Mariana Barata Silva: “Filha de peixe(s) sabe nadar”!

Em 2015 Mariana Barata Silva foi Vice-campeã da Europa de Basquetebol Sub 16 Femininos – Divisão A

Mariana Barata Silva.

Mariana Barata Silva.

Mariana Barata Silva nasceu em Vila Real (Trás-os-Montes) em 18/5/1999. Está radicada, com os pais, em Rio Maior, já há muitos anos.

Iniciou-se na prática do Basquetebol em 2008.

Fez parte das seleções distritais que representaram a Associação de Basquetebol de Santarém nas Festas do Minibasquete em Paços de Ferreira e nas Festas do Basquetebol Juvenil nos escalões de Sub 14 Femininos (3 anos) e Sub 16 Femininos (2 anos).

No RM Basket foi Campeã Distrital de Basquetebol de Santarém em Sub-14 Femininos em 2013.

Esteve integrada no Centro de Alto Rendimento do Jamor – Basquetebol, durante os anos letivos de 2013/14 e 2014/15.

Representou a Seleção Nacional no Campeonato da Europa de Sub 16 Femininos – Divisão A, em Debrecen (Hungria, 31 de julho a 10 de agosto 2014) onde Portugal ficou em 13º lugar.

Agora em 2015, Mariana Barata Silva integrou a Seleção Nacional no Campeonato da Europa de Sub 16 Femininos – Divisão A, que decorreu em Matosinhos (13 a 23 de agosto), com Portugal a sagrar-se Vice-campeão Europeu.

Se na Hungria o seu contributo foi decisivo para assegurar a manutenção da equipa nacional na Divisão A da Europa, em Matosinhos foi crucial para levar Portugal ao pódio e antes ainda para garantir, com uma vitória sobre a França por 62-54, a participação portuguesa no Mundial de Basquetebol 2017, o que é inédito.

A Mariana é filha dos treinadores de Basquetebol e senhores de notáveis currículos, Helder Silva e Teresa Barata, caso para tomar como certo o aforismo “filha de peixe(s) sabe nadar”!

Mariana com os pais, Teresa Barata e Hélder Silva.

Mariana com os pais, Teresa Barata e Hélder Silva.

A Mariana fez a pré-primária em Rio Maior, foi aluna da Escola Básica Marinhas do Sal e frequenta atualmente a Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira, no 11º ano. Fez o 9º e o 10º ano em Oeiras, enquanto fre-quentava o Centro de Alto Rendimento de Basquetebol do Jamor.

Esta entrevista, com a Mariana e os pais teve lugar no Stadium, Café Restaurante, no Edifício Marquês, na cidade de Rio Maior, disponibilidade de espaço que agradecemos.

º•º

Região de Rio Maior (REGIÃO) – Que futuro projetas para ti, Mariana?

Mariana Barata Silva (Mariana) – Ainda não pensei nisso…

REGIÃO – Para já há uma carreira desportiva que, suspeito, te deixa poucos tempos livres; como é que os ocupas?

Mariana – Pois… Os tempos livres que eu tenho são para estudar, de resto vejo televisão de vez em quando, enfim, nada de especial.

REGIÃO – Como é que é ser filha de dois campeões de Basquetebol? Eles influíram na tua opção desportiva ou isso foi espontâneo em ti?

Mariana – Influíram. Muito! Como eles são professores de educação física e treinadores de basket eu estou ligada ao desporto desde muito pequenina e é claro, fui experimentar o basquetebol. Gostei e fiquei na modalidade.

REGIÃO – Tiveste uma progressão rápida na modalidade; isso só pode ser fruto da tua aplicação e vocação…

Mariana – Foram muitos anos de trabalho.

REGIÃO – Ainda temos no jornal aqueles quadros do «Cesto na Escola», com a pontuação resultante do cotejo do rendimento escolar com o rendimento no basquetebol e aqui estás tu, já noutro patamar como atleta. Continuas ligada ao RM Basket, onde fizeste o teu percurso, ou estás noutro clube?

Mariana – Agora é diferente, porque este ano o RM Basket passou a ser clube satélite do CDTN – Clube Desportivo de Torres Novas e então jogo pelos dois: no meu escalão (nr.: a Mariana já está nos Sub 19) jogo pelo CDTN/RMB na Taça da Liga; e pelo Rio Maior Basket na 2ª Divisão Nacional de Seniores.

Teresa Barata – Com a Mariana, estão na Taça da Liga mais duas meninas de Rio Maior: a Mariana Martins e a Rafaela Paterno. Nas Seniores temos a Ana Carla, a Vânia Sengo que é moçambicana e a Ana Carolina, dos Açores.

REGIÃO – Em Santarém, Mariana, foste Campeã distrital de Sub 14 em 2012/13. És Vice-campeã europeia de Sub 16, estás a competir na Liga… Tens algum clube grande em vista para o teu futuro de basquetebolista?

Mariana – Projeto passar por clubes de grande envergadura mas ainda é cedo.

REGIÃO – Nunca foste contactada por um clube desses?

Mariana – Já fui contactada, e por vários – Benfica, Quinta dos Lombos e CDESSA – Clube Desportivo da Escola Secundária de Santo André (Barreiro) –, mas como disse ainda é cedo para mim.

REGIÃO – Os campeonatos europeus de Basquetebol jogam-se todos os anos; não há jogos de apuramento. As seleções – neste caso estamos a falar da Divisão A Feminina – juntam-se em determinada cidade e aí disputam o campeonato, num período de uma semana e meia, sensivelmente.

Mariana – Foi o que aconteceu em Matosinhos. Estivemos as férias de verão quase todas a trabalhar para o Europeu.

Teresa Barata – Todos os anos há Campeonato da Europa e depende da classificação final saber-se se no Campeonato seguinte se participa na Divisão A ou na Divisão B.

Helder Silva – Os três últimos classificados da Divisão A descem à Divisão B e os três primeiros da B sobem à Divisão A.

Teresa Barata – E existe também uma Divisão C, que é para os países que têm pouca população. Mas voltando a Matosinhos, esta foi a segunda vez que a Seleção de Portugal disputou o Campeonato da Divisão A; a primeira foi no ano anterior, na Hungria; Portugal e outros dois países tinham subido nesse ano da Divisão B à Divisão A e a nossa seleção ao ficar em 13º lugar conseguiu manter-se na Divisão A.

Helder Silva – No Campeonato Europeu em Matosinhos o nosso objetivo era a manutenção na Divisão A mas o que aconteceu foi a melhor classificação de sempre!

REGIÃO – Mariana, o que é que tiveram que fazer, na Seleção Nacional, ao longo do ano, para conseguirem aquele apuramento físico e técnico que vos permitiu aguentar o embate com três ou quatro equipas habitualmente bem mais fortes do que vocês, e chegarem a Vice-campeãs da Europa?

Mariana – Nós estivemos imenso tempo em estágios, a trabalhar como equipa, a ter treinos bidiários e com o passar do tempo fomo-nos conhecendo melhor, a ser muito unidas e nesses jogos mais difíceis em que tínhamos que dar tudo porque queríamos mesmo seguir em frente apoiávamo-nos umas às outras incondicionalmente.

REGIÃO – Portugal perdeu a final do Campeonato da Europa com a República Checa. Em que é que as jogadoras checas se superiorizaram às portuguesas?

Mariana – Na minha opinião as jogadoras checas eram mais experientes do que nós. Não foi por estarmos mais cansadas por ter sido o 9º jogo que fazíamos; todas as seleções fizeram 9 jogos. Acho é que na República Checa elas têm uma competição um bocado mais elevada do que nós temos aqui em Portugal, ou seja estavam mais preparadas do que nós para jogarem sempre àquele nível. Nós trabalhámos durante a época toda mas só na preparação da Seleção Nacional é que começámos a jogar com essa intensidade; não estamos sempre preparadas para jogar com tanta intensidade.

Helder Silva – A nossa seleção venceu algumas seleções de países que têm um Basquetebol certamente mais forte do que o nosso, como a França e a Espanha por exemplo. Na final a Seleção de Portugal apanhou uma equipa que nos últimos três anos foi sempre à final…

Teresa Barata – … E perdeu…

Helder Silva – … Perdeu as duas primeiras.

Teresa Barata – Completando a resposta da Mariana, deixe-me dizer que fizemos num mês e meio cerca de 60 treinos – jogos de treino, treinos bidiários –, uma preparação como se exigia para uma competição da natureza de um campeonato europeu. Foi também a química que se gerou entre as nossas jogadoras que permitiu que elas conseguissem superar seleções mais fortes. Mas houve outra coisa muito importante: destas 12 meninas que constituíam a Seleção Nacional, 8 faziam parte do Centro de Alto Rendimento, trabalhando juntas durante todo o ano; estavam na mesma casa, estudavam em escolas ali perto, viviam o dia-a-dia, não foi uma seleção em que se juntaram 12 jovens e num mês se prepararam para a competição.

Outra particularidade, a que até achámos graça, é que, por mero acaso esta foi mesmo uma seleção nacional na completa aceção da palavra; não havia duas meninas do mesmo clube! Não aconteceu assim porque tivéssemos que cumprir quotas, simplesmente os selecionadores foram fazendo a seleção e só quando vimos a convocatória é que reparámos que não havia qualquer clube repetido; inclusivamente o Campeão Nacional só lá tinha uma jogadora!

Acho que o trabalho que foi desenvolvido ao longo de um ano produziu coisas.

Ainda em relação ao jogo da final as duas equipas estavam em patamares motivacionais diferentes. A Seleção Nacional da República Checa chegou ao sítio onde tinha chegado nos dois anos anteriores tendo perdido, de modo que devem ter encarado o jogo com Portugal numa perspetiva de “agora ou nunca”. As nossas jogadoras, na minha opinião, estariam imbuídas daquela euforia “ai que bom, ganhámos à Espanha”; mas já vinham fazendo outras contas: “se ganhar-mos este jogo ficamos na metade de cima da classificação”, “se ganharmos o próximo vamos ao Mundial”, “agora se ganharmos o próximo vamos ao pódio, temos uma medalha…” Até o pessoal que nos apoiou na bancada se maravilhava com os êxitos da seleção mas nunca ninguém falava do jogo seguinte, falavam sempre do jogo anterior. É claro que quando se perdeu a final lamentavam, “mas já foi bom termos chegado à final”, diziam.

Helder Silva – Houve uma sensação de dever cumprido. Ninguém estava à espera de uma final…

Teresa Barata – … A ideia era não descer de divisão, era ficar ali no 13º lugar…

Helder Silva – … Afinal de contas chega-se ao 2º lugar e pensa-se assim: “Calma aí, o pior que nos pode acontecer é ficar com a medalha de prata”. Há ali uma falta de hábito mas também um descomprimir. A nossa seleção lutou, lutou, a equipa checa era mais forte e a certa altura as nossas jogadoras aceitaram essa realidade.

Mas há uma coisa que para mim é absolutamente extraordinária e isso está documentado; o pavilhão estava completamente cheio – o que era inédito apesar de as entradas serem gratuitas –, a tal ponto que houve gente que ficou do lado de fora porque a polícia já não deixou entrar mais ninguém, e aí a uns dois minutos ou a um minuto e meio do fim, já se percebendo que Portugal não ia conseguir chegar ao título, todos de pé cantavam o Hino Nacional. Foi tão extraordinário que jornalistas estrangeiros agarraram nos telemóveis e começaram a filmar! Foi um espetáculo que ainda hoje, só de falar nele me arrepia um bocado.

Mariana conduzindo uma jogada de ataque da Seleção Nacional no Europeu de Matosinhos.

Mariana conduzindo uma jogada de ataque da Seleção Nacional no Europeu de Matosinhos.

REGIÃO – Mariana, voltando aos vossos índices de competitividade em comparação com os das checas, isso deve-se a haver poucas equipas de basquetebol feminino em Portugal?

Mariana – Não! Nós temos imensas equipas mas, por exemplo em Santarém as equipas só competem entre si e o nível do Basquetebol no distrito é completamente diferente do de Lisboa ou do Porto. Por outras palavras, as equipas existentes em Santarém preparam-se e habituam-se a jogar ao nível em que se encontra o Basquetebol neste distrito e depois, a equipa que se apura para jogar com as de Lisboa e do Porto, que são mais fortes, habituadas a jogos mais taco-a-taco, mais intensos, não tem os mesmos índices de competitividade. Nas equipas de Santarém está-se mais habituada a fazer o passe devagar, se falhas agora o lançamento apanhas o ressalto, lanças e marcas, de modo que quando se tem pela frente uma equipa do Porto ou de Lisboa, se esse passe não é feito naqueles segundos… se o lançamento não se faz no momento ideal, se não se consegue marcar o cesto que se devia marcar já não se apanha o ressalto a seguir… Elas estão habituadas à ideia “a bola é minha, é minha e tu não lanças nem fazes mais nada” enquanto nós estamos habituadas ao “não importa, marcas a seguir”.

Teresa Barata – Tem a ver com a qualidade do jogo. Nós temos 8 equipas em Santarém o que é um bom número, o problema é a qualidade do jogo. Nas Sub 16, o jogo mais equilibrado, se calhar ganhamo-lo por 15 ou 20 pontos, porque temos jogos de 50 ou 60 pontos de diferença.

º•º

Resta referir que na época de 2014/15, Teresa Barata, mãe da Mariana Silva, foi treinadora adjunta da Seleção Nacional Sub 16 Femininos – Divisão A, que se sagrou Vice-campeã da Europa.

Texto e fotos da Mariana e dos pais: Carlos Manuel.

Fotos do Campeonato Europeu de Matosinhos: FPB, com a devida vénia.

Nota – Consulte a seguir os currículos de Teresa Batista e Helder Silva.

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