Exposição «Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral»

A Casa do Brasil em Santarém regressa à sua génese com a Exposição «Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral»

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Em 2015, quando se comemoram os 600 anos da Tomada de Ceuta, génese da expansão portuguesa, a Casa Pedro Álvares Cabral/Casa do Brasil apresenta a Exposição «Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral», que estará patente ao público a partir do dia 10 de julho.

A inauguração está marcada para as 18h00 e tem início na Igreja da Graça, na data em que se assinala o regresso da armada de Vasco da Gama a Portugal, com o fundear da caravela Bérrio no rio Tejo, a 10 de julho de 1499.

Com uma capacidade de cerca de 50 toneladas, a caravela Bérrio era a mais pequena e rápida embarcação da frota em que se fez a descoberta do caminha marítimo para a Índia. Era comandada por Nicolau Coelho e Pêro Escobar era o seu piloto; ambos vieram a integrar a armada de Pedro Álvares Cabral na sua viagem para a Índia em 1500, mas já tendo em vista a descoberta do Brasil.

Na próxima sexta-feira, 10/7/2015 a Igreja da Graça será o ponto de encontro da cerimónia de inauguração da Exposição «Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral», ato que incluirá um apontamento musical, a cargo de Tiago da Neta, do Conservatório de Música de Santarém o qual interpretará temas dos séculos XVI e XVII; igualmente previstos estão uma animação histórica pelo grupo Scalabitanus e um apontamento teatral pelo Veto Teatro-Oficina, do Círculo Cultural Scalabitano.

A mostra, de caráter multissensorial e experiencial, ocupará os átrios do piso térreo, as salas de exposição, bar, biblioteca e varanda interior, bem como o auditório e jardim.

Apoiada pelo Montepio Geral – Associação Mutualista e W Shopping, a exposição tem como objetivo fazer regressar a Casa do Brasil à sua génese, com a programação de iniciativas ligadas à temática Portugal/Brasil.

A organização é da Câmara Municipal de Santarém e conta com objetos da reserva municipal, tais como pinturas, esculturas e livros, da Diocese de Santarém que também cedeu alguns objetos, do espólio museológico municipal, cedências do Museu Diocesano e dos joalheiros Leitão e Irmão (réplica em prata do Nónio). Foram cedidos direitos de reprodução de imagem do Museu Nacional de Arte Antiga, Museu de S. Roque e Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Para aproveitar o potencial desta exposição, estão a ser programados:

– visitas guiadas, no âmbito do projeto educativo, para o público escolar, do ensino pré-primário ao superior;

– ateliers pedagógicos com crianças, para o público infantil;

– ateliers de cheiros/paladar, medos e escrita, para o público em geral;

– oficinas pedagógicas de relojoaria, matemática ou gastronomia para o público juvenil.

As gentes de outras terras tanto podiam ser o “bom selvagem” como o “inimigo da Fé” a quem se combatia e escravizava.

Na sinopse de «Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral» pode ler-se que “«O admirável mundo novo» superava os mitos medievais insuflando novas formas de imaginário. Tempo do humanismo e tempo da inquisição, tempo de ciência e tempo da superstição entre mitos, medos e modos”.

Esta iniciativa enquadra o navegador na sua época, ao mesmo tempo que explora os aspetos económico-social, geopolítico, cultural, artístico e mental, de transformação do mundo nos séculos XV e XVI, através de um conjunto de objetos de inegável valor histórico, patrimonial e artístico.

Há espaços temáticos mais específicos, como o Bar, que convida o visitante a explorar as transformações na alimentação.

Na biblioteca é abordada a “revolução tipográfica” com a invenção e divulgação da imprensa no mundo de então.

No âmbito desta Exposição, que vai estar patente durante 9 meses – até 30 de abril de 2016, haverá lugar para apontamentos teatrais com uma sazonalidade própria. O auditório receberá recitais de poesia que abordarão autores da época, bem como a continuidade do Ciclo «Conversas no Brasil», com palestras de temática cultural diversa, relacionada com o Brasil, com temas associados à exposição: economia dos descobrimentos; a magia e a bruxaria na época moderna, entre outros, a anunciar.

Até final de 2015, já estão agendadas várias «Conversas».

Para 21 de julho (terça-feira), efeméride do regresso da armada de Pedro Álvares Cabral, para as 21h00 o historiador José Manuel Garcia propõe o tema «De Ceuta ao Brasil: a propósito de dois homens sepultados na Igreja da Graça».

As restantes «Conversas» programadas terão lugar aos sábado, às 16h00.

No dia 26 de setembro, Pedro Nunes, sociólogo e produtor cultural, apresentará «Bossa Nova e a Transformação da Música Brasileira».

No dia 24 de outubro, o historiador Jorge Custódio falará de «A ferraria da Foz do Alge (fins do século XVII-1834) e a fundição de ferro nos primeiros altos-fornos do Brasil».

A 21 de novembro, a «Conversa» estará a cargo de Teresa Cláudia Tavares, professora de Literatura, alusiva à temática «Os almanaques luso-brasileiros no século XIX» (título provisório).

José Miguel Noras, economista e historiador, é o palestrante da «Conversa» de dia 12 de dezembro, sobre as «Cidades com o nome Santarém na Europa e na América».

A programação conta também com um Ciclo de Cinema Brasileiro, em parceria com a Embaixada do Brasil e o Cineclube de Santarém e propostas musicais adequadas ao espaço.

Ao longo dos meses, a programação prevê diversas iniciativas, no bar e no jardim, que vão acolher mostras gastronómicas brasileiras em parceria com a EPVT – Escola Profissional de Vale do Tejo e a Associação Internacional Luso-Brasileira de Arte Cultura e Integração, demonstrações de dança e folclore, danças tradicionais brasileiras, tais como, capoeira e música ao ar livre.

«Modos, Medos e Mitos no tempo de Cabral» pretende relançar a problemática dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa, com especial relevo para a passagem do cabo da Boa Esperança (1487), a chegada à Índia (1498) e a descoberta do Brasil (1500), bem como contextualizar a figura de Cabral no Portugal e no Mundo dos séculos XV e XVI e refletir sobre as repercussões que os Descobrimentos tiveram na história da Humanidade, a nível económico-social, geopolítico, cultural e mental.

Pretende-se ainda incentivar o conhecimento, a descoberta, o diálogo e a participação da comunidade na história local.

A Exposição está dividida por salas e por temas, o que reflete o título da exposição.

Quando a organização fala de «Modos» refere-se a modos de comer (alimentação), de escrever (escrita/imprensa), de lutar (guerra), de navegar (técnicas, instrumentos, embarcações), de representar (desenho/cartografia), de medir (pesos e medidas, relógio mecânico), de criar (arte: continuidades e ruturas; Renascença artística), de planear (banca, seguros, contabilidade), de poder (mudança de paradigma da ação do Rei), de crer (Reforma, Contacto com novas Religiões).

Os «Medos» refletem o medo do outro (o ameríndio, o judeu, o árabe, o hindu), da mulher (a bruxa), de Satanás, seus habitats e seus agentes (Inferno, demónios), de superstições (pactos, possessões, magia negra), de seres marítimos mitológicos (Adamastor; a Sereia), de heresias (Inquisição/Reforma). O Europeu como outro (na perspetiva das civilizações americanas e asiáticas).

Os «Mitos» referem-se ao Novo Mundo, à antropofagia, ao Reino do Prestes João/cristandades perdidas, à demanda do Graal, do Paraíso terrestre, do fogo de Sant’elmo, do Cruzeiro do Sul, da tromba marítima e à queda dos mitos – monstros mitológicos.

Nesta Exposição o visitante “descobrirá” que na época de Pedro Álvares Cabral inventou-se a imprensa, atingiu-se por mar a Índia e encontraram-se povos diversos e um continente inteiro.

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