Região de Rio Maior

Histórico


Documento de 1177, relativo à venda  de talhos nas Marinhas do Sal Da Ocupação Romana à Época Moderna - A notícia mais antiga que se conhece sobre Rio Maior, é uma venda de Pero d`Aragão (ou Baragão?) e sua mulher Sancha Soares à Ordem dos Templários, "da quinta parte que tinham no poço e salinas de Rio Maior" que, com mais de oitocentos anos de existência, continuam a ser o ex-líbris do concelho. Este documento data de 1177, por alturas da Reconquista Cristã, e está escrito em latim, sabendo-se igualmente que, já nessa altura a Ordem do Hospital detinha também algumas marinhas.

As salinas naturais distam 3 Km da cidade de Rio Maior, e têm a sua origem numa mina de sal-gema (a mais importante da Península Ibérica), explorada ainda hoje artesanalmente. As salinas situam-se num extenso vale próximo da Fonte da Bica num lugar denominado Marinhas do Sal. Ao longo da História de Portugal, Rio Maior sempre foi um importante ponto de passagem, pois segundo conta a tradição, já D. Afonso Henriques por aqui tinha passado com o seu exército, aquando da conquista de Santarém aos mouros. A prová-lo está a decoberta arqueológica nesta região, de moedas cunhadas pelo Conquistador. Durante muitos séculos as Ordens de Avis e de Cister foram proprietárias de inúmeros coutos nesta zona, especialmente a ordem francesa, a qual também explorou sal nas referidas marinhas.

Para além da já referida extracção de sal, há muitos vestígios de exploração mineira na região de Rio Maior, que juntamente com Campolide, possui os mais antigos vestígios de mineração na História de Portugal, se assim se pode dizer. Com efeito, esta exploração já vem de tempos pré-históricos, além de que os Romanos instalaram centros metalúrgicos em Rio Maior, tradição que se terá mantido até aos séculos XIII-XIV. Nos Coutos de Alcobaça eram tradicionais os trabalhos de ferragem, para o fabrico de instrumentos agrícolas, pelo que, ao que tudo indica, na zona  de Rio Maior teriam existido fundições metalúrgicas e até mesmo mineração de ferro. Zona velha da cidade
 

Picotas das Marinhas do Sal

 

Relativamente à Ocupação Árabe, poucos ou nenhuns registos ficaram na zona de Rio Maior. Contudo, sabe-se que esta região fez parte da província sarracena de «Belatha». Da presença muçulmana nesta terras, apenas sobram as Picotas das Marinhas do Sal (cópias das suas antepassadas) e uma Torre Mourisca em São João da Ribeira, já muito adulterada ao longo dos séculos. Para além disto, há ainda a toponímia (localidades cujo nome começa por «AL»), e suspeita-se de que terá existido um castelo mourisco, que foi destruído em 1878, para a construção de uma escola primária [!].

 

Ainda no que concerne à Idade Média, consta-se que também o Conde Andeiro esteve em Rio Maior, onde teria sido forjado um plano para o seu assassinato, uma vez que a Rainha D. Leonor Teles, sua amante, se encontrava hospedada no Paço da localidade. Sabe-se igualmente que D. Fernando frequentou Rio Maior nas suas caçadas e que para aqui se retirava com a sua família. Também o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, reuniu o conselho e deu descanso às suas tropas em Rio Maior, quando se dirigia para a Batalha de Alfarrobeira.

 

Salinas naturais de Rio Maior

 

Feira Nacional da Cebola

 

Infelizmente, Rio Maior não é muito pródigo em monumentos representativos do seu passado, inclusivamente em matéria religiosa, e mesmo a documentação existente é escassa. Sabe-se que alguns monarcas interessaram-se pelo desenvolvimento da localidade, nomeadamente D. José I e o Marquês de Pombal. Pelas suas influências, e a pedido da população, foram construídos edifícios (o Hospital da Misericórdia, por exemplo) e foi criada pelo Rei uma feira anual (em 1761), que ainda hoje se mantém, tendo a denominação de Frimor - Feira Nacional da Cebola, realizando-se na altura a meio do mês de Setembro. Esta feira já funcionava anteriormente como uma feira franca. Actualmente a Feira Nacional da Cebola realiza-se na primeira semana de Setembro, mas perdeu alguma importância, tendo sido suplantada pela Feira das Tasquinhas, consagrada à gastronomia, artesanato e doçaria. Este certame realiza-se durante 10 dias, no mês de Março.


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