Licenciatura em Medicina Chinesa

Licenciatura em Medicina Chinesa.

Artigo de opinião de Garcia Cruz

Há dias, finalmente, os ministérios da Saúde e da Ciência e Ensino Superior publicaram uma portaria conjunta de validação da criação do ciclo de estudos que conferem o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa. A Ordem dos médicos parece que não gostou. Vai daí, sem demora, o seu bastonário, declarou à comunicação social que esta medida “constitui um perigo para a saúde”, o que, segundo o órgão representativo da classe médica, se insere numa “política de saúde patológica que não serve os doentes.”

O senhor bastonário afirmou ainda (refere a notícia) que a portaria pode mesmo pôr em causa as relações institucionais entre a Ordem e o Governo e diz que vai reunir-se com a comunidade médica para decidir formas inéditas de manifestarem o seu profundo desagrado.

Sobre este assunto quero dizer o seguinte:

A medicina chinesa (MTC) tem um percurso de quase 5 mil anos de provas dadas quer na preservação da saúde quer na sua recuperação. Este longo percurso e a crescente procura mundial por esta forma holística de tratamento (“desconhecida” na medicina ocidental) só podem dever-se aos benéficos e inquestionáveis resultados que proporciona quando bem usada. A medicina chinesa não se propõe como alternativa plena à medicina alopática. Isso não faria hoje, talvez, qualquer sentido. O que os profissionais portugueses desta “nova” visão de saúde pretendem, é que certos médicos e organizações mais conservadoras e resistentes a sair da sua zona de conforto, procurem esclarecer-se, estudar, conhecer e compreender toda a realidade que envolve a medicina chinesa, incluindo importantes e favoráveis estudos científicos, que sobre ela foram e continuam a ser feitos. A verdade é que até os médicos convencionais, de Portugal, recorrem, cada vez mais, a tratamentos da medicina chinesa, nomeadamente acupunctura, quer para os seus doentes quer para eles próprios. Muitos desses médicos têm mesmo adquirido formação, (a maioria das vezes pouco profunda), em medicina chinesa. Penso que a preocupação, o medo e a oposição de médicos, relativamente à criação de uma licenciatura em medicina chinesa, não fazem qualquer sentido. Talvez a energia que se propõem gastar a hostilizar esta decisão, deva ser ou continuar a ser canalizada para a resolução de problemas sérios, duradouros e preocupantes que afectam o SNS, como seja a falta de médicos de família, a falta de camas nos hospitais, as infecções hospitalares, as longas esperas para intervenções cirúrgicas, a exaustão a que sujeitam os médicos e o tempo “cronometrado” para atendimento de doentes nos centros de saúde (em média 10 minutos), entre outros graves problemas. Isso sim, a bem de doentes e de médicos, deve ser motivo de inadiável e séria preocupação. É nisto, que o senhor bastonário e os eus apoiantes se devem focar. Quanto à medicina chinesa, ao contrário de “solução patológica”, como refere o representante da Ordem, ela pode ser uma mais-valia para o SNS e para os portugueses. Basta querer e colaborar empenhadamente e seriamente para que assim seja. Não esqueçamos que se os doentes recorrem cada vez mais à medicina Chinesa, custeando integralmente essa despesa, é porque obtêm bons resultados. Afinal, talvez mais importante que a Ordem seja mesmo a criação de uma nova e moderna ordem. Portugal merece.

Garcia Cruz

Nota: Texto em desconformidade com o novo acordo ortográfico.

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