A evolução da qualidade alimentar da humanidade

A evolução da qualidade alimentar.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Se compararmos o padrão dietético do homem primitivo com o do homem moderno, constatamos a existência de significativas diferenças. Com efeito, enquanto na dietética primitiva se consumiam alimentos integrais, ricos em fibras, em nutrientes e energia vital, crus com baixo índice de gorduras saturadas, isentos da adição de açúcar, de sódio, de fermentos, de antibióticos, de agrotóxicos e de aditivos químicos, o homem atual consome tudo isto e em elevado grau.

Atualmente os alimentos são excessivamente refinados, pobres em fibras, em nutrientes, em energia vital, sendo maioritariamente processados por ação do calor, com elevado teor de gordura saturada, de açúcar, de sódio, de fermentos, de antibióticos, de agrotóxicos, de aditivos químicos… e de tantas outras substâncias nocivas que, por vezes, só são reveladas quando a sua ação já fez estragos significativos na saúde de cada um de nós.

Paulatinamente operaram-se mudanças radicais no ambiente, alteraram-se salutares hábitos alimentares, introduziram-se substâncias tóxicas na produção de alimentos, obtidos quer através dum processamento exagerado quer de modificações genéticas, e atingiram-se elevados níveis de consumo de gorduras, de açúcares e de sódio, cujo efeito perverso na saúde há muito se reconhece.

Enfermidades novas e por vezes, infelizmente, de difícil cura ou mesmo incuráveis, são o preço da modernidade e do progresso que a tecnologia alimentar cobra ao consumidor menos atento aos efeitos colaterais de tão apelativos e publicitados alimentos.

Uma alimentação de qualidade, para além de potencialmente constituir uma fonte de prevenção de agentes patogénicos, deve ser também por si só, um poderoso recurso terapêutico. Mas, a realidade é que alguns alimentos que no dia-a-dia nos são oferecidos, para além de provocarem graves sequelas na saúde de cada um, o que por si só já é grave, são também responsáveis pelo agravamento sistemático de problemas ambientais, de que os resíduos gerados são um  exemplo.

Enquanto nos países pobres a fome constitui o principal problema alimentar, nas sociedades abastadas é a qualidade dos alimentos que maiores preocupações vem suscitando.

Em países essencialmente agrícolas a população, maioritariamente rural, revela frequentemente indícios de subnutrição. Parece estar provado que a principal justificação para as carências alimentares verificadas reside mais na pobreza do que na insuficiência da produção agrícola, que se equitativamente distribuída, seria suficiente para alimentar todos os seres humanos. Em países ricos os consumidores preocupam-se, cada vez mais, com a qualidade do que consomem embora nem sempre possuam uma informação correta dos produtos consumidos.

Não obstante, o ritmo da vida moderna impõe novas formas alimentares que passam, cada vez mais, pela chamada “comida de plástico” e pelos pré-cozinhados.

Conhecidas crises no sector produtivo – vacas loucas, listerioses, salmonelas, dioxinas/furanos, etc. – têm abalado a confiança dos consumidores que, cada vez mais e na medida do possível, procuram informar-se, numa atitude de autodefesa da sua saúde e bem-estar. A BSE ou doença das vacas loucas terá sido a mais mediatizada. Na década de 80 do século XX, o governo britânico então presidido por Margaret Thatcher, autorizou a produção de farinhas, para alimentação de animais, com despojos de gado abatido nos matadouros. O resultado desta inovação não podia ter sido pior. O laxismo tecnológico dos processos de fabrico viria a ser responsabilizado pela BSE, ou doença das vacas loucas, causada por uma proteína alojada no tecido nervoso designada de prião. O problema é recente e todos estamos recordados das complicações que a encefalopatia espongiforme bovina, também assim denominada, causou aos efetivos pecuários de muitos países, incluindo Portugal, e os muitos milhares de animais que, por essa razão, foram abatidos. O governo britânico causou um mau serviço ao mundo animal e à espécie humana, que também foi afetada pela ação do prião infeccioso, ao contrário do que na altura  alguns governantes, vá-se lá saber porquê, convictamente afirmaram. Ai os “lóbis”… sempre os “lóbis”…

Espera-se que a experiência se não repita, por exemplo com os já badalados transgénicos, e que os que fizeram tais afirmações assumam as responsabilidades delas decorrentes o que, quase nunca sucede… Em 2003 faleceram dezenas de pessoas, no Reino Unido, França e Itália e em Portugal, vitimadas pela variante humana da doença das vacas loucas – Creutzfeldt Jacob – ignorando-se ao certo quantas terão sucumbido e, no futuro, virão a morrer alegadamente mercê de causas não determinadas, para evitar alarme social.

Enfermidades  erradicadas ou quase – cólera, tuberculose, dengue, paludismo… – e outras novas como  VIH – sida –, surgem presentemente mercê da degradação ambiental, de deficientes condições sanitárias, de promiscuidade social e, em certos casos, de insuficiências nutritivas.

A composição química dos alimentos isto é o conjunto dos nutrientes de que são compostos, tem influência direta sobre a saúde. Na realidade os carboidratos, as proteínas, gorduras, vitaminas minerais e a água são indispensáveis para a saúde dos consumidores. A qualidade nutricional será maior ou menor consoante a contribuição do alimento e o teor da composição química que pode oferecer. Por exemplo uma salsicha, ou um cachorro quente, possuem muita gordura, pouca proteína e carboidratos. Sendo alimentos industrializados, contêm muito pouco teor vitamínico e mineral, e abundantes corantes e conservantes. Se o consumo destes alimentos for frequente e não for compensado com alimentos mais nutritivos que equilibrem o regime alimentar, quem adotar este hábito alimentar não saudável, virá a ter repercussões, mais tarde ou mais cedo, na qualidade de vida.

Tanto a cadeia produtiva como a comercialização, condicionam a qualidade dos produtos. A venda de alimentos na rua, em situações precárias em que não há controlo sanitário, uma permanência excessiva à contaminação atmosférica ou uma manipulação incorreta, sem conservação a frio, contribuem para a baixa qualidade do produto o que o torna perigoso para o consumo.

A ingestão de alimentos contaminados pode produzir efeitos nocivos à saúde de cada um de nós desde as leves indisposições abdominais, até a situações de graves intoxicações que, em casos extremos, podem levar à morte como, por exemplo, em casos de botulismo.

Fungos, bactérias, leveduras, vírus, parasitas e substâncias químicas são agentes contaminantes dos alimentos. As substâncias químicas que contaminam os produtos alimentares podem ter origem natural, as toxinas de fungos venenosos, ou artificial se a contaminação é decorrente da utilização de agrotóxicos e aditivos que, mesmo proibidos, são utilizados em alimentos processados. Produtos alimentares vendidos na rua, têm, teoricamente, uma qualidade menor que os comercializados em estabelecimentos onde a conservação e a higiene se verifica.

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Um Comentário

  1. Eurico Luz diz:

    Parabéns por nos proporcionar tão interessante artigo. Abraço.

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