Miguel Santos, empresário e mais jovem vereador do país

O empresário Miguel Santos é o mais jovem vereador de Portugal.

Miguel Santos, de 21 anos de idade, é vereador da Câmara Municipal de Rio Maior.

Empresário, Miguel Santos, 21 anos, é o mais jovem vereador do país, tendo sido eleito em Rio Maior na lista da Coligação Juntos pelo Futuro (PSD + CDS) nas Autárquicas 2017, indicado pelo CDS.

Concluído o 9.º ano de escolaridade na EB Marinhas do Sal, em Rio Maior, foi para o Estoril onde tirou um curso profissional relacionado com a Hotelaria, na área da Gestão – “uma área que nessa altura me fascinava e continua a fascinar”, revelou ao site www.regiaoderiomaior.pt –, estagiando depois no Hotel Tivoli Carvoeiro e no The Lake Resort na Marina de Vilamoura, ambos portanto no Algarve, “onde desenvolvi muito trabalho, mas gostei de trabalhar e aprendi imensas coisas; foi uma experiência gratificante”, reconheceu.

Região de Rio Maior (REGIÃO) – Sendo ainda tão novo, que idade é que tinha nessa altura?

Miguel Santos (MS) – Quando fiz o meu primeiro estágio tinha 16 anos. Na hotelaria somos obrigados a trabalhar muito, sobretudo no verão, no Algarve; chegava a fazer 16 horas seguidas, fazia dois dias de trabalho num só. O espírito de sacrifício e de trabalho, para mim começou aí.

REGIÃO – Concluído o curso profissional avançou para uma licenciatura…

MS – Eu tinha a ambição de tirar a licenciatura mas não queria limitar-me apenas à área da Hotelaria. Na minha família é quase uma tradição: os meus primos quase todos e o meu irmão também, são licenciados em Gestão e Economia e eu, como tinha esse bichinho, aos 18 anos de idade decidi ir para o ISCAL, que é o Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa onde me licenciei em Gestão, aos 20. Nesse período fiz ainda um estágio no Banco Santander Totta onde aprendi algumas coisas da Banca. Mas eu tinha, e tenho, uma empresa de família cujo controlo tive que assumir dada a conjuntura prevalecente à época e porque os meus familiares que estavam à frente da mesma já tinham alguma idade e outra maneira de olhar para a gestão. Foi um desafio muito grande… eu só tinha 20 anos. Mas em conjunto com o meu sócio consegui reformular a estratégia da minha empresa, que eu tenho hoje e já geria antes de ser eleito vereador e continuo a gerir.

REGIÃO – Quem é o seu sócio?

MS – O meu sócio é o Tiago Cardoso, também ele riomaiorense. No momento em que decidiu embarcar no projeto de reformulação da empresa, juntamente comigo, encontrava-se a chefiar o Restaurante «O Talho», do Chef Kiko, em Lisboa, e veio para Rio Maior para levarmos este projeto por diante. Ele é o responsável técnico e eu o da gestão.

REGIÃO – Como se deu a sua entrada para a lista da coligação?

MS – Estava eu muito bem na minha empresa quando me foi lançado o desafio pelo CDS, de integrar a lista da coligação Juntos pelo Futuro à Câmara Municipal de Rio Maior. O desafio, de que eu não estava nada à espera, surgiu numa conversa, até muito informal. Não disse logo que sim, ponderei a minha vida e coloquei uma questão a mim próprio com toda a honestidade; Eu filiei-me na política a partir do momento em que os jovens têm idade para se filiarem nas juventudes partidárias e desde que o fiz sempre fui muito reivindicativo, sempre gostei de lutar por aquilo que achava ser o melhor, pelos direitos, etc. e concluí: ora se eu sou crítico em relação a tudo e mais alguma coisa, então tenho que me colocar nalguma estrutura que me proporcione trabalhar, poder ajudar e intervir, portanto se esta é a primeira hipótese que tenho de colocar a minha capacidade ao serviço das pessoas, vou recusar o desafio? Não! Mais uma vez decidi avançar mas fi-lo acima de tudo para eleger o projeto em que eu acredito.

REGIÃO – Voltemos à sua empresa; como é que se chama?

MS – Quinta da Senhora do Ar.

REGIÃO – Porquê Senhora do Ar?

MS – Sediei a minha empresa numa quinta familiar, que herdei dos meus avós. Num dos terrenos que está anexo à Quinta existem umas ruínas do que era a Capela da Senhora do Ar e conta-se a história que um dia ali se despenhou um avião cujo piloto pediu à Senhora do Ar que o ajudasse naquele transe e sobreviveu. Eu achei que Quinta da Senhora do Ar era um nome diferente do comum dos nomes e adotei-o para a empresa. Na minha empresa é assim que trabalho; além do que a Quinta da Senhora do Ar para mim representa eu acho que é um nome que fica no ouvido – e não tive problema nenhum no registo.

REGIÃO – Já agora, em que ramo é que está a Quinta da Senhora do Ar?

MS – É aquele em que a minha família sempre trabalhou, o ramo dos produtos alimentares, ao qual eu acrescentei o ultracongelado. Felizmente é um desafio que está a correr bem. Hoje em dia o mercado está muito difícil e quando se fala em inovação eu sou um bocadinho crítico quanto a inovar-se porque sim… Eu penso de maneira diferente e estou grato não só por algumas palestras de que beneficiei mas também porque alguém me reconhece alguma capacidade como empreendedor. Então eu digo sempre que nós, quando temos que fazer uma reunião com a nossa empresa, com os nossos colaboradores para inovarmos seja no que for, não vamos estar a tentar criar uma coisa que não existe para satisfazer uma necessidade que não existe. Não! Nós devemos é olhar para aquilo que teve êxito no mercado e interrogarmo-nos por que razão é que deixou de o ter, agarrar nessa mesma coisa, transformá-la e apresentá-la de maneira diferente às pessoas.

REGIÃO – Quer exemplificar?

MS – Dou-lhe um excelente exemplo: um dos produtos que comercializamos no ramo dos ultracongelados é o pão. Os portugueses são grandes consumidores de pão que por isso é um dos produtos que mais se vende nosso país, um negócio que tem a sua rendibilidade. Só que começou a haver muitas padarias, muitas pessoas a investir no negócio do pão. Perante isto, a minha primeira decisão foi combater o desperdício, que é um dos problemas das empresas que não conseguem alcançar rendibilidade; se ao pouco que se vende no mercado tradicional se juntar o desperdício, na maioria dos casos vai-se perder dinheiro. No nosso caso, como é que havia de evitar o desperdício? Agarrar no pão normal e torná-lo um produto ultracongelado – com a mesma qualidade e é aí que está o desafio –, e até, quem sabe, proporcionar aos meus clientes a sua confeção na hora para que o possa servir por sua vez aos respetivos clientes, com mais qualidade.

É claro que quando inovamos vem tudo atrás… E mais uma vez nós procurámos inovar dentro da inovação. A última inovação que introduzimos e já está no mercado com algum sucesso, passa pela criação do slogan «Comer Pão Também é Saúde» e pela transformação de alguns dos nossos produtos de panificação e ultimamente lançámos uma linha de pão de sementes de girassol, uma linha de pão de ervilhas, outra de pão de beterraba e ainda uma de pão de chia, com os correspondentes coloridos, porque para nós é importante dar cor às montras, dar cor à vida porque com o avançar da idade e as dificuldades que atravessam, as pessoas vão perdendo o ânimo. Por outro lado, respeitando o princípio «Comer Pão Também é Saúde» pretendemos contribuir de forma responsável para a saúde dos nossos consumidores – e conseguimos.

Estas linhas de pão saíram muito antes da medida, recente, do Governo, no sentido de os hospitais não poderem vender doces. Não nego que inicialmente tivemos alguma dificuldade em incluir estes novos produtos no mercado, porque as pessoas não estavam prontas para consumir um pão diferente daquele a que estavam habituadas… Mas eu já tinha defendido em vários fóruns que era pela saúde que o futuro passava e essa mensagem contida no nosso slogan foi sendo interiorizada pelos consumidores.

Trabalhamos há muito tempo com uma das empresas responsáveis pelas cafetarias dos hospitais e que é a maior empregadora da zona Centro, que teve que se adaptar e tomar medidas drásticas. Empresas do nosso ramo, que trabalhavam quase exclusivamente para eles em doces e salgados longe dessa linha saudável, hoje estão a atravessar dificuldades imensas, porque estavam de tal maneira focadas naquele tipo de produtos para aquele cliente específico, que não têm capacidade imediata de reformular a sua estratégia. A estratégia faz-se ao longo dos anos, faz-se de conhecimento e de experiência mas não se faz de um dia para o outro – ninguém está preparado para isso! Nós entrámos por essa linha mais responsável e é nela que pretendemos continuar a evoluir.

E por falar em evolução deixe-me contar que para surpresa nossa acabámos de receber a notícia de que foi aprovado um projeto que submetemos na área agrícola. Por isso, no futuro também vamos investir em agricultura sustentável.

REGIÃO – Parabéns! Resta dizer que a Quinta da Senhora do Ar situa-se em Rostos, na freguesia de Landal, no vizinho concelho de Caldas da Rainha, no limite com o município de Rio Maior.

MS – Exatamente: em Rostos.

Nota | Esta entrevista divide-se em duas partes. Nesta primeira parte falámos mais com o empresário do que com o político. Na segunda parte falaremos dos projetos em que o jovem vereador Miguel Santos está envolvido.

Texto e fotos: Carlos Manuel

Categorias:Sociedade Tags: , , , , , , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

Região | Judoca da Académica de Rio Maior é Campeão Nacional Região | Judoca da Académica de Rio Maior é Campeão Nacional
Região | Agrupamento Marinhas do Sal de Rio Maior, na Suécia Região | Agrupamento Marinhas do Sal de Rio Maior, na Suécia
Região | Futebol: Em jornada desastrosa RMSC deixa Forense empatá-lo Região | Futebol: Em jornada desastrosa RMSC deixa Forense empatá-lo
Região | Junta de Rio Maior apoia empresários da restauração Região | Junta de Rio Maior apoia empresários da restauração

Responder

Enviar Comentário

© 2019 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.