José Estrela, o pintor naturalista radicado em Rio Maior

José Estrela, está radicado em Asseiceira, no concelho de Rio Maior e expôs recentemente no Cineteatro Municipal

José Henriques Martins Ferreira – José Estrela.

José Henriques Martins Ferreira – José Estrela.

José Henriques Martins Ferreira – José Estrela como é mais conhecido e assina como artista –, tem 60 anos de idade. Aos 20 anos veio de Angola para Portugal fixando-se no Cartaxo, terra natal do pai. A mãe era do Vale  de Santarém.

José Estrela nasceu na vila de Santa Comba, hoje cidade de Waku-Kungo, sede do município da Cela, na província de Kwanza Sul. Um irmão e uma irmã mais velhos do que ele acompanharam os pais para Angola em 1953.

Frequentou a Escola Técnica, que tinha o ensino comercial e o ensino industrial e aí, no âmbito deste último fez o Curso Industrial de Eletricidade. Aos 17 anos, com o curso acabadinho de tirar, foi convidado pelo diretor da Escola a dar aulas de Trabalhos Manuais e Desenho, o que é prova cabal de que as escolas técnicas preparavam realmente os jovens para a vida ativa. “Sem dúvida”, corrobora José Estrela recordando: “Tínhamos uma escola mais apetrechada do que muitas oficinas!”

Com veia para a música e a pintura, José Estrela não dispensa o exercício físico e ainda hoje é um praticante assíduo do ciclismo, integrando a Associação de Cicloturismo «Os Amigos da Roda» de Arrouquelas.

Como pintor já fez três exposições individuais no Cartaxo em 1991 e 1994 e em Rio Maior agora em 2015, em setembro/outubro, e participou em coletivas em Óbidos, Rio Maior, Cartaxo e Azambuja.

Existem trabalhos seus em coleções particulares espalhados por Portugal Continental, Estados Unidos da América e Alemanha.

Domina as técnicas carvão/pastel seco, aguarela, acrílico e óleo.

Reside em Asseiceira (Rio Maior), já há alguns anos.

Nas artes que lhe absorvem a disponibilidade, José Estrela é autodidata. É claro que passa a vida a coligir informação sobre técnicas de pintura, sobre as coisas da música; estuda-as e constrói-se permanentemente, com o estoicismo de quem está habituado a fazer-se por si próprio, vencendo lonjuras e agruras, porque acredita que é capaz de levar mais longe dons que vêm de família – do pai e até já de um avô. O que o leitor vê nesta página são fotografias de obras deste artista; e mesmo a cores dão apenas uma pálida ideia do que é a pintura de José Estrela, que concedeu esta entrevista ao jornal Região de Rio Maior dias antes da sua recente exposição na cidade de Rio Maior.

Região de Rio Maior (Região) – O gosto pela pintura surgiu mais tarde na sua vida ou começou de pequeno?

José Estrela (JE) – Vem de família! O meu pai já pintava, ainda antes de ir para Angola. Era pedreiro de profissão mas ainda chegou a frequentar as Belas Artes. Tenho um quadro em casa, de 1948, que ele pintou do Bairro de Alvalade, quando andava a trabalhar em Lisboa. Ia de bicicleta do Cartaxo para Lisboa aos domingos à tarde e regressava à sexta-feira. Trabalhava até às seis e tal da tarde, ia ao quartinho que lá tinha, comia qualquer coisa, geralmente umas sopas de café e depois ia para as aulas, nas Belas Artes, até às 23 horas. Um dia o trabalho que andava a fazer acabou-se, teve que regressar ao Cartaxo e deixou de poder ir às aulas.

Havia um pintor húngaro que ensinava nas Belas Artes, que queria que o meu pai fosse trabalhar com ele, mas não era esse o seu destino; foi para Angola onde se dedicou à agricultura e à pecuária e quando se proporcionava entretinha-se a pintar. Entretanto reparou que entre mim e os meus irmãos eu era quem tinha mais jeito para desenhar – eu andava sempre a fazer bonecos – e começou a puxar por mim. O meu pai também fazia trabalhos em publicidade e eu comecei a ajudá-lo a desenhar as letras, os símbolos, etc. e foi assim que o meu gosto pela pintura se foi acentuando.

Região – Autodidata, o senhor, mercê da sua busca incessante de conhecimentos técnicos sobre a pintura artística e a música, a dada altura passou também a ensinar outras pessoas…

JE – Tenho lido muito, sim, pesquiso na internet, há sempre umas coisinhas que podemos juntar ao nosso pecúlio de conhecimentos. Mas também troco ideias com outros pintores. E depois há a experiência acumulada.

Comecei a dar aulas há 22 anos… Conheço um Mestre Pintor, que é o João Mário, que tem o Museu João Mário em Alenquer. Ele vende as suas obras para galerias. Há tempos comprei um livro dele em que diz que nós a ensinar aprendemos duas vezes. E é verdade! Nós a ensinar aprendemos muito, digo-o por experiência própria.

Região – Onde é que tem dado aulas?

JE – Dou aulas em Azambuja, no Cartaxo já há muitos anos, dei aulas na Universidade Sénior de Rio Maior durante cinco anos…

Região – Vivia no Cartaxo onde ainda trabalha na Divisão de Planeamento e Administração Urbanística do Município, mas está a residir em Asseiceira, aqui no concelho de Rio Maior. O que é que o levou a mudar-se para cá?

JE – Vivi no Cartaxo muito tempo. Enviuvei. Mais tarde, num curso de formação vim a conhecer a minha atual esposa e acabei por vir parar à cidade de Rio Maior onde morei na Avenida Paulo VI, até fazermos a nossa casinha em Asseiceira.

Região – Fale-me da sua exposição em Rio Maior.

JE – Já andava há muitos anos para fazer esta exposição. A última que fiz foi em 1992. Exponho muito pouco porque ocupo muito o meu tempo livre. Ando muito de bicicleta, dedico-me também à música e vou continuar a dedicar-me, às vezes faço umas animaçõezinhas para os amigos, canto qualquer coisa… E ando a estudar piano na Tocata.

Região – Portanto não faz vida da pintura.

JE – Não.

Região – De vez em quando gosta de mostrar o que pinta mas expor não é uma prioridade para si.

JE – De modo nenhum. Mas em fevereiro deste ano pus-me a pensar, nunca mais faço uma exposição em Rio Maior; falei com o Armando Monteiro e o Fernando Costa e ficou assente que seria agora, por altura da FRIMOR. A partir daí obriguei-me a trabalhar para a exposição.

Região – Ou seja, não tinha quadros suficientes…

JE – Pois não. Comprometi-me a apresentar 14 obras mas a verdade é que já vou com 20, se bem que tenha pedido emprestados 9 dos meus quadros que já são pertença de outras pessoas.

Região – Fale da sua pintura aos leitores.

JE – Prefiro a pintura a óleo. Há uns anos gostava de utilizar as cores mais vivas; foi uma fase da minha evolução como pintor. Hoje em dia procuro utilizar as cores verdadeiras – sou um pintor naturalista –, tento aproximá-las tanto quanto possível das cores da natureza. É natural que às vezes, nas sombras, eu puxe mais por elas. Gosto de dar luz aos meus quadros e isso leva-me a puxar mais pelas sombras, e aos tons mais claros também dou um toque a puxar mais pela luz. Não gosto de pintar em dias nublados porque as coisas não têm sombras, não têm volume, não têm contrastes.

Como tenho um problema de pele, há dias em que o sol, o calor, o vento me incomodam, por isso, por vezes tiro fotografias ao que quero pintar e pinto a partir delas.

José Estrela preparou para a inauguração da sua exposição deste ano em Rio Maior uma momento musical. “Sabe, a música acompanha-me sempre; na pintura é música instrumental, alguma dela clássica. Tenho um aluno meu, no Cartaxo, que se chama João Marafuz; a quem o ouve cantar parece o Frank Sinatra! Reformou-se recentemente; trabalhava nos reatores dos aviões. Ele vai estar comigo no Cineteatro, para cantar o «My Way» de Frank Sinatra, o «New York, New York» e também há de cantar a «Avé Maria de Schubert»”, informou, acrescentando: “E eu, por brincadeira vou cantar «Emoções»”, de Roberto Carlos.

E assim foi – e com muito agrado de quem esteve na inauguração –, confirmando-se a extraordinária prestação de João Marafuz.

Semanas mais tarde, já para o fim da exposição, José Estrela recebeu a visita de Mestre João Mário.

Deixamos aqui fotos de algumas da obras de José Estrela.

 

Amália Rodrigues, uma paisagem de outono e o Mimi.

Amália Rodrigues, uma paisagem de outono e o Mimi (Rio Maior).

O Vale da Senta (Rio Maior).

O Vale da Senta (Rio Maior).

Óbidos.

Óbidos.

Pescador do Tejo (Escaroupim).

Pescador do Tejo (Escaroupim).

Ponte de D. Luís (Santarém).

Ponte de D. Luís (Santarém).

Salinas de Rio Maior.

Salinas de Rio Maior.

Travessia do Tejo (Lisboa).

Travessia do Tejo (Lisboa).

Vindimas.

Vindimas.

Capela de Nossa Senhora da Vitória (Rio Maior).

Capela de Nossa Senhora da Vitória (Rio Maior).

Mar encrespado.

Mar encrespado.

José Estrela com o Mestre Mário João, de Alenquer, na visita que este lhe fez na exposição de Rio Maior.

José Estrela com o Mestre João Mário, de Alenquer, na visita que este lhe fez na exposição de Rio Maior.

Contactos de José Estrela: 936 280 073 | 243 908 636

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