Centésimo aniversário da Mina do Espadanal

Por que razões é importante para Rio Maior e os riomaiorenses comemorar esta efeméride?

Entrevista com o arquiteto Jorge Mangorrinha, Coordenador das Comemorações do 1º Centenário da Mina do Espadanal

Coordenador das Comemorações do 1º Centenário da Mina do Espadanal, o arquitecto e professor universitário Jorge Mangorrinha é o presidente da Mesa da Assembleia Geral da EICEL1920, Associação para a Defesa do Património.

Aproximando-se a data do Centésimo Aniversário da Mina do Espadanal, que a EICEL vai celebrar no dia 23 de julho de 2016 promovendo um vasto programa de iniciativas (consultar em baixo), Região de Rio Maior colocou algumas questões* a que o arquitecto Jorge Mangorrinha acedeu responder:

Jorge Mangorrinha quando da apresentação pública do programa das Comemorações do Centenário da Mina do Espadanal em 6/12/2015.

Jorge Mangorrinha quando da apresentação pública do programa das Comemorações do Centenário da Mina do Espadanal em 6/12/2015.

Região de Rio Maior (Região) – Arquitecto Jorge Mangorrinha, por que razões é importante para Rio Maior e os riomaiorenses comemorar esta efeméride?
Jorge Mangorrinha (JM) – O património identitário deve ser acarinhado, em primeira instância, pelos que com ele têm contacto mais estreito, daí a importância das populações residentes para a salvaguarda e valorização patrimonial. O caso de Rio Maior funde-se numa importância socioeconómica que as minas tiveram durante o seu funcionamento, mas também arquitectónica e imagética, pelo que a passagem do centenário se revela como um marco essencial para relevarmos a história e o património junto das populações residentes, das autoridades locais e nacionais e da comunidade científica.

Região – Quer falar das principais consequências do impacte da Mina na economia e na sociedade local e a sua cultura cujos traços sejam identificáveis ainda hoje?
JM – A relevância histórica destas minas passa, desde logo, pela sua importância nacional, a partir das suas origens, mas sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial, como reserva estratégica de combustível, e depois com a instalação de uma fábrica de briquetes, de forma a conferir mais importância aos carvões no quadro nacional. Claro que isso deu uma importância que se alargou para além da região de Rio Maior, mas esta beneficiou com a transformação social, pela vinda de muitas famílias de diferentes outros pontos do país, bem como com o crescimento de oferta comercial, por exemplo.

Região – Além das características arquitectónicas da fábrica de briquetes há portanto motivos suficientes para a preservação do que resta das instalações mineiras do Espadanal. Quais, porquê e com que propósitos substanciais para a população local, o conhecimento e a visitação turística?
JM – Este complexo mineiro foi uma aposta diferente. Teve inovação tecnológica no âmbito da extracção de carvões. O conjunto edificado tem traços importantes para o estudo do Movimento Moderno em contexto industrial, que não se limita à imponente chaminé mas esta é parte importante, e uma forte presença na imagem urbana local. Salvar, salvaguardar, restaurar e valorizar são acções urgentes para respeitarmos a história, dignificarmos o património e divulgá-lo em acções de visitação e educativas. Mas, atenção! Tem de ficar claro, junto das autoridades e da população em geral, que todos os edifícios existentes têm que ser preservados. A remoção de qualquer um deles tornaria ininteligível o esquema funcional do edifício, como uma grande máquina. A cidade de Rio Maior tem ali um potencial de cultura e turismo que talvez não haja noutro recurso local.

Região – Vindo o programa comemorativo a ser divulgado, peço-lhe agora que fale da importância e da aliciante de cada momento previsto.
JM – O programa comemorativo existe para além do Encontro Nacional das Comunidades Mineiras, mas este será o momento essencial, até porque debateremos do passado ao futuro e, também, inauguraremos uma exposição retrospectiva. A abertura das comemorações fez-se com a apresentação pública do programa e da nova série do jornal O Riomaiorense, em Dezembro passado, e o seu fecho será marcado pela edição de um livro da autoria do presidente da direcção, arquitecto Nuno Rocha. Mas, essencialmente, estamos também abertos a acções que vão ao encontro do património e que, durante este período comemorativo, nos sejam apresentadas ou para as quais os elementos associados sejam parte integrante.

* Esta entrevista foi feita por via electrónica em virtude de não ter sido possível o contacto presencial com arquitecto Jorge Mangorrinha quando a mesma teve lugar.

Nota – Este texto não obedece ao novo acordo ortográfico.

PROGRAMA

Encontro das Comunidades Mineiras de Portugal

Local: Escola Superior de Desporto de Rio Maior,

Avenida Dr. Mário Soares, Rio Maior

Data: 23 de Julho de 2016 (sábado)

10h00

Sessão de Abertura

Escola Superior de Desporto de Rio Maior

10h30

Visita à antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal

12h30

Almoço Convívio

Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Inscrições limitadas (12,5 euros por pessoa) até dia 14 de Julho

Informações: 963 644 345/ 243 997 479

14h30

Painel Científico: «O Futuro do Património Mineiro»

Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Moderador: Jorge Mangorrinha, Coordenador das

Comemorações e Presidente da

Mesa da Assembleia Geral da EICEL1920

14h40

«Recuperação e Musealização do Património Mineiro»

José Cordeiro, Universidade do Minho, Presidente da Associação Portuguesa para o Património Industrial

15h00

«Actividade mineira, investigação e educação em Ciências da Terra: o exemplo do Couto Mineiro do Cabo Mondego»

Pedro Callapez, Universidade de Coimbra

15h40

«O Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal – Um Contributo para o Conhecimento e Valorização do Património Mineiro e Geológico»

Bernardo Lemos, Representante do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal

16h00

«Museu Mineiro de S. Pedro da Cova. 500 milhões de anos de história»

Micaela Santos, Museu Mineiro de S. Pedro da Cova

16h20

Conclusões do Painel Científico

17h00

Encerramento com um Momento Musical pelo Coro da Associação Cultural do Concelho de Rio Maior

17h30

Visita à exposição «História do Couto Mineiro do Espadanal»

Galeria Municipal de Rio Maior nos Paços do Concelho

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