As pessoas andam um bocado ausentes das coisas…

As pessoas andam um bocado ausentes das coisas, “até mesmo dos interesses da sua terra” – Gonçalo Fialho

Os convivas no jantar de Natal dos comerciantes de 2016 das ruas Serpa Pinto e David Manuel da Fonseca.

Os convivas no jantar de Natal dos comerciantes de 2016 das ruas Serpa Pinto e David Manuel da Fonseca.

Comerciantes das ruas Serpa Pinto e David Manuel da Fonseca, de Rio Maior, reuniram-se na noite de 11 de dezembro de 2016, no seu habitual jantar de Natal que resulta invariavelmente numas duas horas de convívio bem disposto e de troca de “novidades” da nossa praça. Foi no Restaurante Palhinhas Gold e muito bem servido.

Decano dos comerciantes das duas ruas, Gonçalo Fialho teve pena que este ano houvesse menos convivas do que anteriormente, pelo que se apercebeu porque uns já tinham compromissos para aquela data, outros porque lhes surgiram imprevistos em cima da hora e alguns por dificuldades decorrentes da crise.

Conhecedor do meio como poucos, confirmou a impressão que temos de haver lojas que resistem melhor às vicissitudes da crise e, digamos assim, conseguem manter um espírito otimista. “Algumas lojas resistem melhor porque são de comerciantes mais experientes, com outra maturidade e que têm consciência de que não basta abrir uma loja, pôr lá meia dúzia de expositores e alguns artigos e ficar à espera que entre um cliente que goste e compre. Isso não chega, é preciso ter outra dinâmica, outros conhecimentos, ter outra oferta, por isso os que vão resistindo são precisamente aqueles que têm uma oferta capaz, souberam criar uma clientela que lhes é fiel, que têm outras dinâmicas, não deixam acabar o produto que é comercial e portanto quando chega o cliente não lhe dizem que não há… Para os outros a situação é realmente muito difícil”, reconhece Gonçalo Fialho.

Em todo o caso há um problema com que todos se vêm confrontando nos últimos anos: é que têm menos clientes, porque também como consequência da crise muitas pessoas partiram para o estrangeiro ou migraram cá dentro para outras cidades. “É verdade”, concorda o Sr. Fialho que acrescenta: “E reconheço que se criaram, novos hábitos… a minha loja é disso exemplo; os clientes tradicionais aparecem mas muitos jovens que lá vão enquanto forem os pais a levá-los e a pagar, quando se tornam autónomos arranjam namoradas e elas levam-nos para os centros comerciais. Os centros comerciais são uma concorrência enorme que apareceu e por mais que façamos não há poder de compra para tanta oferta que triplicou ao passo que o mesmo não aconteceu com a população, situação que é agravada pela descida do poder de compra: as pessoas hoje, maioritariamente, ganham o ordenado mínimo e pouco mais. Daí a grande dificuldade.”

Para Gonçalo Fialho a realidade é esta: “Novos hábitos, novas formas de estar na vida, um marketing fortíssimo da parte dos centros comerciais e das grandes empresas… Rio Maior, no meu entender tem excesso de hipermercados e eu lutei muito para evitar isso, porque vinha prejudicar imenso o comércio local, como se vê, a pontos de certas atividades que existiam e também eram nossas clientes hoje não funcionarem, como sejam minimercados, mercearias, talhos, etc. quando dois hipermercados eram suficientes e essas mercearias, esses talhos, esses minimercados talvez ainda aí existissem.”

Lidando com muita gente ao longo dos anos, este munícipe entende que Rio Maior nunca foi muito solidário, “não querendo com isto dizer que não deva muitas finezas a muitos clientes locais, que são amigos, dedicados, pessoas que sempre me apoiaram. O que eu sinto e quero dizer é que Rio Maior teve sempre a tendência de ir lá fora… As pessoas convencem-se que comprando fora é melhor, promovem-se… Mas não é assim! Conheço os meus colegas das outras terras, falo com eles e, lojas com a dimensão da minha, não é por-me em bicos de pés, mas não há muitas. E olhe, eu gasto todo o meu dinheiro em Rio Maior”.

Perante tudo o que se tem passado nos últimos anos no país e logo no concelho e na cidade de Rio Maior, Gonçalo Fialho avalia o estado de espírito dos riomaiorenses como sendo “não muito positivo”. Andam um bocado ausentes das coisas, “até mesmo dos interesses da sua terra. Fiz parte da associação dos comerciantes durante alguns anos, sou sócio, cumpro com as minhas obrigações, não falho uma assembleia mas às vezes fico triste quando lá vou e olho em meu redor e vejo meia dúzia de pessoas… Ou as pessoas desmotivaram-se ou deixaram de acreditar…

Texto e fotografias: Carlos Manuel

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