós andamos a cultivar esse gosto pela escrita mas é um trabalho penoso, porque estas novas ferramentas tecnológicas, os dispositivos móveis, o Facebook, o Twiter, todas essas ferramentas trazem atrás de si um tipo de escrita que não é recomendável.

REGIÃO – Escrita?…

PA – Escrita ou chame-se lá o que for, é uma comunicação que não é de todo recomendável; os miúdos escrevem cada vez pior, porque falam menos, convivem menos e habituaram-se a um tipo de comunicação que não é do nosso tempo. Mas aproveito também para salientar aqui, com alguma vaidade, que ainda este ano ganhámos o 2º prémio do Concurso Nacional de Escrita e que os nossos alunos ainda agora, na rede concelhia, tiveram um excelente desempenho na escrita e na leitura.

REGIÃO – Tem alunos que gostem de poesia?

PA – Embora eles ainda sejam muito novos para esse tipo de gosto penso que sim, que vão tendo graus crescentes pela leitura – as competências leitoras. Mas já tivemos alunos, que entretanto já saíram, que aprenderam aqui a gostar de poesia; por exemplo tivemos a experiência, muito interessante, da Inês Ferreira, que aos 15 anos publicou o seu primeiro livro de poesia. Temos um grupo de Português notável, com bons professores.

REGIÃO – Qual é o projeto mais próximo que o Agrupamento de Escolas tem em agenda?

PA – Nós temos um projeto ambicioso que esperamos conseguir pôr em prática o mais rapidamente possível, que representa um salto no desenvolvimento metodológico da escola. Ainda há dias esteve cá, a nosso convite, a Direção Geral de Educação e o Dr. Fernando Franco teve uma afirmação curiosa; disse que temos salas do século XIX, com as carteiras em comboio, com professores do século XX, para alunos do século XXI e nada disto bate certo. Portanto o nosso trabalho agora é metodológico, é na pedagogia e nós queremos abraçar as ditas “salas do futuro”. As salas do futuro não são mais, em nosso entendimento, do que laboratórios de aprendizagem, ou seja formas diferentes de fazer aprender os alunos onde eles estejam efetivamente num centro de aprendizagem.

A terminar, o professor Paulo Almeida agradeceu a todos os que contribuíram para pôr as Jornadas Culturais 2016 de pé e desejou que as do próximo ano conheçam o êxito que estas tiveram.

Texto e fotos: C. M.

Paulo Almeida, diretor do Agrupamento de

Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva.

Categorias:Educação Tags: , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

O 19º aniversário da Escola Superior de Desporto de Rio Maior O 19º aniversário da Escola Superior de Desporto de Rio Maior
O Centenário da Mina do Espadanal é já no dia 23/7/2016 O Centenário da Mina do Espadanal é já no dia 23/7/2016
Ténis de Mesa: Agrupamento Fernando Casimiro em grande Ténis de Mesa: Agrupamento Fernando Casimiro em grande
João Moutão já é diretor da Escola Superior de Desporto João Moutão já é diretor da Escola Superior de Desporto

Responder

Enviar Comentário


7 − cinco =

© 2017 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.