Filha, o que queres comer?

Filha, o que queres comer?

Texto: Garcia Cruz.

Texto: Garcia Cruz.

Vivemos um tempo de muitas transformações. Algumas boas outras nem tanto.

Há dias, a meio da tarde, numa pastelaria, perguntou uma jovem mãe, obesa, à sua filhota igualmente gordinha, de 5 ou 6 anos de idade:

– Filha, que queres comer?

Responde, prontamente, alegre e confiante, a petiz:

– Ah! Quero uma coca-cola e uma bola de Berlim com creme.

A menina, sorridente e animada, foi então sentar-se, à ordem da mãe, enquanto esta fazia o pedido no balcão. Minutos depois, numa mesa a meu lado, mãe e filha, gordas de felicidade, recebiam, com um brilho nos olhos, duas coca-colas e duas belas, enormes e aromáticas bolas de Berlim.

Gostei de observar estas duas gordinhas. Pareciam viver em constante alegria e harmonia, o que é naturalmente importante na relação entre pais e filhos. A felicidade, porém, a meu ver, não depende só da doçura dos bons momentos. A felicidade depende também e muito, de coisas menos simpáticas e prazerosas.

Aquele que em escalada alcança o topo de uma difícil montanha será com isso tão mais feliz quanto maiores tenham sido as dificuldades encontradas na subida. Vencer essas dificuldades depende duma aprendizagem nem sempre fácil mas sempre necessária. Ter bons mestres é também, seguramente, maior garantia de alcançar em segurança o topo da montanha.

bonecoNum tempo em que a obesidade se tornou um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo dito civilizado/capitalista; Num tempo em que as pessoas dão preferência a comer coisas ao invés de comida; Num tempo em que a ciência considera ter a alimentação implicações sérias na saúde física e mental; Num tempo em que substituímos a amargura da vida pela doçura do que comemos; Num tempo de urgência pelo prazer, é tempo de entender, aceitar e valorizar o desprazer, por ser este, também, parte da rota da incerta mas sempre desejável felicidade.

A medicina chinesa, considera, há milhares de anos, que a saúde depende entre outras coisas da ingestão e combinação harmoniosa dos naturais sabores doce, amargo, azedo, picante e salgado. Quatrocentos anos antes de Cristo, Hipócrates, o pai da medicina moderna dizia “que o teu alimento seja o teu primeiro medicamento”. Hoje, cada vez mais, até na China, onde existem já milhões de obesos (doentes), a preferência vai para o sabor doce. Assim o momento fica mais doce mas seguramente que a vida será mais amarga.

Neste tempo de falta de tempo é tempo de dizer não. É tempo de dizer basta.

“Fugir” da rota da felicidade apenas para ter prazer, seguramente que não compensa.

Nota – Texto em desconformidade com AO

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