Casos de longevidade no Lar dos Velhinhos em Rio Maior

Duas utentes do Lar Fausta Sequeira Nobre em Rio Maior somam 206 anos de vida!

D. Maria Vitória é a imagem de uma vida plena de serenidade e a fazer o bem aos outros

D. Maria Vitória com o filho, Gentil, no dia do seu 103º aniversário.

D. Maria Vitória com o filho, Gentil, no dia do seu 103º aniversário.

Foi no dia 14 de agosto de 2015 que o Lar Fausta Sequeira Nobre, do Centro Paroquial de Bem-estar Social de Rio Maior festejou o 103º aniversário da Senhora D. Maria Vitória, sua utente há uns 8 ou 9 anos.

Maria Vitória é a personificação da serenidade, não pela sua provecta idade mas porque foi sempre assim, como conta quem a conhece há muitos anos, por exemplo Susana Canadas, a diretora do Lar já há 17 anos; “Conheço-a desde pequenina e tive o privilégio de contactar com ela desde que nasci pois morava mesmo ao lado dos meus avós. Não tinha grande suporte familiar, o marido adoeceu e nós, miúdos, como ali na rua nos ajudávamos muito uns aos outros foi o que fomos fazendo. A D. Hortense Alves também morava ao lado, e o António Cumeiras que trabalhava no talho, por isso sempre convivi muito com ela. A D. Maria Vitória sempre foi uma senhora muito bem-disposta, sempre teve este ar sereno…”

Susana Canadas gosta do que faz que classifica de “muito gratificante”.

A Sra. D. Maria Vitória com o filho, Gentil, uma neta... e o bolo de aniversário muito bem decorado.

A Sra. D. Maria Vitória com o filho, Gentil, uma neta… e o bolo de aniversário muito bem decorado.

Também a jovem Marisa Sousa, educadora social anda encantada com o seu trabalho no Lar Fausta Sequeira Nobre onde já está há 5 anos. A festa da Sra. D. Maria Vitória foi toda feita com a prata da casa “com as meninas que aqui trabalham” e as próprios utentes também participaram – “a prenda de anos foram elas que a fizeram e organizaram-se para cantar para a colega; gostam muito dela!” –, reconhece.

Maria Vitória é uma pessoa dadivosa. “Nunca teve reforma sua e ainda assim madava sempre, de três em três meses, para os Irmãos Missionários, um envelope com uma ajuda. Teve o marido acamado, sempre tratou dele e nunca a vimos aborrecida”, contava-se na sala de estar do Lar.

Por falar nisso, contou uma amiga que dias antes, tendo-se levantado para ir à casa de banho lembrou-se de lhe perguntar se também queria ir com ela; resposta instantânea da Sra. D. Maria Vitória: “Porquê? Tens medo de lá ir sozinha?” Espírito de humor q.b. aos 103 anos. E pulmão! Fizeram-lhe um bolo de aniversário enorme, que tinha que chegar para todos e puseram-lhe três velas. Apagou-as de um sopro só! Cantaram-lhe os parabéns e ela adorou, via-se-lhe na expressão.

As funcionárias do Lar, a diretora Susana Canadas e outras pessoas cantando os parabéns à aniverariante.

As funcionárias do Lar, a diretora Susana Canadas e outras pessoas cantando os parabéns à anivesariante.

Maria Vitória, que também se assina Maria Vitória Agostinho celebrou o aniversário na companhia do filho, Gentil, que já fez 77 anos em outubro. A senhora tem ainda uma filha de 63 anos, no Porto, que não pôde vir à festa. D. Maria Vitória e a família vieram de Trás-do-Outeiro, freguesia de Santa Maria de Óbidos, para Rio Maior, tinha o Sr. Gentil 7 anos; a irmã é que já nasceu cá. O pai era trabalhador rural e a mudança para Rio Maior terá tido a ver com as dificuldades daquela época. “Trabalhei nas Caves do Sr. João Barbosa e depois estive no celeiro do arroz e do trigo, ali para o Gato Preto. Agora entretenho-me nas hortas”, conta ele.


D. Idalina Salgado também festejou o 103º aniversário!

Em agosto foi a Sra. D. Maria Vitória que fez 103 anos e em setembro, no dia 7, foi a Sra. D. Idalina Salgado que suscitou nova festa de aniversário no Lar Fausta Sequeira Nobre, de Rio Maior, também para comemorar a passagem do seu 103º aniversário!

As amigas, com a educadora social Marisa Sousa e a diretora do Lar, Susana Canadas, cantaram-lhe cantigas de sabor popular.

As amigas, com a educadora social Marisa Sousa e a diretora do Lar, Susana Canadas, cantaram-lhe cantigas de sabor popular.

As amigas, com a educadora social Marisa Sousa e a diretora do Lar, Susana Canadas, cantaram-lhe cantigas de sabor popular e algumas das utentes e colaboradoras da instituição dançaram um tema brejeiro que a pôs a bater palmas, que D. Idalina gosta é de ver dançar!

Ao jornal Região de Rio Maior, a aniversariante contou que nasceu em Vale de Óbidos onde em muito jovem trabalhava na “fazenda”; que “apanhava comer para alguns animaizinhos que tinha, coelhos, galinhas, uns porquinhos… Gostava muito daquela vida!” Andou na escola? – perguntámos. “Andei mas não cheguei a aprender nada, foi por pouco tempo e depois saí e comecei a trabalhar no campo”, recordou. Mais tarde D. Idalina casou-se com um marinheiro da Armada, riomaiorense também. “O marido, Augusto Canadas, era meu tio”, precisou D. Dulce, senhora na casa dos 80 anos, de quem D. Idalina é portanto tia por afinidade. Não tiveram filhos.

A Sra. D.Idalina Salgado quando conversava com o jornalista.

A Sra. D. Idalina Salgado quando falava para o jornal Região de Rio Maior.

Passou-se o tempo e já em Rio Maior “a minha tia trabalhou muitos anos para uma família, que eram muito boas pessoas e gostavam muito dela” referiu D. Dulce, acrescentando que quando o tio faleceu levou D. Idalina para sua casa e tomou conta dela. “Ficou comigo até que um dia tive que ir para França onde ainda estão filhos meus e foi então que veio aqui para o Lar.”

Dulce ainda nos contou esta enigmática curiosidade, a que a tia recorre frequentemente, quando lhe perguntam alguma coisa: “Se queres ser meu discípulo toma a tua cruz e segue-me”.

As utentes do Lar mais chegadas à aniversariante fizeram e ofereceram-lhe uma prendinha que ela muito apreciou.

As funcionárias da instituição, também elas muito carinhosas para com a idosa, confecionaram um lindo bolo e puseram-lhe 3 velinhas.

As funcionárias da instituição, também elas muito carinhosas para com a idosa, confecionaram um lindo bolo e puseram-lhe 3 velinhas.

As funcionárias da instituição, também elas muito carinhosas para com a idosa, confecionaram um lindo bolo e puseram-lhe 3 velinhas, cada uma com um algarismo: 1-0-3.

Parabéns a estas duas senhoras, D. Maria Vitória e D. Idalina Salgado, que entre si somam 206 anos de vida no Lar dos Velhinhos de Rio Maior.

Texto e fotos: Carlos Manuel

Categorias:Em Destaque, Sociedade Tags: , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

A Seleção Nacional de Futsal está em Rio Maior A Seleção Nacional de Futsal está em Rio Maior
NA ESDRM x NA Samora Correia disputam o comando NA ESDRM x NA Samora Correia disputam o comando
Melhores nadadores da região treinam no CAR Rio Maior Melhores nadadores da região treinam no CAR Rio Maior
Unidade fabril da Generis em Rio Maior Unidade fabril da Generis em Rio Maior

Responder

Enviar Comentário

© 2018 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.