Beber leite! Sim ou não?

Beber leite! Sim ou não?

Texto: Garcia Cruz - Monitor de Tai Chi Chuan e Qi Gong.

Texto: Garcia Cruz.

No caminho da evolução, o ser humano tem abandonado, introduzido e transformado hábitos alimentares. Uma dessas alterações consistiu na introdução do leite de vaca como um de seus alimentos principais. Contudo, durante muito tempo, apenas tomavam este leite, os bebés cujas mães não podiam amamentar. Hoje em dia, por força das exigências e mentiras da vida moderna, o seu consumo generalizou-se a todos os escalões etários. Porém, no organismo humano, a necessária transformação da lactose (açúcar do leite) em glicose e galactose precisa de uma enzima, a lactase, que o organismo deixa de produzir, na maioria da população mundial, a partir da infância. Outro problema sério, que afecta muita gente, tem que ver com a alergia à caseína do leite. Muitas otites de repetição, em crianças, por exemplo, parecem ter uma estreita relação com o consumo de leite de vaca. Para engrossar as preocupações, temos ainda o uso vulgar de antibióticos e outros medicamentos, nas vacas leiteiras. Na verdade, esses contaminantes, não são eliminados pela pasteurização, processo que, a par com a homogeneização, além de benefícios, é responsável pela destruição, redução ou transformação de muitos dos elementos nutritivos do leite. Assim, ao apregoado benefício do seu consumo, em especial pelo teor de cálcio e proteína fornecidos, existe um reverso de medalha que não deve ser desvalorizado. Hoje, por todo o mundo, mesmo na comunidade científica, não faltam opiniões discordantes sobre os alegados benefícios deste leite. Durante milénios o ser humano sobreviveu com ossos fortes sem recurso ao consumo de leite animal. Aliás, parece que somos a única espécie que toma leite na idade adulta, com o propósito fundamental de ter ossos fortes e saudáveis. A verdade é que esse resultado não tem que depender do consumo de leite, conforme nos querem fazer crer. Muitos alimentos têm tanto ou mais cálcio que o leite. Vegetais de cor verde escura (não cozer demasiado), vários peixes, frutos oleaginosos, sementes, grãos, entre outros, são também boas fontes de cálcio. As próprias vacas, tradicionalmente eram apenas alimentadas pastando e comendo feno e grãos, mamando apenas enquanto “bebés”. Onde iam elas buscar o cálcio disponibilizado no leite?

David Ludwig, cientista de Harvard, médico e doutor especializado em nutrição, tem publicado diversos artigos académicos focados nos efeitos nocivos de bebidas adoçadas e leite, com destaque para o leite com baixo teor de gordura. Para este especialista, quem não planeia crescer como uma vaca ou um boi, não precisa beber muito leite por causa do cálcio, defendendo ainda que o leite com baixo teor de gordura não tem os benefícios que lhe são atribuídos. Na verdade, quando ao leite é retirada a gordura ela é substituída por açúcares, potencialmente mais prejudiciais para a saúde, inclusive favorecendo a obesidade. Segundo ele, alguns estudos têm mesmo demonstrado que quando as pessoas consomem leite com baixo teor de gordura, elas se sentem menos saciadas e consequentemente essa insatisfação leva ao consumo de outros alimentos, aumentando, desse modo, a sua ingestão calórica. Outro “falso” argumento a favor do leite com baixo teor de gordura é o de proteger contra valores elevados de LDL ou mau colesterol, ligado à doença cardiovascular. Porém, algumas pesquisas têm demonstrado também que a gordura saturada do leite aumenta igualmente o HDL (bom colesterol), lipoproteína que tem efeito cardioprotetor.

Conclusões científicas recentes parecem apontar para falta de nexo causal evidente entre o consumo normal de gordura saturada e o risco aumentado de doença cardiovascular.

Outro problema associado ao consumo de leite prende-se com a formação de muco (expectoração), situação grave em constipações, gripes, bronquite e sinusite, problemas tão frequentes nesta época do ano, sobretudo na população mais idosa. Apesar disso, é frequente, pessoas internadas em hospitais, mesmo acometidas de pneumonia, serem alimentadas com leite, vendo dessa forma agravado o seu quadro clinico ou dificultada a recuperação.

Não pretendo influenciar as pessoas a abandonar ou reduzir o consumo de leite. Quando muito, recomendo maior atenção a transtornos que sintam e que podem estar associados ao seu consumo. Pesquise sobre o assunto! Esclareça-se devidamente e decida de acordo com a sua condição e convicção. Não deixe tudo nas mãos do médico (pouco sabem de nutrição) e muito menos nas mãos do grande interesse financeiro. E já agora, se quer ter ossos fortes “elimine” o açúcar, esse doce veneno (ladrão de cálcio), tome atenção à vitamina D, fundamental na fixação óssea do cálcio (“todos” a temos baixa), e caminhe. Caminhe todos os dias. É barato e o esqueleto gosta.

OBS: Este texto não está em conformidade com o novo acordo ortográfico.

Categorias:Uncategorized Tags: , ,

Também pode ser do seu interesse:

Região | Município de Rio Maior aprova 95 500€ para o associativismo Região | Município de Rio Maior aprova 95 500€ para o associativismo
Região | Animatro, porque há Orçamento Participativo Jovem Região | Animatro, porque há Orçamento Participativo Jovem
Região | Movimentos – Bombeiros Voluntários de Rio Maior em números Região | Movimentos – Bombeiros Voluntários de Rio Maior em números
Região | Futuro Salarium – Museu do Sal ficará situado na Fonte da Bica Região | Futuro Salarium – Museu do Sal ficará situado na Fonte da Bica

Responder

Enviar Comentário

© 2018 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.