Região de Rio Maior

Histórico


Da Época Moderna ao século XX - Os séculos XVIII e XIX riomaiorenses são um pouco mais ricos. Os Franciscanos Arrábidos fixaram-se em Rio Maior, aqui construindo um hospício em 1763, que veio mais tarde a ser o edifício dos Paços do Concelho (entretanto demolido há alguns anos, sendo substituído pelo actual edifício da câmara, que foi inaugurado em 1992). De destacar o impacto sofrido na região, aquando das invasões napoleónicas, nomeadamente a terceira, comandada por Massena, uma vez que todo o concelho esteve submetido às consequências da guerra, ou não estivesse no caminho das Linhas de Torres. Sabe-se que em Março de 1811 uma força de 5 000 soldados franceses comandados por Junot defrontou-se com as tropas anglo-lusas à entrada de Rio Maior, num violento recontro de artilharia, de que resultaram ferimentos graves para o general francês. Em Rio Maior também esteve D. Miguel, num período conturbado da História de Portugal, onde teve conhecimento do resultado da Batalha de Almoster. Aqui ocorreram muitas disputas entre Liberais e Miguelistas.

Edifício dos Paços do Concelho

 

Jardim Municipal: vista parcial

 

O século XX foi o da consolidação de Rio Maior enquanto sede de concelho, tornando-se cada vez mais num núcleo populacional hegemónico, ao mesmo tempo que os meios rurais viam decrescer a sua importância, nomeadamente a Azambujeira e a Vila da Marmeleira. Na base disto, esteve naturalmente a concentração dos serviços da administração pública em Rio Maior, e o desenvolvimento do seu tecido económico e social.

Além do mais, em termos populacionais Rio Maior sempre esteve em lugar de destaque, relativamente à Azambujeira e outras povoações, como o comprovam os censos realizados em 1527, 1758, 1864 até à actualidade. A outro nível, a história contemporânea de Rio Maior é vital para se compreender os caminhos tomados por Portugal no pós 25 de Abril de 1974, aqui tendo ocorrido importantes factos de natureza política, muitos deles ainda por estudar.

O concelho de Rio Maior caracteriza-se pela sua beleza paisagística, enquadrado a Norte pela Serra dos Candeeiros (613 metros de altitude), possuindo também vastos pinhais e bosques. É atravessado pelo rio Maior, que deu o nome à localidade, pese embora actualmente seja um rio com reduzido caudal e leito. Trata-se de um afluente do rio Tejo, com 54 Km de curso, 26 dos quais só no canal da Vala de Azambuja. Este rio nasce num pitoresco sítio denominado «Bocas», a Oeste da cidade de Rio Maior. Neste local - um desfiladeiro - realiza-se todos os anos o piquenique do Dia de Bom Verão. Para além do mais, o concelho de Rio Maior tem um subsolo extraordinariamente rico, nomeadamente em lignite (carvão de madeira), tendo de resto as maiores reservas existentes em Portugal.

"Chaminé da Mina"

Aliás, desde o início do século até 1969, foi explorada em grande escala a Mina do Espadanal, que marcou indelevelmente durante décadas o período mineiro de Rio Maior. De resto, a empresa mineira (EICEL), nos anos cinquenta e sessenta chegou a ter um ramal ferroviário privado até ao Vale de Santarém, para o transporte do carvão. O antigo cais da mina situava-se no pavilhão onde actualmente funcionam as duas feiras anuais de Rio Maior (o actual Pavilhão Multiusos foi construído sobre este mesmo cais).

O antigo Cais da Mina A mina funcionou em pleno entre os anos 40 e 50, em virtude da grande falta de combustíveis durante a 2ª Guerra Mundial. Para Rio Maior vieram muitos mineiros de outros pontos do país, os quais em grande parte acabariam por ficar aqui, deixando descendentes que hoje são comuns cidadãos riomaiorenses. As minas de lignite de Rio Maior foram decisivas para o desenvolvimento da sede de concelho e da região, e "alimentaram" importantes industrias nacionais como a Companhia União Fabril.

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