Mina do Espadanal é património com futuro

Tão próximo de Lisboa, é preciso que haja capacidade de fazer uma oferta turística, num roteiro geológico e mineiro.

José Silva Pereira.

José Silva Pereira.

Um dos oradores, no Encontro das Comunidades Mineiras de Portugal realizado em 23 de julho findo em Rio Maior, no âmbito das comemorações do Centenário da Mina do Espadanal foi o Dr. José Silva Pereira, diretor de Serviços de Minas e Pedreiras, que representou a Direção Geral de Energia e Geologia – DGEG, entidade convidada pela EICEL1920, Associação para a Defesa do Património promotora do referido Encontro.

A intervenção de José Silva Pereira interessa sobremaneira aos riomaiorenses pois contribui substancialmente para uma noção cabal das potencialidades do património geológico e mineiro do concelho de Rio Maior para efeitos de aproveitamento cultural e turístico.

O especialista descreveu o concelho de Rio Maior em termos de património geológico e mineiro como sendo “de uma diversidade enorme, tal como é o país”. E passou a detalhar:
“… ali mais a norte, no maciço calcário” existe “a exploração de pedreiras”, aqui “vemos a exploração de caulinos e de areias com sílica, nesta baixa onde agora está situada a Escola Superior de Desporto” de Rio Maior “que tem um potencial enorme em termos de país”.

Prosseguindo, Silva Pereira ponderou que se encararmos o potencial do património geológico e mineiro do concelho “não pela perspetiva económica, que se situaria em termos de valor bruto na ordem dos 18 milhões de contos por ano, com uma dezena ou uma dúzia de empresas”, diria agora que “pelo lado do património geológico e mineiro mas noutro sentido de valores que não o valor económico direto, começamos por ter desde logo também no maciço calcário a Gruta de Alcobertas, um pouco mais abaixo, à direita, a antiga Pedreira da Pena onde existem, naquela zona de basalto, umas figuras prismáticas com um interesse enorme em termos geológicos, depois no vale tifónico onde se situam as Salinas” das quais “emerge uma exploração tradicional de um benefício público… Digamos que o concelho tem, por essa vertente, uma importância significativa que vem culminar com um passado histórico que pode não ter sido, até agora, dimensionado nas vertentes culturais mas pelo menos na vertente de património geológico e mineiro tem-no, como é o exemplo das antigas minas de carvão aqui existentes”.

O diretor de Serviços de Minas e Pedreiras da DGEG recordou, neste Encontro de Mineiros, que no país “a maioria destas minas encerrou em função do modelo industrial que o país tinha” e que foi “alterado, fundamentalmente com a nossa entrada na Comunidade Europeia”, devido “a algumas situações ambientais, algumas das quais causavam fortes prejuízos nessa matéria”. Atualmente, em Portugal, estão em laboração apenas três minas subterrâneas: as duas do Alentejo e a Mina da Panasqueira que terá mais ou menos a idade da Mina do Espadanal.

Perante a evidência desses encerramentos, “o que importa agora é encontrar formas de valorizar os recursos, não pela sua extração mas sim pela sua valorização no local”, defendeu o Dr. José Silva Pereira. Expondo o seu ponto de vista, explicou que o que interessa para essa valorização “não é o valor da matéria-prima em si”, é sim “o valor estético, o valor cultural, o valor de ponto de passagem de atração turística que tem, como é o caso da exploração do sal-gema nas Salinas de Rio Maior. É essa a capacidade que podemos ter em cada local, neste caso neste concelho que tem uma diversidade geológica significativa: a capacidade de podermos, por esse outro lado, fazer uma oferta turística próxima de uma zona como é Lisboa, num roteiro que eu diria geológico e mineiro, em função da diversidade que constituiu a geologia” deste território. “Eu costumo dizer que não são só os aspetos da biodiversidade, aos quais já nos habituámos, que contam, mas também os da geodiversidade” que por exemplo, “no fundo determinaram a classificação do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros”.

O diretor de Serviços de Minas e Pedreiras finalizou a sua intervenção afirmando que a Direção Geral de Energia e Geologia tem vindo a tentar contribuir para essa nova abordagem às potencialidades geológicas e mineiras. “A Lei de Bases dos Recursos Geológicos, saída em 2015, já possibilita a classificação de áreas em vertentes que não exclusivamente a vertente concessível, económica, de extração. “Está em curso a possibilidade de se vir a regulamentar essa Lei”, pelo que “espero que no futuro haja a possibilidade de o património geológico e mineiro do país poder ter uma classificação específica, porque nalgumas situações nós estamos garantidamente para além dos valores de património cultural ou de conservação da natureza: são situações específicas que merecem um tratamento específico e deveria o país ter neste prisma e em termos legais figuras capazes de absorver esse tipos de existência que interessa fomentar”, comentou.

José Silva Pereira trabalhou durante muitos anos em Rio Maior, tempos que, confessou, recorda com saudades.
Conhecido o teor desta intervenção no Encontro das Comunidades Mineiras de Portugal, que teve lugar no auditório da Escola Superior de Desporto, torna-se fácil perceber por que razão a EICEL1920 vem pugnando pela introdução em Rio Maior do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal “onde se espera que a Mina do Espadanal venha a ser inscrita, abrindo-se caminho à inscrição, também, como já aconteceu, das Marinhas do Sal, por parte da CMRM”. Aliás, dando mais uma achega a essa finalidade, a EICEL teve no Painel Científico do Encontro das Comunidades Mineiras, comemorativo do Centenário da Mina do Espadanal, Bernardo Lemos, representante do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal, que falou do referido Roteiro como “Um contributo para o Conhecimento e a Valorização do Património Mineiro e Geológico”.

Texto e fotos: C. M.

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