Académica de Rio Maior, porquê?

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João Moleiro, Pedro Baptista e Carlos Português são os fundadores da Associação Académica Desportiva de Rio Maior.

Da esquerda para a direita, João Moleiro, Pedro Baptista e Carlos Português.

Da esquerda para a direita, João Moleiro, Pedro Baptista e Carlos Português.

João Moleiro e Pedro Baptista, ex-estudantes da Escola Superior de Desporto e Carlos Português, presidente da Associação de Estudantes desta Escola do Instituto Politécnico de Santarém constituíram recentemente a Associação Académica Desportiva de Rio Maior. João Moleiro é o presidente, Pedro Baptista o vice-presidente e Carlos Português o diretor financeiro.

Na conversa que Região de Rio Maior teve com estes jovens, impunha-se saber desde logo o que é que os levou a constituir esta Associação Académica.

Carlos Português (CP) – Ao longo do nosso percurso académico e do que se vem a desenrolar na cidade considerámos que existia uma lacuna que faltava preencher a nível desportivo, designadamente na organização de todas essas dinâmicas, de modo que partimos para a construção de algo que bem estruturado, bem organizado possa vir a ser bem-sucedido para a cidade.

Região de Rio Maior (Região) – Tendo em conta a dimensão do meio, há de facto aqui uma grande concentração de estudantes das áreas do Desporto, que têm as aulas teóricas e demais atividades dos respetivos cursos mas depois não têm onde exteriorizar essa sua preparação em permanente crescendo…

CP – Essa foi uma preocupação muito importante para nós, na conceção do clube. Dentro da ESDRM temos vários cursos com várias áreas específicas que nós pensamos que podemos enquadrar da melhor forma a posteriori, para desenvolver o clube com pessoas que percebam realmente das respetivas áreas específicas e assim conseguirmos um alto nível de exigência e de excelência.

Mas não é apenas nos estudantes que nos queremos focar. A Associação Académica, apesar de ser um clube criado por nós, estudantes e ex-estudantes e outras pessoas que vêm do meio académico temos uma preocupação também muito grande em relação à comunidade local, até mesmo porque nós já nos sentimos riomaiorenses. Como tal gostaríamos de desenvolver um clube com características citadinas. A Associação Académica Desportiva de Rio Maior não é só para a Escola Superior de Desporto, é sim um clube da cidade de Rio Maior.

Pedro Baptista (PB) – Nós não somos da cidade mas queremos fazer algo de bom para as pessoas da cidade, porque nós ao longo destes anos – eu estou cá há mais tempo, eles há um pouco menos – mas a verdade é que nos tornámos um pouco cidadãos de Rio Maior e por isso mesmo queremos dar algo a esta cidade que nos acolheu tão bem, que de alguma forma se criou um laço entre nós e ela.

Região – De certo modo estão por aqui radicados…

CP – Bem, estudamos ou trabalhamos aqui e abraçámos este projeto.

Região – A Académica de Rio Maior tem alguma coisa a ver com futebol? Claro que há de ter, mas só um bocadinho, pelo menos para já…

PB – Falemos então das nossas áreas específicas de ação. Não vamos ter como área principal o Futebol, nem mesmo vamos ter essa área visto que já existe um clube na cidade, pelo que não há necessidade de criar outro, nem nós estamos interessados em rivalidades.

O que nós vamos ter é Voleibol de formação, que não há, Ginástica de formação, que não há e Fitness focado nas áreas de Zumba e Combat, muito em voga.

Queremos também avançar com uma Box Crossfit, que está na moda. Além disso vamos trabalhar em parceria com a Associação de Estudantes da Escola Superior de Desporto de Rio Maior e com a própria Escola, para apoio ao Desporto Universitário que tem vindo a dar muitos frutos; a Associação de Estudantes tem vindo a fazer um excelente trabalho nessa área e nós queremos trabalhar com eles em termos logísticos, para melhoria de certos aspetos.

CP – O Desporto Universitário é uma coisa que não tem sido muito noticiada apesar dos excelentes resultados que temos tido, participando com o nome do Instituto Politécnico de Santarém. Para um primeiro ano de competição assídua têm sido resultados muito bons. Neste momento por exemplo temos equipas a participar em campeonatos europeus na Polónia, cujos resultados e méritos são um pouco esquecidos. Temos a preocupação, lá mais para a frente, de tornar públicos esses resultados, para que as pessoas de Rio Maior e da Escola Superior de Desporto se orgulhem do que se faz por cá.

Região – Há bocadinho falámos de Futebol, porque era um sonho do presidente do Núcleo Sportinguista, Silvino Sequeira, que houvesse uma Académica em Rio Maior, virada para o desporto de competição…

JM – O Dr. Silvino Sequeira foi precisamente a primeira pessoa com quem falámos sobre o nosso projeto e quando começámos a trabalhar nele até nos ajudou nalguns aspetos.

Mas a verdade é que a partir do momento que uma cidade pequena como é Rio Maior tem um clube de futebol quase centenário, como é o União, por muitas dificuldades que possa estar a passar atualmente, não teria lógica a Académica abrir a frente do Futebol. Só o faremos se o União acabar ou se acontecer alguma coisa.

Região – A questão que se punha ao Núcleo Sportinguista é que cumprido o escalão júnior a maior parte dos jovens da formação não tinha para onde ir senão para fora de Rio Maior.

JM – Nós consideramos, essencialmente, que Rio Maior tem todos os requisitos para ser uma cidade eclética…

Região – Ora bem!

JM – … Porque reúne todas as condições estruturais ao nível dos campos desportivos, do Centro de Alto Rendimento de Natação, etc. Tudo potencia realmente Rio Maior para ser uma cidade do ecletismo em Portugal. Tem que se tirar mais partido dessas condições físicas para a prática do desporto.

PB – É para isso que nós estamos aqui!

Região – Portanto, vão começar pela atividade física e lazer para a população. Mas para se ser sócio da Académica tem que se ser estudante ou professor?

JM – Não. Como já dissemos, nós queremos fazer da Associação Académica Desportiva de Rio Maior um clube citadino, um clube da cidade por isso nós queremos as pessoas da cidade no nosso clube.

Como é evidente, qualquer pessoa poderá ser sócia. Teremos uma quota acessível, para qualquer pessoa poder pagar.

Vamos começar pelo Voleibol, a Ginástica e o Fitness mas esse é apenas um princípio porque nós queremos ter uma evolução muito metódica e sustentável na parte financeira.

Vamos ter um gabinete de apoio à comunicação social.

Queremos ter já este ano a formação em Voleibol e na Ginástica e a atividade física e lazer para a população em geral e depois o objetivo é termos já na próxima época o Futsal e se possível também o Andebol. Mas tudo de uma forma muito sustentável porque há muitos casos de rotura e não os queremos imitar.

CP – E olhando para a situação económica em que o país se encontra atualmente é preciso ter todos estes aspetos bem organizados, bem presentes na nossa mente e determinarmo-nos a fazer o que é possível ser feito. Iniciar algo numa base que não é sustentável…

JM – … É completamente impossível e esse erro nós não queremos cometer.

Região – Não pensaram no hóquei em patins, uma modalidade em que Rio Maior tem alguma tradição…

JM – Pensar pensámos, mas é um desporto demasiado caro e pelo menos nestes primeiros dois ou três anos seria muito difícil nós termos sustentabilidade para irmos por aí… Só um equipamento para um guarda-redes custa quinhentos e tal euros e dos mais baratinhos.

PB – Começamos com o Voleibol, o Fitness e a Ginástica e daqui a cinco ou seis anos, se tudo correr bem, quem sabe? Nós temos um horizonte temporal que visa já o ano 2019.

Região – Além da Escola a Académica decerto fará parcerias. Querem falar disso?

PB – Em matéria de parcerias, na área da imagem a OKTO designs vai trabalhar connosco. Aliás foram eles que conceberam o emblema do clube: as pirâmides de sal sobre um livro aberto e as três estrelas que representam os três vértices da nossa ação que são o desporto universitário, a atividade física e de lazer e o desporto de formação e possivelmente de competição.

O primeiro protocolo de colaboração vai ser (já foi, em 8 de agosto) celebrado com a Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

Contamos com os apoios institucionais da Câmara Municipal de Rio Maior à qual apresentámos este projeto tal como o fizemos na Escola Superior de Desporto, DESMOR, Centro de Alto Rendimento e ao Centro de Negócios e Inovação de Rio Maior, entidades a que agradecemos a abertura e a disponibilidade que tiveram, o que foi uma motivação extra para nós; somos jovens, somos ambiciosos, é difícil avançar, o país não está num momento fácil e nós queremos andar para a frente, gerar emprego para pessoas com competência, possibilidades de estágios para pessoas que não consigam ir para fora de Rio Maior, em suma fazer esta cidade mexer-se um pouco mais.

Região – Presidente, como é que vai fazer isto tudo?

JM – Este projeto está baseado numa estratégia financeira muito bem definida. Até hoje tem-se pedido patrocínios, dinheiro… Isso acabou! Hoje em dia ninguém dá nada a ninguém sem receber absolutamente nada. Mas nós vamos trabalhar de uma maneira completamente diferente: não teremos patrocínios, vamos é tentar ter stakeholders  (grosso modo, interessados no projeto, o que passa pela satisfação de necessidades, compensação financeira e comportamento ético), em que nós vamos oferecer um serviço às empresas com um mínimo de 50 pessoas, que passam a ter todas as semanas um instrutor de Fitness para aulas de grupo aos seus trabalhadores, o que lhes permitirá manterem-se mais ativos e interessados; a atribuição de um instrutor a cada empresa far-se-á em troca de um certo valor monetário. A Holmes Place, que é a maior cadeia de ginásios do país tem esse serviço. Nós prestaremos esse serviço mais em conta e sendo a Académica de Rio Maior uma associação, as empresas terão a vantagem de poderem ir buscar grande parte do patrocínio por via do Mecenato. É um investimento baixo para nós, é bom para as empresas e é por aí que vamos tentar conseguir sustentabilidade para o projeto.

Muito importante para nós, também é tentarmos garantir fundos através dos programas dotados de Fundos Europeus.

Região – A Académica tem a sede em Rio Maior mas não se circunscreve a este território…

JM – Não. O nosso objetivo é sermos reconhecidos como líderes de formação no distrito de Santarém.

CP – Nós pensamos que é muito importante para a cidade de Rio Maior ter uma entidade desportiva que realmente faça a diferença na maneira formativa e até à maneira competitiva. Temos a perfeita consciência de que esta é uma oportunidade de trabalho para Rio Maior; se o clube for bem-sucedido haverá porventura mais jovens interessados em ir para a Escola Superior de Desporto, a Escola cresce porque há clube bem-sucedido e com as bases todas bem assimiladas, a cidade cresce, a população cresce, o PIB de Rio Maior cresce e é isso que queremos, porque gostamos muitíssimo desta cidade.

JM – Nós achamos que Rio Maior não é a Cidade do Desporto, é sim a Cidade para o Desporto!*

Texto e fotografias: Carlos Manuel

A versão integral desta conversa está publicada na edição em papel do jornal Região de Rio Maior de 14/8/2015.

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