É urgente abrir ao trânsito o Nó de Vale de Óbidos!

O nó de Vale de Óbidos foi projetado pela JAE – Junta Autónoma das Estradas, para ser o principal nó de acesso à cidade de Rio Maior.

Mas volvidos 25 anos o nó de Vale de Óbidos continua a ser um intransponível monte de pedras!

Tudo começou em finais dos anos oitenta do século passado. Para terminar com o pesadelo que a população de Asseiceira sofreu durante mais de 30 anos pela passagem da EN 1 por dentro da localidade e o volume de trânsito pesado que se registava junto das Indústrias de Carnes Nobre que em 1957 se tinham instalado à entrada de Rio Maior, e devido também às perigosas curvas do Alto da Serra, o Governo presidido pelo então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva decidiu construir a variante Asseiceira-Alto da Serra com 12,9 quilómetros de extensão e em pavimento betonado, vários viadutos superiores e inferiores de apoio a caminhos agrícolas; 1 viaduto sobre a estrada Rio Maior-Vale de Óbidos, 1 viaduto com 224 metros de comprimento sobre a EN 114 junto às nascentes do Rio Maior e três nós rodoviários.

Desfiladeiro das Bocas antes da construção do viaduto do IC2.

Desfiladeiro das Bocas antes da construção do viaduto do IC2.

O primeiro nó localizado à entrada da localidade de Asseiceira era para servir o sul do concelho, o segundo nó localizado junto da localidade de Vale de Óbidos era para servir a cidade de Rio Maior e o terceiro nó localizado no Alto da Serra era para servir o norte do concelho. Ficou concluído apenas o nó de Asseiceira. Em 1992 o jornal «Riomaiorense» informava que o vice-presidente da JAE, Eng. Rangel de Lima tinha recebido os autarcas de Rio Maior e que estes tinham trazido a certeza que dentro de algum tempo quem viesse do Norte entrava em Rio Maior através de uma passagem desnivelada a fim de não cortar o trânsito de quem vinha de Lisboa. Para esse efeito foi construída a rotunda do Alto da Serra que passou a servir também o Mercado de Santana no concelho das Caldas da Rainha. Em 1994 foi construído o nó rodoviário de saída de Asseiceira (agora encerrado) e que fazia parte do percurso do IP 6 que deveria ter ligado a cidade de Peniche a Castelo Branco, hoje a A-23.

Desfiladeiro das Bocas - Base de um dos pilares do viaduto do IC2 construído em 1988.

Desfiladeiro das Bocas – Base de um dos pilares do viaduto do IC2 construído em 1988.

A variante do IC 2 começou a ser construída em 14 de janeiro de 1988 e foi inaugurada pelo secretário de Estado das Vias de Comunicação, engenheiro José Falcão e Cunha, tendo custado ao Estado Português um milhão e setecentos mil contos.

A não abertura do nó do IC2 em Vale de Óbidos no dia 22 de março de 1989 (dia em que foi inaugurada a variante), a não conclusão deste nó, enfraqueceu a principal zona de comércio da cidade de Rio Maior entre a Avenida dos Combatentes e a Praça da República, mas evitou, os acidentes (quase diários) que então se registavam no cruzamento da EN1 à entrada de Rio Maior.

Na época vários colaboradores do Região de Rio Maior alertavam nas páginas do jornal que o comércio da cidade ia sofrer com a anulação do nó de Vale de Óbidos e que a não conclusão desse nó, por se encontrar a meio da variante colocava em causa o acesso de bombeiros e viaturas de emergência à variante do IC2.

Faixas de rodagem da Variante Asseiceira-Alto da Serra...

Faixas de rodagem da Variante Asseiceira-Alto da Serra…

Volvidos mais de 25 anos basta passar (com o máximo cuidado) pela variante do IC2 (km 71) e verificar como há muitos anos deveriam ter sido removidos os montes de pedra que lá estão e concluir-se este nó, para finalmente se poder abrir ao trânsito a principal entrada por onde deveriam entrar (e sair) veículos ligeiros, utentes dos mais variados ramos de atividade, visitantes e os serviços de emergência médica.

Volvidos 25 anos o nó de Vale de Óbidos continua a ser um intransponível monte de pedras!

Volvidos 25 anos o nó de Vale de Óbidos continua a ser um intransponível monte de pedras!

Não se compreende que decorridos tantos anos tivessem sido alargadas as faixas de rodagem e alterados (e bem) os pavimentos do IC2 até à localidade de Alcoentre no concelho da Azambuja e se tivesse mantido o pavimento betonado da variante entre a Asseiceira e o Alto da Serra, tendo até sido construída uma saída do IC2 para servir o Mercado de Santana (km 78) que pertence à freguesia de Alvorninha no concelho das Caldas da Rainha, continuando fechado o nó de Vale de Óbidos que seria a principal entrada na freguesia de Rio Maior.

O acesso cortado pela IP à cidade de Rio Maior ao km 68,8 (nó do IC2).

O acesso cortado pela IP à cidade de Rio Maior ao km 68,8 (nó do IC2).

Agora que a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal decidiu encerrar ao trânsito o nó rodoviário mais próximo do centro da cidade de Rio Maior (km 68,8) para evitar o abatimento das faixas de rodagem devido à intensidade das chuvas e a uma cratera com várias dezenas de metros de profundidade, os utentes perguntam!

— Não será agora o momento exato para a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal analisar e concluir o nó de Vale de Óbidos que há mais de 25 anos deveria estar a servir os moradores de Vale de Óbidos, Casais dos Silvas e Abuxanas do concelho de Rio Maior e os moradores dos Casais da Serra, Landal e Bairradas do concelho das Caldas da Rainha para usufruírem de uma variante que passa próximo destas localidades?

Agora que está na ordem do dia dizer-se (e bem) que o dinheiro público é dos contribuintes, os nossos governantes têm aqui uma oportunidade para demonstrarem aos utentes como é possível pouparem-se muitos milhões de euros dos contribuintes e evitar a construção de gigantescos taludes de betão e a colocação de estacarias para suportarem as escarpas movediças que ameaçam as faixas de rodagem que foram encerradas em 12 de maio de 2016. Perante estes factos, os utentes perguntam!

— Não será mais correto optar-se por uma solução mais barata como é a de analisar e concluir o nó de Vale de Óbidos em vez de se gastarem milhões de euros do dinheiro público dos contribuintes com a implantação das estacarias e com a construção dos gigantescos taludes de betão para fortalecer as escarpas de uma antiga extração de areias?

Senhores Gestores: Façam o favor de analisar concluir o nó de Vale de Óbidos que foi iniciado há mais de 25 anos e que ainda está por concluir. Está lá tudo o que é necessário e básico para abrir este nó a viaturas ligeiras:

  • Viaduto (1003) sobre a estrada municipal Rio Maior-Vale de Óbidos que está em bom estado de conservação.
  • Separadores em bom estado de conservação.
  • E a placa oficial (km 68) que informa que a cidade de Rio Maior está a apenas a 4 quilómetros de distância.
Rio Maior a 4 km de distância daquele que deveria ter sido o Nó de Vale de Óbidos.

Rio Maior a 4 km de distância daquele que deveria ter sido o Nó de Vale de Óbidos.

No mesmo local onde há mais 25 anos foram iniciadas as obras de construção do nó de Vale Óbidos (CG: 39º 19′ 22.59″N  8º 56′ 57.63″O) ainda lá estão os quatro ramais com as entradas e as saídas que foram iniciadas e que nunca foram concluídas. Se nos próximos meses nada for feito, a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal deve um pedido de desculpas aos utentes que entram na portagem da A-15 de A-dos-Francos e que saem da A-15 na portagem Rio Maior-Oeste pela qual pagam 0,55€, e que, para chegarem ao centro de Rio Maior andaram 22,5 quilómetros quando podiam andar apenas os 4 quilómetros que a placa informa, porque, como estes utentes têm apenas uma possibilidade para chegarem ao centro de Rio Maior através da variante do IC2, andam e surge-lhes a entrada que agora foi encerrada (km 68,8). Menos de 1 quilómetro mais adiante surge-lhes pela frente a placa oficial que informa Rio Maior a 4 km (km 68). A partir desta placa os utentes andam, andam e andam, passam pelo Alto da Serra até que chegam ao centro da cidade de Rio Maior depois de andarem quilómetros e mais quilómetros por uma variante insegura (devido ao mau estado do piso) e depois de terem pago uma portagem.

Perante factos, os utentes perguntam!

— Será esta a alternativa rodoviária que nos próximos meses (ou anos) a Empresa Pública Infraestruturas de Portugal tem para oferecer aos utentes que andam sobrecarregados de impostos e que ainda pagam portagens?

Texto e fotos: Casimiro Lopes

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Um Comentário

  1. Nuno Silva diz:

    E os pesados? Solução? Continuarem a transitar dentro de asseiceira?

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