Família Mendes – uma vasta família

Família Mendes – uma vasta família reunida pelo empresário Edgard Gomes para conviver na Quinta da Amália.

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Para além dos êxitos desportivos de Portugal na mesma data, o dia 10 de julho de 2016 fica na memória de quantos compareceram no Encontro da Família Mendes, e foram cerca de 200, organizado na Quinta da Amália, no Vale da Rosa, pelo seu proprietário, o empresário Edgard Carvalho Gomes.

Uma das fiadas de pérgulas.

Uma das fiadas de pérgulas.

Um mega almoço volante ao ar livre, à sombra das árvores e de fiadas de pérgulas, proporcionou reencontros entre parentes e o travar de conhecimento entre aqueles que ainda não se conheciam. Foi um convívio feliz, com uma árvore genealógica afixada para que cada um soubesse quem era quem, de quem descendia e que relações tinha, música ambiente ao vivo e bailarico.
Trocámos impressões com alguns dos convivas.

EMÍLIA BARREIRA

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A Sra. D. Maria Emília, esposa do Sr. José Bar-reira (ambos na foto em cima) é prima em segundo grau de Edgard Carvalho Gomes. São um dos casais que esteve no Encontro da Família Mendes, na Quinta da Amália em Vale da Rosa. D. Emília é descendente de um dos irmãos de uma prole de dez cujos pais, Joaquim Mendes e Bernardina Peralta vieram da Ribeira do Marete, Vimeiro (Alcobaça), para as Quintas (Rio Maior) onde compraram uma casa e se fixaram; com eles vieram cinco dos dez filhos, um dos quais o pai desta senhora, António Mendes, com 6 meses de idade (os outros cinco filhos já cá nasceram).

Nascida em Vale de Barco, D. Emília conta que a família “convivia muito”, principalmente por ocasião da Feira de Rio Maior que se fazia no olival grande (na zona onde hoje se encontra uma parte do Jardim Municipal, as instalações da Igreja Paroquial, o Centro Infantil «O Ninho» e outras). “A nossa família vinha do Vimeiro, nos carros de bois e passava ali uma semana.”

Com uma família tão grande, quanto a datas de aniversários “isso não me pergunte, porque eu não sei… Até há pessoas na família que eu ainda nem conheço, principalmente os mais novos”, admite.

MANUELA SANTOS

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D. Manuela, uma de quatro irmãs, todas nascidas nas Correias, filhas de D. Maria – Elisabete, Luisa, Manuela e Fernanda, pela mesma ordem na foto em cima –, conta que a sua avó teve 13 filhos (alguns já falecidos, um deles em bebé, e que naquele domingo iam ver se conseguiam ver a totalidade dos primos, embora fosse difícil ainda que os conhecessem todos. “Há muito tempo que muitos de nós não nos vemos mas quando éramos mais novos viamo-nos amiúde”, recorda D. Manuela. E confessa: “Gosto de ter uma família assim, tão grande. Acho que é saudável!” Do avô, diz: “Teve 12 filhos, 7 meninas e 5 rapazes e a todos deixou terrenos e casas. Foi um grande homem! Comprou Quintas quase inteira… Foi o primeiro a ter um lagar de azeite, teve uma taberna que naquele tempo não havia cafés, tinha mercearia…”

JOAQUIM MENDES

05_joaquim_mendesJoaquim Mendes, que muitos conhecem de ter sido chefe do Agrupamento de Escuteiros 1403 de Rio Maior, além da sua atividade empresarial, é outro primo de Edgard Gomes: “A minha mãe era prima direita da mãe do Edgard”, especifica.

“Já se fizeram dois encontros da família Mendes mas em Vale de Barco, organizados por uma prima nossa, que é a Helena, que também aí está”, refere Joaquim Mendes. “A mãe do Edgard também esteve nesses encontros e este que aqui se está a realizar hoje era um sonho que eles tinham, para reunir o máximo possível de elementos da família”, revela, comentando: “É uma ideia linda! Por exemplo, eu tenho aqui familiares que nunca tinha visto, principalmente das segundas e terceiras gerações. E nós temos família espalhada por Correias, Alcobaça, Caldas da Rainha, Torres Vedras, Canadá…” Mas a maior parte desta enorme família distribui-se por esta região do país “e como uns têm os contactos de outros e estes ainda de outros e assim por diante vamos sabendo como está a família”, conta Joaquim Mendes, concluindo: “A lei da vida é imutável e este encontro é maravilhoso, porque proporciona que nos vejamos mais uma vez…” e nalguns casos decerto pela primeira vez.

ANTÓNIO MENDES MARTINS, CLARA MARTINS E JOANA MARTINS

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A família Martins enraíza nos Mendes da Ribeira do Marete por parte do marido, D. Clara pelo casamento e a Joana por ser filha do casal. António Martins vai a Mendes por parte da mãe, natural da Ribeira de S. João. “Eu e os meus irmãos ainda nascemos em casa!”, regista António Martins. Ele e a esposa residem entre Lisboa e a zona de Rio Maior mas já passam mais tempo entre nós. A Joana é que reside na capital do país onde faz a sua vida. D. Clara assume-se herdeira por casamento, com gosto, do “peso enorme da grande Família Mendes”.

D. Clara é lisboeta mas não resistiu ao ribeirense: “Vim cá passar férias e ‘caçei-o’”, brinca.

Para a Joana, uma família enorme para uma jovem “é sempre bom, estamos sempre em convívio… A família também é grande do lado da mãe, portanto é sempre bom. É mais aos fins de semana e nas férias mas mantenho o convívio com a família desde pequenina, claro que mais com uns do que com outros tendo em conta a maior ou menor proximidade geográfica”, explica, encantada com o encontro a decorrer na Quinta da Amália.

OFÉLIA CONCEIÇÃO MENDES E AUGUSTO PEREIRA MARTINHO

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O casal Ofélia e Augusto é um dos mais idosos da família Mendes. D. Ofélia tem 90 anos de idade, nasceu nas Quintas e vive nas Caldas da Rainha com o marido e perto da filha única. D. Ofélia é uma de várias irmãs, filhas de José Mendes que por sua vez era um dos dez filhos de Joaquim Mendes e Bernardina Peralta, os Mendes pioneiros das Quintas. “Eram todas muito bonitas e muito reinadias e sabem muitas história”, tinha-me dito Edgard Gomes. “Ai filho, esta ideia está muito esquecida”, respondeu a senhora com um ar maroto apontando para a sua cabeça, quando lhe sugeri que contasse uma dessas histórias.

Perguntei-lhe então se achava boa ideia um encontro de família tão grande como o daquele domingo, na Quinta da Amália. Aí a resposta foi instantânea: “É «bonzíssimo!» E Deus dê saúde a todos porque isto é realmente um convívio lindo, lindo!”

Do Sr. Augusto quis saber como é que era ser marido de uma senhora que tinha uma família tão grande. Ele, que vinha de uma família bem mais pequena, a princípio “até estranhava, porque era muita gente, muita conversa, muito barulho” mas lá se foi habituando e integrando e acabou por fazer dezenas e dezenas de amigos. E como é que ele e a D. Ofélia se tinham conhecido? Quem é que tinha encontrado quem… “Ele é que me encontrou a mim!”, adiantou-se logo D. Ofélia. “Mas ela é que foi à minha procura”, contrapôs o marido. Conte lá, D. Ofélia, pedi. “Eu fui para casa de umas pessoas de família e… pronto, eu era assim muito jeitosinha e bonita, depois fomos a um bailarico e lá nos ajeitámos… E fomos felizes para toda a vida já lá vão sesenta e tal anos!”

O Sr. Augusto nasceu no concelho de Torres Vedras, depois foi trabalhar para a Moita dos Ferreiros, tornou–se agricultor, teve um trator e chegou a explorar uma taberna mas agora está aposentado.

MARIA ISAURA MENDES CARVALHO

Nascida em casa, no Vale da Rosa, atual União de Freguesias de S. João da Ribeira e Ribeira de S. João, a Sra. D. Maria Isaura Mendes Carvalho, 80 anos de idade, é irmã da mãe do anfitrião do Encontro da Família Mendes, Sra. D. Maria Amália, já falecida. É portanto tia de Edgard Carvalho Gomes. Fala dos sobrinhos – Edgard e a esposa, D. Isabel – com uma ponta de emoção na voz: “Eles têm sido muito amáveis para mim”, afirma.

O seu sobrinho tem ali uma bela coleção de motorizadas antigas… “Pois tem… Ele quando era novo gostava muito de andar com elas pelo ar!” Pelo ar? “Pois, a dar grandes…” O quê? Grandes saltos? “Isso mesmo!” Assim como no motocross? “Sim, sim…” É boa, não fazia ideia.

Consultando a árvore genealógica.

Consultando a árvore genealógica.

D. Maria Isaura gostou muito que o sobrinho, neste Encontro da Família Mendes, tivesse ido mais além do que se tinha ido em encontros anteriores: “Ele procurou mais as raízes da família. Já vi parentes que conhecia mas também vi outros que não conhecia”.

FRANCISCO VARELA

27_francisco_varelaFrancisco Varela é de S. João da Ribeira e não tem Mendes no nome mas é Mendes por parte da avó Maria do Carmo, logo bisneto de Deolinda Mendes, uma das filhas de Joaquim Mendes e Bernardina Peralta, os pioneiros da família que se estabeleceram em Quintas. Filho de Carlos Varela e Maria Antonieta, Francisco também não faltou ao Encontro da Quinta da Amália, tal como os pais.

Embora resida em S. João da Ribeira, Francisco trabalha no distrito de Lisboa para onde vai e de onde vem quotidianamente. “Tenho preferência pelas minhas raízes, é um bocadinho mais custoso mas compensa”, explica. E na sua opinião, “a pessoa que idealizou este Encontro da Família Mendes teve muito mérito e está de parabéns. Foi um evento engraçado que juntou a família toda… Muitos de nós nem nos conhecíamos e nem sequer sabíamos que éramos familiares!”

À conversa com Edgard Gomes sobre o Encontro da Família Mendes na Quinta da Amália em 10/7/2016

Edgard Carvalho Gomes com a esposa, D. Isabel, a sobrinha Margarida e o respetivo noivo, João, a irmã Leonor e o cunhado António.

Edgard Carvalho Gomes com a esposa, D. Isabel, a sobrinha Margarida e o respetivo noivo, João, a irmã Leonor e o cunhado António.

Na nossa família temos ascendentes com vários filhos. Os meus bisavós Joaquim Mendes e Bernardina Peralta vieram de Ribeira do Marete, no Vimeiro (Alcobaça), para Quintas, no concelho de Rio Maior e trouxeram cinco filhos. Em Quintas nasceram-lhes mais cinco filhos mas duas das filhas voltaram para a aldeia de onde a família era originária e onde vieram a dar origem a outro ramo da família; à época os transportes não eram o que são hoje e acabou por se estabelecer algum distanciamento.

Depois, por contingências da vida, que também não era o que é hoje, esse distanciamento foi-se acentuando com o passar do tempo… Chegou-se àquele ponto em que já só íamos aos funerais e estávamos uns com os outros fugazmente, com uns a chorar e os demais constrangidos pela natureza desses momentos em que não há a possibilidade de se conviver em plenitude, portanto de as pessoas se conhecerem verdadeiramente umas às outras.

Já em tempos se tinha feito um evento parecido com este mas não com a amplitude e a abrangência que este tem. Este encontro aqui na Quinta da Amália, no Vale da Rosa, obrigou a algum trabalho de pesquisa para conseguirmos chegar a todas as pessoas da nossa família. Queríamos que todos viessem, embora tivéssemos consciência que tal não era possível, por isso o que queríamos, essencialmente, era que todos soubessem que este encontro ia acontecer, o que conseguimos, excetuando-se o caso de um membro da família perdido algures na Alemanha e que não fui capaz de localizar. Mas localizar e avisar todos os demais foi uma imensa satisfação! E foi uma imensa satisfação porque, além do prazer do reencontro em muitos casos e o prazer de ficar a conhecer novos elementos da família que ainda não eram conhecidos nem conheciam os demais, a Família Mendes é uma família que tem história, por outras palavras nós não nos envergonhamos dos nossos antepassados; eles sempre foram pessoas muito aguerridas, dinâmicas, sendo no seu tempo o que hoje se chama empresários, sempre gente com atividades por conta própria – fazendeiros, como se chamavam na altu- ra –, sempre, sempre gente muito aguerrida e isso era e é um traço comum em toda a nossa família. É claro que essa caraterística não tem só vantagens, por vezes também origina um pouco de espirra canivetes mas a verdade é que isso também faz parte do nosso ADN de conquista. Portanto é com uma satisfação enorme que verificamos que nos encontramos nas mais variadas atividades, com grande sucesso, por isso é maravilhoso poder dar corpo a esta celebração de família — começa por declarar Edgard Carvalho Gomes (ECG).

Região de Rio Maior – Este tipo de encontro é para continuar?
ECG – Bom… Eu já estou com 61 anos. Fazer este encontro foi um desígnio mas criei bases para quem queira pegar neste tipo de iniciativa com uma certa facilidade. É verdade que deu algum trabalho, porque eu queria que fosse uma festa de campo mas agora que temos os contactos todos reunidos um novo encontro far-se-ia num salão de banquetes com alguma facilidade… Não acredito é que vá tanta gente. Aqui vieram quase duzentas pessoas! Estou muito contente, muito feliz.

Região – Falou nalguma dispersão geográfica da sua grande família ao longo do tempo mas apesar de tudo estamos perante uma família muito territorial que se distribui principalmente pelos concelhos de Alcobaça e Rio Maior, não acha?
ECG – Realmente não são muitos aqueles de nós que estão muito para lá da região que referiu e os que estão tendem a regressar às origens sempre que podem. Já temos é alguns emigrantes e até está cá um que veio expressamente da Suiça para estar nesta festa… Somos essencialmente aquilo que eu gosto de dizer: uma família com história!

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Texto e fotos: Carlos Manuel

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