Clube de Caçadores, futuro lar para caçadores idosos?

O futuro do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior pode passar por um lar para caçadores idosos 

♦ Uma conversa com o presidente, Luís Delgado

Luís Delgado, presidente da direção do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior.

Luís Delgado, presidente da direção do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior.

Luís Delgado é o presidente do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior já há nove anos.

Com sede no Vale da Enguia, em Arruda dos Pisões, o Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior existe há vinte e cinco anos.

“Já tivemos 700 sócios, já tivemos 300, já tivemos 200, já tivemos 90 e agora temos 140”, responde o presidente quando lhe perguntámos pela “saúde” do clube. Foi uma quebra enorme de sócios de que parece estar agora a recuperar…

“O problema do Clube de Caçadores não está nos sócios, está na caça. Há uma carrada de anos, cada moita tinha um coelho; hoje, encontrar um coelho em cada moita é como acertar no euromilhões!”, desabafa Luís Delgado, prosseguindo: “Os caçadores cada vez são menos pela simples razão de que os jovens não querem ir para a caça e o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas não faz nada para modificar a situação nem faz nada pela caça e é pena, porque se esta gente nova enveredasse pela caça talvez esquecesse outras coisas… A caça, às vezes, podia ser uma distração, uma ocupação diferente… E digo mais: a caça é boa até para a saúde, as pessoas andam, movimentam-se, ficam a conhecer as aves cinegéticas, etc.”

De há uns tempos para cá ouve-se dizer que anda aí muito javali. É assim tanto? “É e cada vez há mais”, confirma o caçador.

Questionado sobre se os javalis estão a causar prejuízos às culturas, “causam e não causam”, responde Luís Delgado, clarificando: “os javalis não causam grandes prejuízos na agricultura intensiva porque preferem uma alimentação diferente; os javalis escolhem a sua alimentação…”

… Querem ver que o javali gosta mais da agricultura biológica? – interrompemos.

“Exatamente! É inteligente, se calhar é mais inteligente que a gente…” riu-se. “São as raízes, é a bolota, é o ‘geros’, uma planta verde, com um folha comprida e cuja raiz faz lembrar um alho que eles buscam constantemente… Mas há outra coisa de que os javalis se alimentam muito, que é um bicho branco do tipo lagarta que normalmente aparece no esterco ou então nas árvores que secam”, descreve o presidente do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior.

Luís Delgado explica que há cada vez mais javalis “porque não se mata um javali com tanta facilidade como se mata um coelho e porque até ver não se conhecem doenças que possam afetar a sua multiplicação. De mais a mais em Portugal o único predador que têm é o Homem. Não há lobos, não há raposas que os matem… Uma fêmea, normalmente tem seis bácoros, a maioria fêmeas que ao fim de oito meses já se vão reproduzir, portanto é sempre a andar! Já está quase ao nível do coelho…”

Só que o coelho tem tido imensos problemas, comentámos. “Realmente o coelho sofreu males muito grandes; primeiro foi a mixomatose, depois foram aqueles problemas no fígado e agora é a doença hemorrágica viral (DHV) que deu cabo de 90% dos animais aí há uns três ou quatro anos”, enumera Luís Delgado que chama a atenção para o facto de a DHV, que inicialmente só atacava os adultos, agora atacar também as crias.

Preocupações à parte, depois da crise que abalou o país e que também atingiu os caçadores, na sede do Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior, no Vale da Enguia, continuam a fazer-se torneios de tiro aos pratos. Estamos a recuperar o tempo perdido, comentam quase em coro outros caçadores que assistem a esta conversa.

“O Clube de Caçadores do Concelho de Rio Maior tem uma propriedade com cerca de 10 hectares vedados, instalações maravilhosas e uma das coisas que eu, quando fui para a direção me propus fazer e desde então me tenho continuado a propor, é que me suceda alguém que consiga fazer daquele espaço, que nos custou bastante dinheiro e que ainda estamos a pagar, um lar como o da D. Fausta Sequeira Nobre, para os caçadores idosos e a sua família”, confessa Luís Delgado, que deve deixar a presidência do clube em maio de 2017.

Em fins de janeiro o Clube de Caçadores estava a preparar uma batida às raposas na zona de Quintas e uma montaria para caçar javalis na zona de Malaqueijo.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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