Árvores invasoras autralianas conquistam Peneda-Gerês

Que no Dia Internacional das Florestas todos saibam que o único Parque Nacional de Portugal está a perder a guerra contra as árvores invasoras de origem australiana

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Em seu comunicado emitido no dia em que a primavera nasceu (20 de março), véspera do Dia Mundial da Floresta, a direção nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza lança o alerta para o facto de as conhecidíssimas acácias australianas, principalmente a acácia-mimosa ou mimosa (Acáciadealbata) e a acácia-de-espigas (Acacialongifolia) que ocupam já milhares de hectares em Portugal serem uma séria ameaça em diversas áreas protegidas como por exemplo no Parque Nacional da Peneda-Gerês e na Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto.

Estas plantas invasoras deixam nos solos milhões de sementes por hectare, que se mantêm viáveis durante décadas e que estão prontas a germinar em qualquer altura, em especial após os incêndios.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês tem os seus ecossistemas de florestas nativas e solos ameaçados pela invasão de acácias australianas.

A Mimosa é uma das invasoras mais preocupantes em todo o mundo e especialmente em Portugal. Esta espécie ocupa já mais de 1 000 hectares no Parque Nacional da Peneda-Gerês, mas esta área poderá ser muito maior uma vez que não há medições atualizadas das áreas infestadas.

Uma vez ocorrida a invasão é muito difícil e muito caro controlar a situação.

A Quercus lembra que um dos principais riscos associados à invasão por acácias australianas é o aumento da frequência e intensidade dos incêndios, visto que estas espécies produzem uma grande quantidade de material combustível, altamente inflamável, que se acumula no solo da floresta.

O fogo atua como um estimulante para a germinação das sementes desta espécie que, depois de um incêndio, invade rapidamente as áreas ardidas.

As consequências das mimosas nas florestas nativas vão além dos incêndios, esta espécie aniquila as espécies autóctones, altera a fertilidade do solo e reduz a disponibilidade de água para outras plantas.

A perda de biodiversidade no Parque Nacional é uma realidade.

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Lamentavelmente, as lindas florestas de folhosas à base de carvalhos estão a dar lugar a uma paisagem monótona e quase estéril dominada pelas mimosas. A perda da biodiversidade é relevante quer ao nível florístico como ao nível faunístico.

Para evitar danos ainda mais sérios na biodiversidade do Parque da Peneda-Gerês, é necessária a erradicação de novos focos de invasão e, acima de tudo, o controlo ou eliminação das populações de invasoras já estabelecidas.

Para evitar o agravamento da situação a Quercus pede ao Estado que aumente o investimento financeiro para combater esta realidade. Atualmente o investimento no controlo das invasoras lenhosas nas áreas protegidas é quase nulo.

Também deve ser feita uma aposta na educação e sensibilização da sociedade e criar instrumentos legais que impeçam a proliferação destas espécies nos terrenos públicos e privados em todo o país.

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