A fronteira de Rio Maior em 2016

Fronteira(s) de Rio Maior

Leia/veja também A Fronteira de Rio Maior em 1975 acedendo a: http://www.regiaoderiomaior.pt/a-fronteira-de-rio-maior-em-1975/

Por coincidência ou talvez não, a cidade de Rio Maior foi agora contemplada com as barricadas do IC2. Quarenta e um anos depois das barricadas dos agricultores na noite de 25 de novembro de 1975, as novas barricadas de Rio Maior que foram implantadas no dia 12 de maio de 2016, não por iniciativa dos agricultores, mas por iniciativa da Empresa Pública Infraestruturas de Portugal que, sendo uma empresa pública tutelada pelo Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, conseguiu em poucas horas e em três locais diferentes bloquear com pilaretes e pesados blocos de cimento os principais acessos do IC2 à cidade de Rio Maior.

Não teria vindo mal nenhum ao mundo, se em vez de bloquearem as entradas e as saídas de Rio Maior tivessem primeiro construído alternativas, mas a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal através da Direção de Estradas de Santarém preferiu bloquear as duas faixas de rodagem do principal nó de acesso a Rio Maior à saída de Asseiceira, vedando aos bombeiros, às equipas de emergência médica do INEM e aos utentes, as ligações da variante do IC2 mais próximas de Rio Maior deixando as alternativas para mais tarde, ou para nunca mais, devido aos milhões de euros que são precisos para construir taludes e estacarias no nó que foi bloqueado.

A Junta Autónoma das Estradas que chegou a ter uma delegação no nº 137 da Rua D. Afonso Henriques em Rio Maior complicou sempre e ao longo dos anos a vida aos Riomaiorenses, como foram, por exemplo, as dúvidas da JAE relativas à localização de um edifício na Zona Industrial para ali ser instalada uma Plataforma Logística de distribuição e fabrico de rações, dúvidas que provocaram entraves à economia e chatices ao então presidente da Câmara Manuel Sequeira Nobre.

A Empresa Pública Infraestruturas de Portugal publicou no Portal das Estradas, Lista de Ocorrências, a informação oficial que o nó do IC2 de Rio Maior estava em trabalhos entre o dia 12 de maio de 2016, 01:26 e 31 de julho de 2016, 19:00. Esta empresa não cumpriu o que publicou nem realizou qualquer trabalho visível a fim de serem levantadas as barricadas que montou ao km 69,5 da EN1, km 68,8 e km 69 do IC2, tendo em 1 de agosto de 2016 retirado do Portal das Estradas, Lista de Ocorrências a informação que publicou sobre trabalhos no IC2/Rio Maior.

Se tivesse tido boa vontade e cooperação a empresa Infraestruturas de Portugal tinha acabado primeiro as ligações do nó de Vale de Óbidos a Rio Maior, porque, sendo distâncias muito curtas que faltam pavimentar para ligar este nó à Estrada Municipal 508 que liga Vale de Óbidos a Rio Maior, deveria, só depois de concluídas as ligações bloquear o nó dos Barreirões à saída de Asseiceira para então realizar os tais trabalhos.

Com 90 dias de bloqueio, apenas se sabe que a presidente da Câmara de Rio Maior Isaura Morais escreveu ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas a pedir uma reunião urgente para saber do ministro Pedro Marques se o bloqueio a Rio Maior é para levantar ou se é assunto encerrado. Como pensava e escreveu o antigo autarca Júlio Carreira na carta de fim de semana publicada no Região de Rio Maior em 31 de março de 1989 e reeditada em 3 de junho de 2016 “O Alto da Serra e os Barreirões mais contribuem para o desinteresse por Rio Maior pelo afastamento. Aliás é fácil construir o acesso em Vale Óbidos, o que era vantajoso.” Júlio Carreira que foi o primeiro presidente da Assembleia Municipal eleito em democracia previu há 27 anos atrás, o bloqueio de Rio Maior, pela não construção do nó de Vale Óbidos da variante Asseiceira-Alto da Serra inaugurada em 22 de março de 1989.

Nem o lema “É melhor perder um minuto na vida do que a vida num minuto” que a Fundação da Juventude e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto têm utilizado em diversas campanhas de prevenção rodoviária, sensibilizou uma empresa do Estado que, ignorando o lema bloqueou o principal nó do IC2 aos socorristas. Os bombeiros e as equipas de emergência médica do INEM que o digam quando vão desencarcerar as vítimas dos acidentes de viação no IC2 e têm que percorrer 14 km até ao portão da JAE no centro da variante, estando o portão da JAE a apenas 2,5 km do quartel de bombeiros (ver quadro a seguir). Só nos primeiros seis meses de 2016 e dentro da área de proteção dos nossos bombeiros já ocorreram 13 acidentes de viação graves, alguns deles devido ao mau estado do pavimento.

distancias_sem_Vale_de_Obidos

Perante factos, a DES – Direção de Estradas de Santarém preferiu manter o mesmo tipo de ramal que a JAE construiu há 27 anos e que bloqueia o acesso rápido dos bombeiros e das equipas de emergência médica ao centro da variante do IC2 entre a Asseiceira e o Alto da Serra, que pavimentar os ramais que faltam para ligar o nó de Vale de Óbidos à cidade de Rio Maior.

O portão da JAE, enferrujado e fechado com grossas correntes de ferro.

O portão da JAE, enferrujado e fechado com grossas correntes de ferro.

O único ramal que a JAE acabou no nó de Vale de Óbidos há 27 anos, foi onde instalou um portão de emergência que enferrujou, que está fechado a cadeado com grossas correntes de ferro e sem qualquer manutenção, o mesmo acontecendo com o ramal de emergência até ao portão da JAE que deveria estar limpo e operacional, mas que, de tantos anos ao abandono se transformou num aterro de entulhos de obras e lixos domésticos e que é servido por um trilho herbáceo. O estado em que se encontra o trilho herbáceo que foi construído há 27 anos ofende quem necessita de socorro, ofende os bombeiros, atrasa o socorro das equipas de emergência médica do INEM e envergonha os autarcas, que durante 27 anos, nada fizeram para que os ramais fossem limpos, acabados e ligados a Rio Maior.

O ramal de emergência até ao portão da JAE transformou-se  num aterro de entulhos de obras e lixos domésticos.

O ramal de emergência até ao portão da JAE transformou-se
num aterro de entulhos de obras e lixos domésticos.

Ao contrário do nó de Vale de Óbidos que era para ser o nó central do IC2 para entrada em Rio Maior e que nunca foi acabado, a entrada sul da variante onde há 27 anos a JAE instalou 22 candeeiros com 44 lâmpadas que iluminam as vias, iluminam uma Plataforma Logística de exposição e venda de camiões e reboques que se encontra desativada, iluminam uma bela rotunda à entrada de Asseiceira muito bem tratada e conservada pela Junta de Freguesia onde se encontra uma escultura de Ricardo Tomás alusiva aos acontecimentos religiosos que se verificaram há 62 anos em Asseiceira. Esta rotunda localizada na entrada sul em Asseiceira contrasta pela positiva com a rotunda de entrada norte situada no Alto da Serra que desde 1992 se encontra abandonada e onde a Direção de Estradas de Santarém mantém destruídas as placas que indicam a saída da variante do IC2 para Rio Maior.

A rotunda à entrada de Asseiceira, muito bem tratada e conservada pela Junta de Freguesia.

A rotunda à entrada de Asseiceira, muito bem tratada e conservada pela Junta de Freguesia.

O aspeto de abandono a que a rotunda de entrada norte no Alto da Serra está votada desde 1992.

O aspeto de abandono a que a rotunda de entrada norte no Alto da Serra está votada desde 1992.

Caros Leitores; se não acreditam passem por estes locais, mas atenção, não podem passar do portão nem entrar no IC2, façam as fotos que quiserem mas do lado de dentro do portão, porque, como andam a tentar “fazer a cama” aos utentes do IC2, todo o cuidado é pouco com alguns agentes, porque, cuidar daquilo que é o bem público e fazer contas não é com eles…

placas_av-13_julho
Paga-se a portagem da A15 na saída de Rio Maior-Oeste. Depois paga-se 1,75€ por apenas 15 quilómetros da A15, depois (devido ao bloqueio) percorre-se o troço do IC2 Asseiceira-Alto da Serra que é uma via muito perigosa devido ao pavimento em cimento que se encontra cada vez mais degradado. Chega-se ao Alto da Serra, vira-se à direita na direção de Rio Maior (quem souber) porque as placas oficiais foram destruí-das. Feitas as contas foram 15 km até à entrada Rio Maior-Sul na Avenida 13 de Julho de onde foi retirada uma placa toponímica alusiva ao Dia do Agricultor Livre.

No Alto da Serra, placas com a direção de Rio Maior que estão partidas.

No Alto da Serra, placas com a direção de Rio Maior que estão partidas.

Caros autarcas: Sem bons e fáceis acessos a Rio Maior não há estudos nem eventos que resolvam os nossos problemas e as nossas carências. Com a concorrência que existe entre as autarquias na captação de forasteiros para os eventos que cada uma promove, se não houver boa vontade e cooperação com as pessoas que nos querem visitar, oferecendo-lhes acessos que sejam fáceis e seguros, nada se conseguirá. Com o “cerco” que está montado a Rio Maior e que é para durar “ad eternum” resta-nos o olhar indulgente de uns para os outros!…

Em cima: placa do IC2 ao km 71 em outubro de 2005. Em baixo, a mesma placa em 2016.

Em cima: placa do IC2 ao km 71 em outubro de 2005. Em baixo, a mesma placa em 2016.

Pactuar com os azedumes daqueles que não gostam de Rio Maior é como deitar pérolas a porcos! No Sermão da Montanha Jesus disse: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis pérolas a porcos, não aconteça que as pisem com os pés e voltando-se, vos despedacem.”

Texto e fotos: Casimiro Lopes

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