Festa que foi de arromba!

Arrouquelas. Festa Anual de 2016. Para acompanhar a procissão foi convidada a Banda de Vila Nova da Barquinha.

Arrouquelas. Festa Anual de 2016. Para acompanhar a procissão foi convidada a Banda de Vila Nova da Barquinha.

Arrouquelas: Festa que foi de arromba!

Aproxima-se  a Festa Anual de Arrouquelas 2017.

Para quem não conheça o passado desta grande festa que todos os julhos anima a região, deixamos aqui a descrição feita por Rogério Jesuino Bom.

— No que diz respeito às festas de 2016 em honra de Nossa Senhora da Encarnação, padroeira da freguesia de Arrouquelas, foram de “Arromba” como as classificou o repórter do nosso jornal, o Região.

Foram sempre grandes as festas em Arrouquelas! Com a sua dimensão situada no tempo, é bom lembrar que são uma celebração antiga, a sua história fez-me recordar os tempos em que o suporte da nossa Festa eram os peditórios: o Peditório ao povo, que ainda hoje se mantém e é o orgulho de todas as “comissões de festas” pela participação de quantos com ela colaboram.

Mas já vão longe os tempos em que após a marcação da data da Festa, logo se formavam equipas de festeiros que partiam ao fim de semana com a bandeira de Nossa Senhora da Encarnação nas mãos e uns sacos de serapilheira às costas pedindo de porta em porta pelas terras vizinhas ajuda para suportar os custos das festas; além das povoações circundantes havia algumas com referências: Casal do Oiro, Vila Nova de São Pedro, Tagarro, Alguber, etc. que pela sua devoção à Padroeira sempre acolheram os nossos emissários com carinho [e porquê estas? Ainda me lembro de cá virem pagar as suas promessas pessoas do Casal do Oiro (hoje Vila Chã de Ourique), montadas numa mula, que antes de entrarem davam três voltas à igreja e depois de fazerem as suas orações e deixarem as suas ofertas seguiam pela estrada do correio], emissários que no final do dia ou já noite fora chegavam carregados, ou não, com os sacos com os produtos das ofertas, trigo, milho ou outro cereal e algum dinheiro (pouco), que em maus anos de agricultura houve casos em que o peditório não deu para custear a alimentação dos emissários; conta-se que determinada equipa foi portadora de uma promessa (uma pequena chouriça), mas como o dinheiro apurado não chegava para comer, comeram a chouriça (Aqui aplica-se o ditado popular “quem longe vai buscar a boda no caminho a come toda”). Em anos de melhor colheita em que as ofertas eram mais elevadas o carregamento ficava por lá, em casa de alguns mais assíduos devotos, depois alguém lá se deslocava com um jumento para fazer o transporte.

O peditório para a Quermesse era realizado nas casas de comércio de Rio Maior, no Cartaxo e pela população da aldeia; esses objectos eram leiloados durante a festa por um Pregoeiro em (leilão picado): começava com um preço mais baixo e ia subindo quanto à oferta, até ser considerado o preço justo ou superior, mas algumas das vezes o Pregoeiro retirava do leilão o produto, alegando não o poder vender. Existiu uma outra forma de ajudar nos custos da Festa, as fábricas e os armazéns que forneciam materiais à consignação e depois recebiam os excedentes.

O recinto da realização da Festa foi sempre junto à igreja, era um local despido de qualquer estrutura, todos os equipamentos eram construídos em madeira, cobertos com ramagem de freixo e eucalipto e os ornamentos eram feitos com as folhas de palmeira que se iam buscar à quinta da Santarena, as varolas, essas cortavam-se em vários locais e as bandeiras comprava-se o pano e as senhoras da aldeia davam-lhe os vários formatos.

Mais tarde foi construído um Coreto em alvenaria no centro do Arraial onde a Banda Filarmónica actuava durante três dias, que era ela que abrilhantava a Festa com música para apreciar e para dançar, acompanhava no peditório na aldeia, acompanhava na recolha dos Juízes da Festa, e na procissão. Com a popularidade foram sendo recebidos mais visitantes, o recinto tornou-se pequeno, foi necessário criar estruturas condicentes para a realização da Festa mas mais tarde verificou-se que nem sempre se tomaram as melhores opções, construiu-se um palco no exterior, comprou-se uma faixa de terreno ao Sr. Grazina e construiu-se uma barraca em alvenaria para as bebidas e petiscos. Anteriormente essas barracas eram no exterior ao longo da estrada, chegou a haver barracas montadas por pessoas alheias a Arrouquelas, tudo isto se tornou pequeno com os lucros das sucessivas Festas e por alguma razão a Comissão de Melhoramentos pensou na expansão do local da Festa, mas também porque durante alguns anos Arrouquelas travou (uma luta) com o Pároco de São João da Ribeira que não queria que a Festa se realizasse no local onde sempre tinha ocorrido.

As sucessivas direcções da Associação Recreativa e Cultural de Arrouquelas foram aplicando os dinheiros dos lucros do seu trabalho neste novo local comprado, e muro após muro, parede após parede, pensou-se num projecto mais ambicioso e como resultado do trabalho de todas as Direcções e do povo que ajuda o local tem vindo, ano após ano, a tomar uma já hoje invejável capacidade para bem receber; o antigo local da Festa foi requalificado e hoje ambos os locais formam um conjunto de merecer o orgulho de todos os Arrouquelenses.

Foi bonito ouvir na voz do Sr. Presidente da actual Direcção da A.R.C.A. o reconhecimento que o sucesso de hoje é o resultado de todo o trabalho realizado anteriormente.

Arrouquelenses, estamos no século XXI. O esforço que anteriormente era despendido, anos, décadas antes, na feitura de todas as construções para que a Festa se realizasse, os sacrifícios dos nossos emissários pedintes nas deslocações pelas terras vizinhas, Arrouquelas valorizou-os e com o produto do seu trabalho fez investimento. Tudo isso hoje é substituído por arrojo, conhecimento e organização mas sempre com muito trabalho, para poder crescer e melhorar ainda mais.

PARABÉNS ARROUQUELAS 2016!

in O Tempo e os Homens, de Rogério Jesuíno Bom, publicado no jornal Região de Rio Maior nº 1454 de 19/8/2016.

Arrouquelas_festa_2017

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