Arouquelas – Solidariedade proporciona casa nova a família carenciada

A ideia de proporcionar casa própria a esta família de Arrouquelas surgiu quando os Madaleno se viram confrontados com a necessidade de saírem da casa alugada que habitavam porque ia ser demolida. Ele desempregado, sem terem onde viver mas tendo um barracão na Rua do Casal foram pedir ajuda à Junta de Freguesia.

Num mundo em que vivemos numa situação difícil, em que tudo é mau e é só más notícias, achámos que uma boa notícia também devia ser divulgada”, começou por dizer o presidente da Junta de Freguesia de Arrouquelas, Mário Pião, quando da entrega simbólica das chaves duma casa a estrear, a uma pequena família carenciada; a família Madaleno: o casal José Augusto Madaleno e D. Fátima, e a filha, Catarina.

A Catarina e o pai.

Ele é ajudante de pedreiro, ajeita-se a pedreiro mas está desempregado. D. Fátima é doméstica e a Catarina, de 11 anos, estuda na EB Fernando Casimiro. Terem uma casa própria “era um sonho deles, sem terem que pagar uma renda ao fim do mês”, contou Mário Pião. Emocionado, o autarca manifestou a esperança de a sua autarquia poder continuar a ajudar as pessoas dentro do que for possível. A Câmara Municipal de Rio Maior também contribuiu para a construção da casa, “que foi feita com pouco dinheiro”, assim como a população de Arrouquelas e alguns empresários da zona que ofereceram materiais, provando que “numa aldeia pequena também é possível fazer alguma coisa, não é só nas cidades ou nas vilas maiores”, comentou ainda, antes de entregar as chaves a D. Fátima.

Assistiram a este ato singelo e breve, entre outras pessoas a presidente do Município, Isaura Morais, o seu vice-presidente, Carlos Frazão Correia e a vereadora da Acção Social, Ana Filomena Figueiredo.

A casa é pequena, mas um cantinho no Céu para esta família, na Rua do Casal. Foi construída em 5 meses no sítio onde havia um barracão, num terreno herdado por José Madaleno; tem dois quartos, cozinha/casa de jantar com espaço para saleta de estar, e casa de banho com poliban. No dia da entrega só faltava colocar alguma mobília mas o roupeiro e uma cómoda para a Catarina ainda não estavam disponíveis.

A ideia de apoiar esta família construindo-lhe a casa surgiu quando os Madaleno se viram confrontados com a necessidade de saírem da casa alugada que habitavam porque ia ser demolida para dar lugar a uma vivenda. Ele desempregado, sem terem onde viver mas tendo um barracão na Rua do Casal foram pedir ajuda à Junta de Freguesia.

D. Fátima fazendo café para oferecer às visitas, lava-se em lágrimas, sentida com as agruras e incompreensões da vida, ao desabafar: “Agora estou bem, estou sozinha mais ele e ela, estou bem!”

D. Fátima fazendo café para oferecer às visitas, lava-se em lágrimas, sentida com as agruras e incompreensões da vida, ao desabafar: “Agora estou bem, estou sozinha mais ele e ela, estou bem!”

“Eles são modestos e humildes e não estavam à espera disto; estavam à espera de terem uma casa de banho no barracão e pouco mais…”, revela Mário Pião ao Região de Rio Maior. “O barracão tinha paredes em adobe e apenas uma divisão. No final do ano passado, com autorização da Junta e da Assembleia de Freguesia, e depois de ter falado com o executivo camarário a pedir algum apoio, que nos foi concedido em materiais, metemos mãos à obra. O secretário da Junta, que é desenhador industrial, fez um desenho para isto, fomos à procura de materiais e mão-de-obra e conseguimos construir esta casinha, com pouco dinheiro. A Junta se tiver aqui investidos 2 000 euros é muito; a população de Arrouquelas solidarizou-se com outros 2 000 euros e houve pessoas que ofereceram paletes de tijolo, cimento… as portas e o aros, por exemplo, vieram da Unidade de Cuidados Continuados. A despesa da Junta em mão-de-obra foi de 250 €, toda a restante mão-de-obra foi gratuita”, descreve Mário Pião.

Neste recanto, a cozinha, o lava-loiças, o esquentador e os armários.

Neste recanto, a cozinha, o lava-loiças, o esquentador e os armários.

José Augusto Madaleno trabalhava numa construtora, em Asseiceira; “andei lá 26 anos”, conta. A crise terá imposto a falência e a destruição do posto de trabalho. “Orgulho e alegria” foi o que sentiu pela solidariedade das pessoas da sua freguesia, da autarquia local, da Câmara, empresas e instituições, “porque estive 15 anos numa casa de renda e cheguei à situação de haver meses que não tinha dinheiro… (emociona-se)… Nem para comer. Antes tinha trabalho, se tinha trabalho tinha ordenado ao fim do mês. Depois ainda fui trabalhando uns dias aqui e ali mas agora não há nada para fazer…”, explica.

Apesar deste cenário difícil, José Madaleno tem andado à procura de trabalho com solução de continuidade, “que me permita chegar ao fim do mês e ter um ordenado”. Procura estabilidade.

A Catarina, como já referimos aluna da escola sede do Agrupamento Fernando Casimiro, na cidade de Rio Maior, vai agora para o 6.º ano. “Sou boa aluna”, garante. Que é uma menina bem informada, é: ela sabe que toda a cobertura da sua escola vai ser mudada durante estas férias, por causa do amianto. Ainda não pensou no que quer ser quando for grande mas duma coisa tem a certeza: agora tem um quartinho só para si.

Maria de Fátima Madaleno dedica-se a tratar da família e agora da sua própria casinha. Fazia café para oferecer às visitas quando chegámos à conversa. Contou-nos que tem uma horta, galinheiro é que não, mas vão ter um brevemente, que é a forma de terem uns franguinhos e uns ovos que dão sempre imenso jeito.

Aos 47 anos de idade, D. Fátima lava-se em lágrimas, sentida com as agruras e incompreensões da vida, ao desabafar: “Agora estou bem, estou sozinha mais ele e ela, estou bem! Era o meu sonho, ter uma casinha… Se não fosse o presidente não tinha nada… Vivia aqui ao lado num inferno mas agora estou bem…”

Dona de casa, D. Fátima dá o seu contributo à comunidade sempre que pode; fê-lo ainda agora, no arraial das Festas de Arrouquelas.

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