95% dos acidentes eléctricos dão origem a incêndios

No primeiro semestre de 2013 a CERTIEL – Associação Certificador de Instalações Eléctricas, detetou 76 acidentes com origem elétrica, 95% dos quais deram origem a incêndio.A CERTIEL apurou ainda que, do total de acidentes, registaram-se 86 vítimas, entre feridos graves e ligeiros, desalojados e vítimas mortais.

Dos 76 acidentes elétricos registados pela CERTIEL, 72 resultaram em incêndio (95%), o que, segundo Carlos Botelho, diretor-geral da CERTIEL, «demonstra, mais uma vez, que os acidentes elétricos têm um profundo impacto, seja em termos de perdas materiais seja em termos de vidas humanas». Estes incêndios resultaram na destruição total de 17 habitações, e 34 ficaram parcialmente destruídas. Do total de acidentes elétricos registados, contam-se 11 óbitos, 26 feridos graves, 21 feridos ligeiros e 28 desalojados. Em termos de distribuição geográfica, o Norte conta com 29 ocorrências, Lisboa e Vale do Tejo com 15, o Centro com 14, o Algarve com seis, o Alentejo e o Vale do Sado com oito, os Açores com três, e a Madeira com um acidente elétrico.

Os meses com maior número de ocorrências foram janeiro e abril, com 17 e 19 acidentes elétricos registados respetivamente. fevereiro registou 12 acidentes elétricos, oito em março, 10 em maio e 10 em junho. Cerca de um terço dos acidentes ocorreu à tarde (25), os restantes dois terços dividem-se entre madrugada (12), noite (10) e manhã (19). Em dez das ocorrências não foi possível apurar a hora.

O estudo da CERTIEL resulta da análise do registo dos acidentes de origem elétrica noticiados na imprensa online durante o primeiro semestre de 2013. A CERTIEL tem vindo desde 2011 a fazer este registo no sentido de perceber a realidade dos acidentes elétricos em Portugal e puder traçar um quadro sobre isto, e pretende consciencializar a opinião pública para uma situação que existe e que não é suficientemente valorizada, mas que tem consequências humanas e materiais significativas. Para Carlos Botelho, impõe-se «consciencializar as pessoas para a segurança elétrica, e enraizar o conceito de segurança elétrica em Portugal. É essencial ainda trazer a debate a importância da introdução da obrigatoriedade de uma avaliação de qualidade periódica, depois das instalações elétricas entrarem em funcionamento, para que se possam minimizar os casos em que as instalações elétrica degradadas causas incidentes e provocam vítimas e perda de bens materiais».

Neste primeiro semestre de 2013 foram ainda contabilizadas 123 notícias relativas a incêndios com causa ou origem desconhecida (que pode ou não ter origem elétrica). Destes incêndios há a lamentar seis óbitos, 52 feridos ligeiros, 17 feridos graves e 146 desalojados. Janeiro foi o mês com mais incêndios, 34, seguindo-se fevereiro com 23, março com 12, abril também com 12, maio com 23 e junho com 19.

A região com maior número de registos é o Norte, com 44 incêndios; o Centro conta com 35, Lisboa e Vale do Tejo com 25, Alentejo e Vale do Sado com oito, Algarve com cinco, Açores com cinco e Madeira com um. Estes incêndios ocorreram maioritariamente em habitações (71 no total), e 18 à noite (não foi possível apurar hora em oito incêndios)

No primeiro semestre de 2013 contam-se assim, entre acidentes com origem comprovadamente elétrica (curto-circuito, sobrecarga da instalação elétrica, utilização incorreta da instalação elétrica, contacto direto/falha de isolamento), e incêndios com causa desconhecida, 17 vítimas mortais, 73 feridos ligeiros e 43 graves, e 174 desalojados, o que perfaz cerca de 200 vítimas.

No estudo em causa são apenas considerados acidentes que foram noticiados nos meios de comunicação social online, e em que o texto indica como causa um fenómeno relacionado diretamente com a utilização de eletricidade, como curto-circuito, sobrecarga da instalação elétrica, contactos diretos ou indiretos com a instalação elétrica, avaria de equipamentos e utilização incorreta dos aparelhos elétricos ligados à instalação elétrica (excluem-se os acidentes resultantes do furto de cobre e equipamentos das instalações elétricas). É ainda efetuado o registo dos acidentes em edifícios que são noticiados como tendo origem desconhecida, numa tentativa de perceber se existe alguma relação, e qual a proporção entre os registos.

A utilização deste método – compilação dos casos noticiados pelos média – para elaborar a análise, deve-se ao facto de não existir em Portugal nenhum registo dos acidentes relacionados com eletricidade. «Este método implica que os resultados apurados representem a realidade por defeito, na medida em que muitos dos acidentes relacionados com eletricidade não são noticiados como tendo origem elétrica, quando a origem ainda não foi apurada, o que acontece grande parte das vezes. Por essa razão, a CERTIEL compila e analisa também os incêndios em edificado com origem desconhecida, para que se possa extrapolar os dados daí apurados, tendo em conta que, internacionalmente, se estima que, destes incidentes (incêndios com origem desconhecida), cerca de 50% se possam também atribuir a problemas elétricos».

Para contribuir para a conscientização da importância do conceito de “segurança elétrica” (a par da segurança rodoviária ou alimentar) em Portugal, a CERTIEL tem vindo a dinamizar diversas ações de sensibilização, como por exemplo a campanha de sensibilização “Usar bem a energia é um dever de cidadania”». Esta campanha pretende alertar para a questão da segurança e da eficiência elétricas, e está disponível no website da iniciativa (http://www.certiel.pt/usarbemaenergia/),onde se encontra toda a informação sobre a segurança e eficiência das instalações elétricas, e um filme que apresenta, de uma forma prática, alguns exemplos de mau uso da energia e situações de insegurança.

CERTIEL – Lisboa, 27 de agosto de 2013

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