Centro de Dia de Alcobertas, à espera do PORTUGAL 2020

Perspetiva em desenho de uma vista geral da futura ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, de Alcobertas.

Perspetiva em desenho de uma vista geral da futura ERPI – Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, de Alcobertas.

Centro de Dia de Alcobertas, está à espera do PORTUGAL 2020.

Entrevista com a presidente da direção, Vera Lopes e a vice-presidente, Isabel Nogueira

No fim de semana de 8 e 9 de julho de 2017, o Centro de Convívio e Solidariedade Social de Sourões ou Centro de Dia de Alcobertas, como é usual chamarem-lhe, comemorou o seu 21º aniversário, com simplicidade e convívio bem disposto entre utentes, familiares, amigos e o “pessoal da casa”. Referimo-nos ao domingo, 9, dia do Almoço Solidário com uma saborosa ementa de canja, sopa de pedra, pernil no espeto, bacalhau com natas, carne de porco à portuguesa e sobremesas. Já para sábado, o Centro de Dia tinha organizado a II Caminhada Solidária Noturna, com ceia à chegada.

Sabendo que a instituição tinha um projeto em mãos, pronto a ser candidatado ao Portugal 2020, projeto esse que já não tem nada a ver com um outro projeto de que se falou há um bom par de anos mas que não terá tido futuro, propusemo-nos ouvir da atual direção, que já leva mais de quatro anos de serviço, desde fevereiro de 2013, sobre como vai tudo correndo.

Tendo Marta Durão como diretora técnica, o Centro de Dia de Sourões tem na direção duas mulheres: Vera Lopes, a presidente e Isabel Nogueira, a vice-presidente – ambas da freguesia de Alcobertas – e com obra feita, como se pode verificar ao longo desta entrevista.

Vera Lopes, presidente da direção do Centro de Dia de Alcobertas.

Vera Lopes, presidente da direção do Centro de Dia de Alcobertas.

Região de Rio Maior (REGIÃO) – Uma precisão: é Centro de Dia…

Vera Lopes (VL) – É Centro de Dia e não lar, como por vezes as pessoas lhe chamam… Queremos vir a ser Lar, mas ainda não somos!

REGIÃO – Dirigir uma casa destas não é fácil, pois não?

VL – A dada altura, a constituição de uma nova direção, com caras novas, impôs-se, porque o Centro de Convívio e Solidariedade Social de Sourões estava a atravessar um período difícil, com muitas dívidas e outros problemas. A Segurança Social e a Junta de Freguesia de Alcobertas intervieram construtivamente no sentido de se superar essas dificuldades… Havia dívidas no valor de mais de 100 mil euros e com prazos de pagamento a fornecedores muito apertados. Mas ao fim de cerca de um ano e meio conseguimos sanar essa situação, com uma gestão diferente, mais terra-a-terra…

REGIÃO – Este novo projeto, têm-no desde quando?

VL – Este novo projeto temo-lo desde fins de 2013, mais ou menos na altura em que se começou a falar do novo quadro comunitário de apoio e da possibilidade de se poder fazer alguma intervenção no edifício do Centro de Dia.

REGIÃO – Julgo estar certo se disser que a ideia é requalificar o edifício e ampliar as instalações. Quantos utentes é que o Centro de Dia tem atualmente?

VL – Neste momento temos entre 50 a 70 utentes em todas as respostas sociais: em Centro de Dia, Apoio Domiciliário e Centro de Convívio.

REGIÃO Vocês estão a preparar-se, ou já têm enquadramento para pessoas com doenças como a Alzheimer, por exemplo?

VL – Há pessoas que frequentam o Centro de Dia e que têm esse tipo de demência mas não somos especializados. Depende dos casos: já tivemos um em que não nos foi possível receber a pessoa mas temos outros dois sem problema nenhum, porque são casos completamente controlados. Pelo menos tão cedo não pretendemos ter essa especialização.

REGIÃO – Quais são os principais problemas das instalações do Centro de Dia?

VL – O telhado, com muitas infiltrações, a humidade, as salas que por serem pequenas não têm grande funcionalidade e o isolamento térmico: temos calor no verão e frio no inverno.

Isabel Nogueira, vice-presidente da  direção do Centro de Dia de Alcobertas.

Isabel Nogueira, vice-presidente da
direção do Centro de Dia de Alcobertas.

REGIÃO – Funcionalidade das instalações e comodidade para os utentes é o que pretendem conseguir portanto.

Isabel Nogueira (IN) – Esse é um dos objetivos mas também queremos ampliar as instalações para Lar, resposta social que queremos introduzir.

REGIÃO – Lar com internamento?

IN – Também.

REGIÃO – Estamos a falar de um lar de grandes acamados?

VL – Bom, aquilo a que nos habituámos a chamar Lar de Idosos designa-se agora por ERPI – Estrutura Residencial para Pessoas Idosas. Este conceito abrange qualquer idoso que precise de cuidados 24 horas por dia e para isso nós cá estaremos.

Nós queremos dar continuidade à permanência de todos os utentes que temos atualmente, porque pela ordem natural da vida vão ficando mais fragilizados e com a saúde mais debilitada à medida que os anos vão passando. Essas circunstâncias farão com que as pessoas tenham que sair de Centro de Dia e como não têm capacidade para estar em suas casas nem apoio domiciliário, terão que ir para um lar; acontece que atualmente não há respostas desse tipo suficientes no concelho o que os obrigará a ir para longe, perspetiva que lhes desagrada: as pessoas não querem deixar a nossa terra, onde nasceram e sempre viveram, para irem para longe.

Vista_espaco_verde_ERPI

REGIÃO – Ao avançarem para essa área de intervenção social a instituição vai precisar de ter médicos, enfermeiros…

VL – Obviamente. Conforme os requisitos que forem exigidos teremos tudo o que for necessário para que as pessoas possam permanecer aqui. Atualmente já temos um enfermeiro que vem cá uma vez por semana e o objetivo é termos cada vez mais serviços ao dispor, não só dos nossos utentes mas também da comunidade.

IN – Serviços e condições principalmente é o que nós queremos ter para quem passa por aqui.

REGIÃO – A concretizar-se, a vossa futura ERPI não se restringirá aos utentes de Alcobertas…

VL – Não.

IN – O facto de ser um “lar” também nos permitirá alargar a nossa base de sustentabilidade uma vez que poderemos abranger mais pessoas, oriundas de outros pontos do concelho, da região ou do país.

REGIÃO – O Centro de Dia de Alcobertas tem um quadro de pessoal de que dimensão?

IN – Tem um quadro de 14 pessoas.

VL – O quadro de pessoal inclui a diretora técnica. Nós as duas também estamos incluídas. Eu como membro da direção nomeada para estar cá a tempo inteiro e a Isabel como administrativa. É por nós as duas que passa toda a parte de gestão.

REGIÃO – Têm um enfermeiro que vem aqui uma manhã ou uma tarde por semana. E médico?

IN – Médico não temos.

VL – A principal “linha” de apoio dos nossos utentes é a família. Caso haja alguma emergência acionamos tudo. Mas o acompanhamento normal dos nossos utentes é feito em constante contacto com as famílias.

REGIÃO – Com o projeto que esperam candidatar ao Portugal 2020 logo que abram as candidaturas, estão a apontar para um quadro de pessoal de que dimensão?

VL – Estamos a apontar para um quadro de pessoal de 34 elementos, mais 20 do que o quadro atual.

REGIÃO – Numa freguesia periférica em relação à capital concelhia, embora a sua sede seja uma vila, gerar mais 20 postos de trabalho é obra.

VL – Pois é. Aliás nós já somos dos maiores empregadores da nossa freguesia!

REGIÃO – Estão a prever um investimento da ordem de um milhão de euros…

VL – Um milhão, talvez um milhão e cem mil euros.

REGIÃO – E vão ter que entrar com 20%…

VL – Vamos.

REGIÃO – E têm?

VL – Vamos recorrer à banca…

IN – E com trabalho e ajudas tudo se consegue. De resto é do interesse de toda a gente, da Junta de Freguesia e do Município, que este projeto avance e não temos tido dificuldades em ter ajudas de várias entidades. A própria Segurança Social já disponibilizou toda a ajuda ao seu alcance, que seja necessária à concretização deste projeto.

Aspeto parcial do almoço no dia do aniversário do Centro de Dia.

Aspeto parcial do almoço no dia do aniversário do Centro de Dia.

Registe-se que o Centro de Dia de Alcobertas, além das respostas sociais que disponibiliza, abriu alguns serviços à comunidade, como sejam: Fisioterapia, Medicina Tradicional Chinesa, Nutrição, Terapia da Fala, Psicologia e Reflexologia e agora também Fotodepilação. Explica Isabel Nogueira que no seu conjunto estes serviços são mais uma pequena ajuda à sustentabilidade da instituição.

Informações e marcações no Centro de Dia ou pelos tel. 243 405 873, 961 963 169 ou 962 427 880.

Outros contactos da instituição: 961 485 458, 961 963 169 e 962 427 880.

Notas finais

“Já hoje alguém me disse que nós não somos um Centro de Dia normal…” – contou Isabel Nogueira, acrescentando: “Essa pessoa acha que «os velhinhos aqui devem ser super mimados».”

“Há quatro anos que entrámos aqui e queremos marcar pela diferença, a todos os níveis.” – afirmou Vera Lopes.

Entrevista publicada na edição em papel do jornal Região de Rio Maior de 14/7/2017.

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