Associação Europeia de Delirium reúne-se em Portugal

Reunião anual da Associação Europeia de Delirium vai decorrer pela primeira vez em Portugal.

Dois terços dos casos de delirium não são diagnosticados em doentes idosos hospitalizados

Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Cérebro & Mente.

Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Cérebro & Mente.

A Associação Europeia de Delirium vai promover a sua reunião científica anual, pela primeira vez em Portugal, nos dias 3 e 4 de novembro, no Hotel Dom Pedro, em Vilamoura. A iniciativa conta com a organização local da Cérebro & Mente – Associação para o Desenvolvimento em Investigação em Saúde Mental.

De acordo com Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Cérebro & Mente “o delirium é a complicação mais frequentemente observada em doentes hospitalizados, afetando sobretudo pessoas de idade avançada e com demência. Esta síndroma está associada a um prognóstico adverso com aumento da duração do internamento, da morbilidade e da mortalidade intra-hospitalar, como também a longo prazo agravando as taxas de deterioração cognitiva e funcional e de mortalidade. Assim, o delirium aumenta significativamente a necessidade de cuidados de saúde à população, representando um acréscimo económico, comparável à diabetes mellitus e às quedas, calculado em mais de 50 000 euros/doente/ano”.

O especialista acrescenta: “Nos últimos anos o interesse pelo delirium aumentou consideravelmente devido à constatação de que é possível prevenir esta síndroma e minimizar o seu impacto negativo. Por isso, vários países europeus desenvolveram normas de orientação clínica com o objetivo de diagnosticar precocemente os episódios de delirium e de instituir medidas preventivas e terapêuticas eficazes.”

Infelizmente, a maioria dos casos de delirium (até 76%) não são identificados pelos profissionais de saúde. Vários fatores contribuem para o subdiagnóstico desta síndroma incluindo o desconhecimento em relação aos benefícios do diagnóstico precoce; considerar erradamente que é uma complicação inevitável do internamento; e ignorar os sintomas de delirium atribuindo-os exclusivamente a uma demência. Assim, as ações de formação dirigidas para todos os profissionais devem focar-se na promoção do conhecimento sobre delirium e no treino de competências específicas para reconhecer esta síndroma e implementar as medidas terapêuticas necessárias.

Por outro lado, o delirium é uma condição que não pertence ao domínio de apenas uma especialidade, sendo abordado por diversos profissionais de saúde, colocando desafios na organização dos serviços de modo a garantir a melhor qualidade dos cuidados ao doente. “O progressivo envelhecimento da população será acompanhado, inevitavelmente, por um acréscimo nas taxas de delirium. Este aumento será especialmente significativo nos casos de delirium associado à demência, patologia que atualmente atinge 7,3 milhões de pessoas na Europa e cuja prevalência duplicará em 2040. Por isso, será necessário repensar a forma de organizar os sistemas de saúde para dar resposta às necessidades dos doentes geriátricos”, conclui o psiquiatra.

Um episódio de delirium corresponde à falência aguda do cérebro, em consequência de uma condição médica (ex.: infeção) e/ou exposição a um fármaco. Na maior parte dos doentes idosos internados, a causa é multifatorial e complexa resultando da confluência de vários fatores predisponentes e precipitantes, explica Joaquim Cerejeira. Independentemente das causas subjacentes, o que caracteriza o delirium é a perturbação da atenção (exemplo: redução da capacidade de dirigir, focar, manter e mudar a atenção) e da consciência (diminuição da orientação em relação ao ambiente). Este distúrbio desenvolve-se num curto período de tempo (habitualmente horas a poucos dias).

O Congresso anual da Associação Europeia de Delirium é o maior evento científico a reunir profissionais dedicados ao estudo do delirium. Os participantes pertencem a todo o espetro das disciplinas da saúde, sendo constituído sobretudo por médicos, enfermeiros, psicólogos e investigadores oriundos de mais de 20 países europeus, América do Norte e Austrália.

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