O Carnaval em Rio Maior

Memórias de Amilcar Barbosa

O Carnaval em Rio Maior

Amilcar Barbosa.

Amilcar Barbosa.

Pela minha longa idade e, por isso, já me falha um pouco a memória, procurarei contar algumas coisas relativas a esta quadra, passadas no Rio Maior de antigamente. Contrariamente ao habitual, a ordem dos factos descritos é arbitrária, por isso começo por Carnavais do meu tempo de adolescente, quando o Grupo Cénico Zé Pereira estava na sua máxima força. Os seus componentes organizaram esses eventos com um corpo de carros alegóricos que trazia a Rio Maior centenas de forasteiros. Infelizmente, depois de as autoridades do centro socialistas terem ido para o poder local, todo o seu interesse foi para o futebol, onde nunca tivemos destaque mas onde se gastaram milhares de milhares de contos de reis. Uma espécie de obsessão, direi quase infantil de quem de direito, deixando de parte um acontecimento que já tinha dado as suas provas.

Noutros Carnavais antigos, destaco um que, pela sua originalidade, é digno de recordar. Nessa época, havia em Rio Maior duas bandas de música: chamavam a uma a música nova e, à outra, a música velha. Havia grande rivalidade entre os adeptos de uma e de outra. Foi então que um riomaiorense, numa noite em que as duas iam dar uma arruada, um dos adeptos – isto à noite – pôs-se em cima do parapeito de uma janela, de cócoras, nu da cintura para baixo, com duas velas acesas, uma de cada lado, a iluminar o espectáculo. Este senhor cujo nome não recordo era pai do cidadão riomaiorense José Pedro (…). Já viram o espectáculo que foi?

Rio Maior, num carnaval provavelmente na década de 1940.

Rio Maior, num carnaval provavelmente na década de 1940.

Igualmente pelo Carnaval puseram em plena rua, em cortejo, uma burra ajaezada com um painel de cada lado do corpo, a dizer: mal empregados sessenta réis. Ora, sessenta réis equivaliam a três vinténs (dizia-se que uma mulher que ainda era virgem tinha os três vinténs). Isto em relação com uma das minhas avós, chamava-se Idalina, e tinha apenas 16 anos. O meu avô tinha 60 anos, coitado, apenas durou seis meses mas deixou um filho que foi o meu pai.
Mais recentemente, no Carnaval em Rio Maior, um dos eventos mais importantes eram as revistas teatrais representadas pelo Grupo Cénico Zé Pereira no velho Teatro Riomaiorense.

Além de outros, brilhavam como profissionais os senhores Fernando Rato e José da Silva Pulquério, em rábulas teatrais de crítica a coisas e pessoas da nossa terra. Eram espectáculos que atraíam a vinda de forasteiros de Alcobaça, Benedita e Caldas da Rainha.

Chegou a ter enchentes em que se esgotavam os bilhetes: o nosso grande amigo Sr. Fernando Casimiro, pegando em qualquer papel, à mão escrevia “vale uma plateia” ou “vale uma geral”. Isto permitia a entrada de espectadores que ficavam de pé nas coxias, encostados às frisas e em tudo o que era espaço.

Desta maneira se divertiam os nossos antepassados no Carnaval.

OBS – Texto em desconformidade com o acordo ortográfico.

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