O VIII Sal&Fonia projetado pela Magister da Sal&Tuna, Ana Grilo

Ana Grilo, Magister da Sal&Tuna.

O VIII Sal&Fonia – Festival de Tunas Femininas da Cidade de Rio Maior, organizado pela Sal&Tuna, realiza-se a 8 e 9 de junho de 2018.

Ana Grilo é uma jovem albicastrense que nos últimos cinco anos tem passado boa parte da sua vida em Rio Maior, em cuja Escola Superior de Desporto se licenciou em Treino Desportivo, em 2017.

Ser magister é ser mãe.

Magister da Sal&Tuna, Ana Grilo manteve-se entre nós por fidelidade à… “licenciatura em Tuna”, para assegurar a continuidade do trabalho das suas antecessoras, desde logo Jéssica Silva a quem sucedeu e que foi até hoje a primeira e única magister riomaiorense, e para amparar a revitalização da tuna que é praticamente constante dada a saída de estudantes que terminam os seus cursos e partem seguindo as suas vidas e a entrada de caloiras, num vai vem quase coincidente com os anos letivos.

É essa renovação praticamente em permanência das tunas que me surpreende de cada vez que assisto a um festival, porque apesar de tudo, regra geral conseguem manter e até subir a fasquia da qualidade. Refiro-me naturalmente, neste caso, à Sal&Tuna – Tuna Feminina e à Bagatuna – Tuna Masculina da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

Jovens que mal cantam, passam a saber cantar, jovens que mal tocam ou nem sequer tocam qualquer instrumento, passam a tocar… Como é que a Ana resolveu isso? –, quis saber.

“Nós a partir do momento em que começamos um ano já sabemos que esse ano vai ter que ficar muito bem trabalhado, para que no ano a seguir não tenhamos que voltar a começar do zero. No arranque de um ano saímos de um problema inicial que é manter a continuidade da tuna, criando condições para que aquelas estudantes que a seguir às praxes ponderem a possibilidade de entrar para a tuna se sintam convencidas de que pode ser interessante fazê-lo e motivadas a virem ter connosco e participarem desse futuro”, explicou a magister.

“Cabe-nos a nós jogar com todos os feitios, todas as personalidades, as maneiras de ser. Sim, é um desafio muito grande e acabamos também por ser mães – porque somos –, porque tenho que saber todos os problemas delas para, por exemplo num ensaio ou numa saída, mesmo que eu esteja aborrecida com algum comportamento da tuna ou alguma atitude que elas possam ter tido, perceber que se calhar a prioridade da estudante é algum problema que ela possa ter tido em casa e que portanto eu tenho que ter isso em atenção”, acrescentou Ana Grilo.

O que é que fazem para aprenderem a tocar e a cantar tão rapidamente? Muitas, quando entram para tuna nunca tocaram ou cantaram… – insisti. Já agora, a Ana, quando entrou já tocava algum instrumento?

“A maioria de nós não sabe nada, nada… Eu nem sequer conseguia fazer o passe de toque, de um lado para o outro, ao ritmo da música! Foi um desafio para mim.” E como é que aprendeu? “Sozinha, com quem já sabia.”

Nunca têm um professor, uma professora… “Este ano, a partir de metade do ano tivemos um ensaiador. Se tivermos orçamento para tanto vamos continuar a apostar nisso”, revelou a magister. Arranjam dinheiro para o orçamento fazendo arruadas. Mas “há tunas que recebem orçamentos de 1 500 euros por ano para investirem em instrumentos, saídas, viagens, roupa, por exemplo com ensaiadores… Nós não, temos que fazer arruadas para conseguirmos ter um cavaquinho novo ou uma guitarra nova, para conseguir pagar ao ensaiador… É uma realidade diferente, aqui em Rio Maior”.

A Sal&Tuna, no 1º piso do Pavilhão Multiusos, quando da inauguração da edição de 2018 das Tasquinhas de Rio Maior.

O VIII Sal&Fonia – Festival de Tunas Femininas da Cidade de Rio Maior.

Ana está de partida, de regresso a Castelo Branco. Ainda falámos uns minutos da grande albicastrense Eugénia Lima, a diva portuguesa do acordeão, que viveu em Rio Maior cerca de quatro décadas e repousa no cemitério desta cidade.

Mas o assunto era mesmo o VIII Sal&Fonia – Festival de Tunas Femininas da Cidade de Rio maior que se realizará no próximo fim de semana, 8 e 9 de junho. Dia 8, sexta-feira, pelas 21h30 realiza-se a tradicional Noite de Serenatas, a ter lugar nas Escadinhas do Encontro. O sábado, dia 9, está reservado ao Festival das tunas a concurso neste Sal&Fonia, com início marcado para as 21 horas, no Cineteatro de Rio Maior.

O tema do Festival é Tunamorfose. “Nós, já há algumas edições que tentamos que o tema fale um pouco daquilo que foi o nosso ano, para também ser uma motivação extra. Em 2017 fomos mulheres guerreiras porque conseguimos levantar uma tuna, trazer 50 pessoas de fora – antigas estudantes da ESDRM –, para nos ajudarem e viverem o Sal&Fonia como nós o vivemos. Desta vez inventámos um termo que ainda não existia no mundo das tunas nem fora dele: Tunamorfose, porque as tunas sofrem muitas transformações desde o momento da sua criação, assim como as pessoas que as integram – as miúdas que entram e as mulheres que saem. Achámos por bem criar esse tema, Tunamorfose, com o slogan «Do que fomos ao que somos».

As tunas a concurso são as seguintes:

  • Lusitana – Tuna Feminina da Universidade Lusíada de Lisboa;
  • Real Trovantuna – Tuna Feminina da Escola Superior de Ciências Empresariais de Setúbal;
  • Estigma Tuna – Tuna Feminina da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja; e
  • Desatuna – Tuna Feminina da Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos.

A Sal&Tuna começou o ano com 19 elementos mas agora só tem 17. No entanto dá bem conta do “recado” que é organizar o Festival, onde de resto irá atuar, como é costume, extra concurso.

Também extra concurso, mas com atuação apenas na Noite de Serenatas, participam no VIII Sal&Fonia as tunas masculinas Bagatuna (“os nossos «padrinhaços», que nunca falham”, como reconhece carinhosamente Ana Grilo) e a Taisep – Tuna Académica do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, a Sal&Tuna – “que não é só copos e música como algumas pessoas possam supor, é também camaradagem e solidariedade”, referiu a magister –, juntou-se neste Sal&Fonia, à Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior.

Texto e fotos: Carlos Manuel.

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