Magia de Telmo Tinta e Manuel Barata encantou em Assentiz

A juventude e a experiência proporcionaram momento únicos de magia no bar do CRC de Assentiz.

O bar do Centro Recreativo e Cultural de Assentiz, que é amplo, estava com uma afluência daquelas noites para que estão anunciados acontecimentos fora do comum do dia-a-dia. Naquele sábado, 20 de janeiro de 2018, havia um espetáculo de magia em que eram protagonistas um filho da terra – o Telmo Tinta – e o seu amigo e conselheiro, bem pode dizer-se, o mágico Manuel Barata.

A expectativa de um espetáculo com aqueles dois reconhecidos mágicos, que se faria da juventude e irrequietude do Telmo e da pausada experiência de Manuel Barata, levou largas dezenas de espectadores ao bar, talvez perto de uma centena, que a avaliar pelos aplausos e os comentários deram o seu tempo por bem empregue.

Telmo Tinta abriu o espetáculo num número em que teve a ajuda de Sassá, já que eram precisos dois para o fazer.

Logo nos primeiros números, Telmo Tinta teve como partner o Sassá, Miguel de seu nome, outro jovem, que fez muito bem o seu papel, com a garrafa dentro do cilindro que saía de gargalo para baixo quando era suposto que fosse ao contrário e vice-versa. Depois foram as cartas do baralho, o número do cartão com uma palavra, único num montinho deles de que alguém da assistência tirava ao acaso (o Telmo descobriu no meio do público a antiga presidente da Junta de Freguesia, Maria Amélia Simão e foi ela a tirar o cartão), palavra essa que por magia estava escrita num papel guardado dentro de um balão cheio de ar que era preciso rebentar, a qual coincidia com a que supostamente constaria da página de um dicionário que afinal já tinha sido arrancada e que por falta de óculos da partner improvisada acabou por ser confirmada por outra espectadora ali perto de si. A assistência, por mais que esquadrinhasse como é que o truque se fazia, não atinou com o segredo. Nem eu, que estava a pouco mais de dois passos!

A assistência.

De magia em magia, como aquela em que tirou uma data de metros de fita feita de pedaços de tecido de várias cores da boca, que ninguém sabe como é que a lá tinha pois falava depressa e com toda a clareza como é seu timbre, Telmo Tinta deu a vez a Manuel Barata e assim se foram revezando.

Manuel Barata no seu número da corda que acaba em várias pontas mas que afinal só tem duas…

Manuel Barata está na casa dos sessenta. Tem anos de prática e experiência. Faz de conta que explica tudo tal e qual como é, devagar e repetidamente, mas como na realidade não é assim também ninguém lhe apanha os truques de magia, como os da corda que acaba em várias pontas mas que afinal só tem duas como todas as cordas que se prezam, e o do ovo que tão depressa está como deixa de estar para logo a seguir voltar a estar no pequeno saco negro…

Mas estas coisas não dá muito jeito ao repórter descrever nem ao leitor ler, passe a redundância, porque o bom é mesmo ver, por isso quando souber de uma espetáculo do Telmo ou de Manuel Barata ou dos dois em conjunto, perto de si, não perca!

No intervalo estive a conversar com Manuel Barata, professor na Universidade Sénior uma vez por semana, a quem perguntei se tirando essa ocupação se está a dedicar a tempo inteiro à magia. Não está… mas em parte está.

– Como estou reformado, neste momento não estou a fazer mais nada. De facto, nos últimos três a quatro anos dediquei-me mais à magia –, respondeu. E à fotografia, acrescentei eu sem receio de ser desmentido.

– Brincadeiras entre mágicos à parte, a magia é uma arte que exige uma aprendizagem permanente –, aventei. Não estava enganado. – É verdade – confirmou. – Porquê? Porque qualquer deslize calha mal? – indaguei. – Desde que o mágico consiga dar a volta ao deslize e saia airosamente do percalço, então este não é considerado um deslize. Por exemplo, eu gosto muito de iniciar com aquela corda azul; engano-me duas vezes, digo que me enganei e as pessoas percebem que não houve engano nenhum. A partir daí, se eu me enganar e disser que me enganei, as pessoas ficam na dúvida se me enganei mesmo ou se foi de propósito – revelou o mágico sénior. Quanto à aprendizagem permanente – tem a ver com os espetáculos e com os ensaios, onde a pessoa, com estranhos, aprende sem dúvida. No meu caso, aprendo muito mais nos espetáculos do que nos ensaios, porque se há um engano num treino não se leva muito a série e no espetáculo não nos podemos enganar e se acontecer temos que arranjar uma saída para que o público na perceba. Todos os anos, eu e alguns mágicos vamos a festivais de magia, assistimos a conferências… eu assisto em média a umas dez conferências por ano, com mágicos com créditos firmados, mágicos com prémios, onde aprendo bastante com eles.

Manuel Barata é uma referênia para Telmo Tinta.

– O senhor tem sido como que um mestre para o Telmo Tinta, ou pelo menos um referência para o seu aperfeiçoamento. Que futuro é que tem o Telmo na magia, na sua opinião? A resposta de Manuel Barata foi concludente: – O Telmo tem futuro! Ele está no início, falha como todos falhamos por vezes, tem muito à-vontade, já trabalhou bastante atrás de um balcão e quando assim é temos que falar com várias pessoas, cada uma com a sua maneira de ser, temos que nos adaptar a isso e sair bem das conversas e ele sabe fazê-lo. O que é que lhe falta? Um bocadinho de teatro. Ou seja para a magia é útil pertencermos a grupos de teatro e aprendermos a representar, porque um mágico não é mais do que um ator que para além de ser ator sabe produzir efeitos mágicos. Quanto ao mais o Telmo tem voz, boa dicção… Quando eu o conheci ele queria fazer coisas complicadas e eu, que não gosto de coisas complicadas, que sou um tipo muito prático, faço é coisas simples e consegui incutir nele a vontade de fazer coisas simples. Ainda há bocadinho acabei de fazer aqui o saco do ovo, que é um efeito com centenas de anos, que não há mais mágico nenhum em Portugal que eu conheça a fazer. Faço sempre o saco do ovo que eu acho ser um efeito com muita força e é simplicíssimo de fazer! Portanto não são necessárias coisas muito complicadas ou muito caras ou muito grandes: podem ser coisas simples, temos é que as saber fazer bem. E eu tento fazê-las o melhor possível, o melhor que eu sei.

Texto e fotografias: Carlos Manuel

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