Includ-ED dá a volta ao Agrupamento Fernando Casimiro

Inclusão + Educação ou Includ-ED destina-se a promover a transformação social e educativa.

Era sexta-feira, 12 de janeiro de 2018. Na segunda-feira seguinte, dia 15, no mesmo local – uma tenda ampla entre alas da Escola Básica Integrada Fernando Casimiro Pereira da Silva (EBIFCPS), escola sede do Agrupamento do mesmo nome (AEFCPS) – iria realizar-se uma reunião magna de alunos dos 12 aos 18 anos de idade, organizada por eles, para debaterem o perfil do aluno para a saída da escolaridade obrigatória, anunciou o diretor do estabelecimento, professor Paulo Almeida. Naquela sexta-feira, ao princípio da noite, quem se sentava nos bancos corridos eram muitas dezenas de pais e encarregados de educação bem como os presidentes de junta das freguesias abrangidas pelo Agrupamento, para ouvirem falar do novo projeto de ensino em cuja experimentação a EBIFCPS se propôs lançar-se e para serem “ouvidos”, pelo voto, sobre se era de ir por aí ou não. O voto no sim, de papelinho colorido erguido na mão e portanto sem secretismos foi, pode dizer-se, unânime. É o Includ-ED por inteiro.

Unanimidade no “sim” à mudança.

No alto palco ali montado, tomaram assento o diretor-geral da Educação José Vítor Pedroso, as professoras Cidália Marques e Anabela Brígida que é a coordenadora do Includ-ED no AEFCPS, a professora doutora Ariana Cosme da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, a presidente da Câmara Municipal de Rio Maior Isaura Morais e a doutoranda Daniela Ferreira na referida universidade.

Ariana Cosme é a perita externa que acompanha este Agrupamento de Rio Maior no Projeto-piloto de Inovação Pedagógica (PPIP).

No palco, o painel de apresentação do Includ-ED, quando o diretor do Agrupamento Fernando Casimiro, Paulo Almeida, usava da palavra. Sentados, da esquerda para a direita: Cidália Marques, Ariana Cosme, José Vítor Pedroso, Isaura Morais, Daniela Ferreira e Anabela Brígida.

O projeto em apresentação, que é de inovação pedagógica, encontra-se em fase experimental em seis agrupamentos de escolas de Portugal à semelhança do que se vai passando noutros países incluindo na União Europeia o Reino Unido e a Espanha, é visto com potencial estruturante para o sistema de ensino português, daí que Paulo Almeida se tenha mostrado reconhecido ao diretor geral da Educação por, mais uma vez, o Agrupamento Fernando Casimiro ter sido escolhido para uma fase experimental de um projeto, no caso o Includ-ED. Manifestou também o seu apreço ao Município nas pessoas da presidente, da vereadora Ana Filomena Figueiredo e da técnica Sandra Serrão porque – citamos – “a autarquia de Rio Maior tem sido para nós um parceiro de excelência (…) as condições que nós oferecemos aos nossos alunos têm melhorado muito nos últimos anos e não é por falta de vontade que elas ainda não são melhores”.

O Agrupamento chegou a este encontro com os pais e encarregados de educação com o seu Includ-ED completamente estruturado, no que foi destacado o papel da respetiva coordenadora, professora Anabela Brígida. “O pessoal docente e não docente desta casa tem feito das tripas coração para levar” a bom porto “este projeto que é exigente, que traz ao sistema de ensino (…) um grau de exigência maior, confere aos (…) alunos um grau de autonomia, responsabilidade e cooperação, enfim, que é aquilo em que queremos preparar as nossas crianças para o dia de amanhã”, referiu o diretor do AEFCPS.

Paulo Almeida reconheceu e saudou o mérito da Associação de Pais em tudo o que diga respeito à vida da EBI Fernando Casimiro e agradeceu o apoio de todos os parceiros do Agrupamento referindo que no caso concreto da H2O, a Associação de Jovens de Arrouquelas “será, possivelmente, determinante numa rede de voluntários” que querem “fundir e desenvolver”.

A professora Cidália Marques, impulsionadora das Salas do Futuro em Rio Maior, uma abordagem ainda recente à inovação pedagógica no Agrupamento Fernando Casimiro.

“Nós queremos partilhar convosco um projeto que visa proporcionar um conjunto de ferramentas testadas pelas Universidades de Barcelona e de Cambridge que validaram as medidas nele incluídas quando realizadas nas condições definidas no mesmo”, anunciou por sua vez Cidália Marques, introduzindo as intervenções seguintes. Includ-ED “é mais um passo na inovação pedagógica no nosso Agrupamento e na concretização do nosso grande objetivo (…) que é o sucesso de todos os alunos e a sua inclusão”, comentou. Portanto o que estava em questão era se o Agrupamento devia ser uma comunidade de aprendizagem ou se apenas deveria optar por algumas ações de sucesso.

A presidente da Câmara recordou que em 12 de janeiro de 2017 o secretário de Estado da Educação e ela tinham estado na EBI Fernando Casimiro, na apresentação de um projeto, pelo que não seria de estranhar que em 2019, possivelmente a 11 ou a 14 de janeiro porque dia 12 será sábado, estivesse de novo ali com o diretor-geral da Educação por causa de um novo projeto… Quanto ao mais, prestar atenção à Escola é missão e obrigação da autarquia, especialmente das pessoas responsáveis pela área.

A professora Anabela Brígida é a coordenadora do Includ-ED, no Agrupamento Fernando Casimiro Pereira da Silva.

O Includ-ED vem correndo mundo e chegou recentemente à Europa onde tem estado a ser desenvolvido no Reino Unido, seguindo-se a sua implementação provavelmente em Portugal. Anabela Brígida recorreu a um filminho de origem brasileira, para oferecer uma ideia global do que é que se pretende com este projeto. Vários diapositivos após essa projeção ficou claro que o que se pretende alcançar é a inclusão através da educação, uma vez que se irá “promover a transformação social educativa da nossa comunidade”, como afirmou a coordenadora do projeto, passando a explicar que o Includ-ED “baseia-se na aprendizagem dialógica”, isto é no diálogo fundamentalmente, e está assente em 7 grandes princípios, a saber em síntese:

  1. O diálogo igualitário (a força está nos argumentos que cada um utiliza mais do que na hierarquia e o poder de quem os utiliza);
  2. A transformação (a prioridade da educação é ser um agente transformador da realidade e não um agente de acomodação a um modelo de escola);
  3. A criação de sentido (possibilitar uma aprendizagem através da interação e das necessidades das pessoas, porque é na heterogeneidade da diferença que há entre as pessoas que reside a possibilidade de tornar mais enriquecedor o processo de crescimento e aprendizagem de cada um);
  4. A solidariedade (a prática educativa deverá ser orientada para a superação efetiva das desigualdades);
  5. A dimensão instrumental (todos devem ter acesso ao conhecimento que permita a integração na sociedade atual ainda que não provenham do mesmo contexto);
  6. A igualdade de diferenças (todos temos o direito de viver de formas diferentes mas também o direito de sermos tratados com o mesmo respeito e dignidade);
  7. A inteligência cultural (além do saber académico em maior ou menor grau todos temos um saber prático e comunicativo, sendo positivo que todos na comunidade e aqueles que com ela se relacionem intercambiem esse saber cultural, esse know how prático).

As ações educativas de êxito:

  • Os grupos interativos de 4 a 5 alunos em que se organiza uma sala de aulas numa dada disciplina, cabendo a cada grupo realizar 5 tarefas com base na informação já transmitida em aula anterior pelo professor; além do professor os grupos serão acompanhados por outra pessoa: um avô, uma mãe, um pai, um auxiliar, um voluntário da H2O, qualquer pessoa da comunidade escolar ou que com ela se relacione que “passa a ser voluntária da nossa Escola”, esclareceu Anabela Brígida; não tem que ter saber académico, tem é que ter saber instrumental, saber fazer, interagir com os alunos e mantê-los focados na tarefa.
  • Para a formação dialógica dos educandos é preconizada a leitura por algum tempo, nem que seja ao longo do ano letivo, de uma obra da literatura universal que tendo sobrevivido ao longo dos séculos mantém a importância na língua em que está escrita, nos valores que vai passando de geração em geração, com os alunos a falarem, em ocasiões definidas conjuntamente com os professores, do conteúdo das páginas que leram em casa. É a partilha de experiências de leitura que deverão melhorar o vocabulário e o saber como o utilizar com propriedade. A parte do professor não fica exclusivamente reservada ao professor de Português.
  • Espera-se que a comunidade possa tirar proveito destas aprendizagens sendo que pode participar a dois níveis: o voluntariado para trabalhar com os professores nos grupos interativos ou a participação em comissões mistas (pais, professores, gestores e outros parceiros) com capacidade para decidirem em conjunto sobre algo naquele momento, a médio prazo ou a longo prazo. “O normal é os encarregados de educação serem informados das decisões tomadas na escola” enquanto “fazendo parte de uma comissão mista têm o mesmo poder de decisão” que a generalidade dos membros dessa comissão.
  • Formação gratuita de familiares desenvolvida na escola ou noutro local conforme disponibilizado pelos parceiros do Includ-ED. Exemplo: um conjunto de pais pode estar interessado em saber como lidar, ou lidar melhor com as plataformas digitais para poder comunicar com a escola e pode ter essa formação – gratuita – ministrada por algum professor ou outra pessoa da comunidade que tenha esse saber. Os pais também poderão melhorar o seu Inglês ou aprender sobre outras áreas quaisquer, cabendo a uma das tais comissões mistas “decidir como, quando, onde e quem é que vai dinamizar essa formação”.
  • A dialógica aplica-se também aos professores os quais devem estar em formação permanente.
  • O modelo dialógico de prevenção de conflitos, em que a EBI e o Agrupamento Fernando Casimiro já têm algum percurso feito com a criação e dinamização do Gabinete de Apoio ao Aluno, embora ainda deva evoluir no sentido preconizado pelo Includ-ED.

Daniela Ferreira, um conhecimento de causa que enraíza na base científica de que o projeto Includ-ED goza e muita pesquisa.

Os 7 princípios basilares e a forma como implementá-los foram posteriormente detalhados pela doutoranda Daniela Ferreira, um conhecimento de causa que enraíza na base científica de que o projeto Includ-ED goza e da pesquisa que foi desenvolvida pelas universidades e outros agentes ao longo de 5 anos, para além da prática pedagógica existentes em países como o Reino Unido, a Espanha, o Brasil, o Chile, Malta, Chipre e outros, bem como aquele que lhe advém da sua mestra, a Professora Doutora Ariana Cosme. Muito resumidamente diremos que a escola terá que dar uma grande volta para que as crianças e adolescentes que a frequentam aprendam o melhor possível, desde logo partindo do princípio de que cada aprendizagem deve fazer sentido para os alunos, melhorando assim o seu sucesso escolar. E, “o que nos dizem os dados científicos é que quanto mais ações nós colocarmos em prática ao mesmo tempo, melhores são os resultados que os alunos conseguem atingir”, alertou a jovem.

Ariana Cosme, um pilar do projeto Includ-ED.

Citando dados da OCDE, Ariana Cosme afirmou que “60% das crianças que frequentam atualmente o 1º e o 2º ano das escolas vão ter empregos em profissões que hoje ainda não existem”. Para esta investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, “Rio Maior já há algum tempo que decidiu que a escola não iria ser igual à do passado e devagar, com muita força, o diretor deste Agrupamento e outros professores estão a abrir outros caminhos”, disse. O Agrupamento Fernando Casimiro e os restantes cinco agrupamentos envolvidos no Includ-ED no país estão a fazer as coisas de outra maneira para que os alunos aprendam melhor – sublinhou, acreditando que se tudo for bem feito será possível alargar o projeto a outras escolas.

Por tudo quanto ouvimos percebemos que a grande preocupação é exercitar a mente das crianças e jovens e abrir-lhes horizontes, para que possam entrar no mercado de trabalho com luzes que lhes permitam enfrentar os desafios que inevitavelmente lhes serão postos, encontrando no seu acervo de conhecimentos escolares ferramentas de que se possam socorrer, para se afirmarem como adultos na vida.

O diretor-geral de Educação, José Vítor Pedroso.

Foi breve a intervenção do diretor-geral de Educação José Vítor Pedroso. “Desafiámos esta Escola a entrar neste projeto, confiamos muito nesta Escola mas confiamos também na comunidade”, declarou. Chamou a atenção para o objetivo que é fazer de todos os alunos casos de sucesso escolar, uma condição que deve deixar de estar apenas ao alcance daqueles que “nasceram virados para o sucesso”. O aluno, seja na escola ou no seu exterior, qualquer que seja o local da sua comunidade tem que se sentir como pertencendo-lhe sendo por sua vez sua pertença.

José Pedroso fez votos para que a experiência do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva possa ser esclarecedor e enriquecedor para as outras escolas.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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