A agricultura intensiva e o seu impacte ambiental

O impacte ambiental da agricultura intensiva.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

A agricultura intensiva é o sistema de produção agrícola que visa a obtenção de grandes volumes de um único tipo de produto, utilizando insumos – sementes, máquinas, fertilizantes, agrotóxicos – de elevado custo. Em regra, está associada a um generoso uso de pesticidas, herbicidas, fungicidas, adubos, a tecnologias de rega dispendiosas e à criação de condições artificiais de ambiente, como é o caso das estufas. Por vezes a qualidade do solo tem importância relativa, pois grande parte dos nutrientes é obtida à custa da incorporação de adubos na água das regas. É o que sucede com a produção forçada, nomeadamente, em estufas.

Da elevada utilização de alguns insumos pode ocorrer um alto impacte ambienteal pois não é percorrida a rotação, geralmente utilizada em agricultura extensiva, que permite a recuperação dos solos em exploração e evita a exaustão de nutrientes. Para além disso são utilizados métodos de controlo de pragas menos agressivos e embora se obtenha uma menor produção com um maior custo, são inestimáveis os benefícios para o meio ambiente e para a saúde humana.

A agricultura intensiva é considerada como o fruto da revolução industrial visto estar plenamente integrada na sua lógica como consumidora de máquinas, agrotóxicos, produtos químicos, etc. e, como produtora quando abastece de matérias-primas a indústria processadora de alimentos. Por outro lado, utiliza grande fluxo de combustível e maquinaria elétrica, usa muita energia na produção de bens e serviços e no processamento e transporte dos produtos. Atualmente muitos ambientalistas há que consideram a prática da agricultura intensiva um dos grandes males do nosso tempo visto que, para além da redução das áreas naturais, pode alterar o equilíbrio ecológico mercê da diminuição da biodiversidade florística e faunística, a que está associada. Um maior rendimento, resultante da obtenção de um produto mais abundante será a principal vantagem.

Teoricamente, produtos agrícolas como legumes, frutas, etc. serão menos caros e, portanto, mais acessíveis à população de menores recursos económicos. Na realidade nem sempre assim acontece. A comercialização cartelizada dos produtos agrícolas, obsecada pelo lucro que, ainda por cima, conta com a complacência do poder político que lhe permite explorar os pobres que não dispõem de qualquer defesa, contraria o benefício.

Os prazos de validade, invenção relativamente recente do marketing comercial é, muitas vezes, um convite a deitar para o lixo alimentos em perfeito estado de conservação, obrigando à compra de substitutos de qualidade idêntica, ou até inferior. Na realidade a qualidade do produto não reside no tempo de armazenamento mas no modo como ele é executado. Quando o produto é embalado fresco e adequadamento conservado, o seu prazo de validade é apreciável. O que acontece é que esses cuidados nem sempre são observados e daí a sua deterioração. Assim se aumentam vendas… e lucros!!! Eis um bom exemplo, existem outros, de como é possível subverter os benefícios de uma produção intensiva de alimentos em nome de um fácil e despudorado lucro. A imposição de contratos leoninos de fornecimento de produtos agrícolas que impõem qualidade, sabiamente desvalorizada para reduzir o seu valor, prazos de pagamento amplos que permitem o financiamento dos compradores com o sacrifício dos produtores, exclusividades que impedem um abastecimento mais plural… não só anulam a grande vantagem da produção intensiva abundante, como também impedem a diminuição dos preços a que poderia ser oferecida à população mais pobre, para não falar no estiolamento da pequena agricultura extensiva, hoje mais de sobrevivência, e dos benefícios económicos e sociais a ela associados.

As praças e os mercados onde o pequeno agricultor transacionava regularmente o que produzia, são uma sombra do que eram há um quarto de século, quando a expansão do grande comércio se iniciou em força, “secando” os pequenos negócios de rua. Instalado na periferia dos centros urbanos, desfrutando de localização estratégica, acessos fáceis e oferecendo uma variada gama de produtos os hipermercados cedo desencorajaram as compras no pequeno comérico de rua onde o estacionamento exíguo ou inexistente, o dumping impossível, e os preços mais elevados foram fatores que contribuíram decisivamente para o afastamento dos clientes e para o encerramento dramático de milhares de establecimentos comerciais de pequena e média dimensão. É por isso que os centros históricos da maior parte das cidades são já autênticos museus onde metade do comércio encerrou e a outra metade para lá caminha. Pouco a pouco os centros históricos vão ficando desabitados e degradados, cedendo lugar a habitantes indesejáveis ligados à criminalidade e á droga. O planeamento camarário, que deveria obstar a situações desta natureza, não deixa de ter muitas responsabilidades neste domínio… vá-se lá saber porquê??!!!… É que a conquista de votos não justifica o abandono patente.

A agricultura intensiva pode afetar o meio ambiente de diversas formas. Uma das que maiores problemas vem causando é a desflorestação que, diminuindo a área florestal para aumentar a superfície agricultável ou de pastoreio, vem ativando o fenómeno erosivo e a diminuição da biodiversidade. Por outro lado a utilização de grande volume de fertilizantes contamina as águas superficiais de lagos, rios e lençóis freáticos, causando problemas ao abastecimento das populações. Os pesticidas eliminam as pragas mas também os insetos benéficos, e os resíduos dos agrotóxicos, abundantemente utilizados em processos intensivos de produção, podem ter implicações muito graves na saúde dos consumidores o que está demonstrado por estudos realizados que mostram haver uma relação direta entre o consumo de alimentos, produzidos por métodos intensivos, e o aumento de doenças cancerosas.

Os adubos ou fertilizantes são compostos químicos que se utilizam nos solos agrícolas para obter melhores produções. De aplicação fácil e rápida, se adequadamente distribuídos, podem aumentar substancialmente as colheitas. No entanto o seu uso intensivo acelera o empobrecimento dos solos e como, geralmente, são compostos azotados, fosfatados ou potássicos podem ser agentes importantes de contaminação do meio ambiente. A qualidade nutritiva dos alimentos obtidos com fertilizações intensivas é menor, para além de poderem conter resíduos dos produtos químicos utilizados que poderão ter implicações negativas na saúde dos consumidores.

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Um Comentário

  1. Isabel Ferreira diz:

    Artigo com muito interesse,vale a pena ler e meditar…

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