E se fecharem também a EN114 no desfiladeiro das Bocas?

E se de repente a Infraestruturas de Portugal fechar também a E.N. 114 no desfiladeiro das Bocas?*

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Com a degradação e o abandono em que estão as muralhas da Estrada Nacional 114 junto às nascentes do Rio Maior tudo pode acontecer dada a facilidade com que se cortam acessos e se provocam restrições de circulação nos principais acessos a uma cidade sem antes se construírem alternativas. A partir do momento em que a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal cortou os principais acessos do IC2 à cidade de Rio Maior tudo é possível.

Não é de agora que se notam quebras na estrutura da muralha que foi construída em alvenaria para suportar o pavimento da Estrada Nacional 114 e que, desde o pilar central do viaduto do IC2 as muralhas estão cobertas por árvores de grande porte que impedem a visibilidade aos condutores na curva das Bocas o mesmo acontecendo com as nascentes do Rio Maior e com a Ribeira da Senhora da Luz que estão cobertas de árvores. E se de repente um incêndio destruir os cabos das telecomunicações que passam por cima das árvores e o fogo causar danos nos pilares e no tabuleiro do maior viaduto do IC2?

Km_0_N114A Estrada Nacional 114 que liga o Cabo Carvoeiro em Peniche a Évora no Alto Alentejo é uma das mais importantes vias de comunicação da zona oeste que liga as cidades de Peniche e das Caldas da Rainha a Rio Maior e a Santarém e que une os distritos de Leiria, Santarém e Évora. Construída antes da implantação da república a Estrada Nacional 114 é uma extensa e fundamental via que integra a rede nacional de estradas, que une três distritos e que ao longo de décadas sofreu diversas alterações no seu trajeto devido à construção de novas estradas que alteraram o percurso desta estrada, mantendo-se ainda hoje o percurso entre o Alto das Gaeiras e o Jogadouro na Freiria, percurso que antes de existir a Estrada Nacional 114 ligava a povoação de Óbidos à Estrada Real de Dona Maria que passava por dentro de Rio Maior e pelo Alto da Serra onde ainda existem alguns vestígios da Estrada Real junto à Casa da Muda.

No início deste século a Águas do Oeste também construiu uma extensa conduta de transporte de água paralela à Estrada Nacional 114 na zona do desfiladeiro das Bocas, conduta que caso o paredão e as muralhas da EN 114 cedam à pressão da passagem de milhares de viaturas pesadas originando o desabamento da estrada, colocará em perigo o fornecimento da água que é distribuída às populações através de um sistema de entrega ao domicílio muito complexo e difícil de entender que está dividido por várias empresas de captação e distribuição que abastecem 86 municípios, entre os quais Rio Maior.

As muralhas da EN 114 no desfiladeiro das Bocas

muralha_vegetacao

Quanto às muralhas da Estrada Nacional 114 no desfiladeiro das Bocas às portas de Rio Maior é indescritível o estado de degradação e o abandono (nr.: embora nos últimos dias lhes tenham dado um arranjo…) em que se encontram; são as muralhas de uma estrada que é fundamental e que liga Rio Maior à região oeste.

Não se sabe ao certo se a responsabilidade pela degradação e pelo desprezo em que as muralhas se encontram é da Direção de Estradas de Santarém ou da Direção de Estradas de Leiria. Um facto é certo. Alguma entidade terá que intervir para resolver um problema ambiental e rodoviário que representa um perigo para os utentes e para os condutores em geral.

E se de repente um incêndio destruir os cabos das telecomunicações?

E se de repente um incêndio destruir os cabos das telecomunicações?

É deplorável que a Infraestruturas de Portugal que foi tão rápida a fechar os principais nós de entrada do IC2 em Rio Maior por causa de um areeiro que está desativado há vários anos não mande fiscalizar a solidez do paredão que sustenta as muralhas e não mande desbastar o arvoredo que rodeia os pilares do principal viaduto do IC2, e as muralhas centenárias que no tempo da Junta Autónomas das Estradas eram mantidas em bom estado de conservação e de limpeza e que garantiam aos utentes as melhores condições de segurança e a visibilidade dos condutores através das muralhas de vãos abertos que se encontram agora degradadas e desprezadas.

muralha_rachada

Sobre as barricadas que a Infraestruturas de Portugal montou à saída de Asseiceira na EN1, vários leitores do Região de Rio Maior questionaram sobre se as fronteiras de Rio Maior de 1975 e as novas fronteiras de Rio Maior de 2016 que o jornal publicou há umas semanas tinham algo em comum com as barricadas que os agricultores montaram na EN1 em 25 de novembro de 1975. Pensa-se que não. Durante o PREC que conduziu aos acontecimentos do verão quente de 1975 o atual Primeiro-Ministro António Costa tinha apenas 14 anos de idade e dava os primeiros passos na Juventude Socialista e o atual Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques nasceu no ano seguinte.

O caso do bloqueio dos principais acessos a Rio Maior à saída de Asseiceira na EN1 e a não-construção de alternativas são a prova daquilo que o Estado não consegue prevenir nem remediar. Os incêndios que destroem tudo à nossa volta são um claro exemplo. Outro exemplo são as árvores na berma da estrada que anulam a visibilidade dos condutores na curva das Bocas.

E por falar nestas árvores na berma da estrada, que tal vendê-las?

eucalipto_cartazes

Talvez fosse agora o momento para a Direção de Estradas de Santarém propor à Infraestruturas de Portugal a venda das árvores da curva das Bocas que tapam os olhos aos condutores e a venda do Eucalipto que está na berma da Estrada Nacional 114 na Zona Industrial de Rio Maior, incluindo estas árvores no lote do leilão das 212 árvores em pé que a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal vai vender no próximo dia 13 de novembro de 2016. Mas isso não vai acontecer porque a DES está mais ocupada em manter o isolamento de Rio Maior e não dar condições aos bombeiros e às equipas de emergência médica do INEM para prestarem auxílio às vítimas dos graves acidentes de viação que ocorrem na variante Asseiceira – Alto da Serra acabando o nó do IC2 em Vale de Óbidos que foi começado há 27 anos e que está a apenas 2,5 km do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior obrigando as equipas de emergência médica do INEM e os bombeiros a percorrerem 14 km até ao centro da variante, conforme pode verificar no quadro que se segue.

distancias_sem_Vale_de_Obidos

Agora que Rio Maior está mais pobre depois do encerramento há cinco meses da principal entrada na cidade devido aos calhaus de cimento que a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal implantou nos nós da variante do IC2 à saída de Asseiceira na Estrada Nacional 1, o prolongado silêncio deste organismo público é preocupante e anormal por este mesmo organismo não construir alternativas para os utentes. Os planos turísticos e estratégicos são necessários e bondosos mas pouco adiantam se não forem consideradas as realidades no terreno e se não se exigir uma reabilitação imediata dos acessos à cidade que foram cortados há perto de quatro meses pela Empresa Pública Infraestruturas de Portugal. Desistir nunca!

Manter o isolamento da cidade e não dar condições aos bombeiros voluntários nem informar os cidadãos, é o melhor exemplo da falta de cooperação que atualmente existe entre os vários organismos estatais e os contribuintes que diariamente labutam para pagarem os impostos a um Estado que é implacável a cobrar e mandrião a fazer o que lhe compete.

Texto e fotos: Casimiro Lopes

* Artigo publicado no jornal Região de Rio Maior nº 1457, de 9/9/2016.

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