Não levou a saúde a sério? Não faça o mesmo com a doença

Não levou a saúde a sério? Não faça o mesmo com a doença.

Texto: Garcia Cruz.

Há algumas semanas, uma pessoa minha amiga, sabendo que eu comprava regularmente suco de aloé vera de boa qualidade, embalado em garrafa de vidro (difícil encontrar), pediu-me para lhe comprar algumas embalagens. Ao aloé vera atribuem-se inúmeras propriedades curativas. Conta-se até que Cristóvão Colombo tê-lo-á designado de “médico em vaso.”

Apesar dos propalados benefícios desta planta, sabendo eu que a pessoa em causa tinha sofrido há pouco tempo de um problema grave de saúde e que não estava ainda completamente recuperada, recomendei-lhe que falasse sobre o assunto com o médico que a estava a tratar. Afinal, a interacção da planta com a medicação podia ser-lhe nefasta. Ela concordou com a sugestão. Porém, convencida de que o referido produto tinha efeitos benéficos no seu problema, decidiu começar de imediato a consumi-lo. Falando mais tarde com o médico obteve então permissão para a decisão já tomada.

Não sou contra que as pessoas recorram a tratamentos “alternativos” ou complementares à medicina convencional. Eles são muitas vezes parte da solução ou mesmo a solução para um problema de saúde para o qual a medicina nem sempre oferece resposta. Mesmo assim, havendo acompanhamento médico, este profissional deve ser sempre conhecedor das decisões do doente e este da opinião do médico. Por outro lado, a opção por um tratamento não convencional (não é o caso), sobretudo em doenças graves, deve, invariavelmente, ser seguido por um profissional devidamente qualificado. A verdade é que os doentes quase nunca têm conhecimentos suficientes para resolver problemas de saúde, nomeadamente problemas graves. É normal que assim seja. O papel do doente é sobretudo importante em termos de prevenção (o que raramente é feito). Uma vez instalada a doença, o caso muda de figura e os doentes têm que perceber isso se querem ser parte activa e útil no processo de cura. Não se deve ter receio de falar com o médico e apresentar-lhe todas as dúvidas e ideias sobre a doença. Ele tem o dever de escutar e esclarecer o doente. Pedir mesmo uma segunda opinião é uma atitude inteligente e um direito a respeitar. O que não é nada inteligente é esconder informações importantes, podendo com isso originar maiores complicações para a saúde ou mesmo uma séria ameaça para a vida. Além do mais, é uma falta de respeito pelo profissional de saúde.

Se ainda gosta de viver? Se não levou a saúde a sério? Então não faça o mesmo com a doença. A vida é bela. Aprenda a lidar com ela.

Nota: Texto em desconformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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