O Pavão

O Pavão

artigo de opinião de Miguel Félix Paulo*

Na passada semana (nr.: terceira semana de julho de 2017), e de forma discreta, foi instalada no Jardim Municipal de Rio Maior (quase frente à antiga Rodoviária) uma estrutura metálica em forma de Pavão – uma ave.

Foi uma ideia brilhante e ficou, simplesmente, fantástico!

Não tinha de ser maior nem menor, não tinha de ser qualquer escultura abstracta ou uma qualquer outra forma que fosse buscar o “cliché” de se identificar com a terra no mais óbvio, uma pirâmide de sal, por exemplo. Assentou de forma disruptiva no lençol verde do Jardim Municipal e é, talvez, a primeira grande inovação desde que substituímos o “velho” por este “novo” Jardim.

Delicia pela parte técnica no que toca à sua estrutura em ferro, à sua arquitectura e desenho, até à cobertura com inúmeros e sucessivos discos metálicos uniformes, unidos por pingos de solda que em si mesmo dão o reflexo à plumagem de um Pavão real; delicia pelo colorido das flores que fazem de manto, as primeiras que o jardim vê depois da sua requalificação; delicia pelas inúmeras pessoas, crianças e crescidos, que ficam deslumbrados com a novidade e se apressam a tirar “selfies” que logo “postam” nas redes sociais, o que acaba por criar uma onda de atracção pelo Pavão, pelo Jardim, e por Rio Maior.

O Pavão é uma ave, da família dos faisões, primo dos galináceos, que pode viver de 10 a 25 anos, sendo os indianos os de maior longevidade. Existem da Europa a África, passando pela Ásia, e apresentam como grande sinal distintivo a sua cauda em forma de leque. Quanto mais plumas e mais cor estas tiverem nos machos, maior a preferência das fêmeas. É um sinal de saúde e bom material genético. Sendo um animal de porte frondoso e elegante, movimenta-se com classe e pausadamente, espalhando o seu charme, deixando de ser discreto quando abre o seu “leque” ou quando acha que deve intervir com o seu canto, pupilo ou grito.

Quem não se lembra de uma entrevista do então Primeiro-Ministro José Sócrates a Judite de Sousa, na TVI, em 26 de Abril de 2011, onde o que mais se ouviu foi o Pavão que gritava nos Jardins de São Bento?!

Talvez com origem em Itália, na Renascença, mas mais desenvolvida em Espanha, a «Pavana» é uma dança nobre e lenta, cortesã, que depois passou a instrumental e ficou mais conhecida pelos Compositores Clássicos Maurice Ravel e Gabriel Fauré – «Pavanne», dizem os estudiosos que talvez inspirada na classe do porte e movimento, precisamente, do Pavão.

Posto isto, chegamos também à nobre conclusão de que em Rio Maior há potencial criativo, nas pessoas e nos meios, a custos acessíveis, com trabalho, esforço e dedicação, mas perfeitamente alcançáveis.

Se aqui ao lado, no Concelho do Bombarral, temos o Buddha Eden Garden, de iniciativa particular, que tantas pessoas atrai ao longo do ano na procura de um espaço diferente, disruptivo no seu ambiente cultural e que oferece uma tranquilidade estética e psicológica a quem o visita, porque não poderá Rio Maior ter estruturas do género do Pavão espalhadas por aí, na Cidade e nas Freguesias?

Também somos livres de perguntar, o que tem Buddha a ver com o Bombarral senão a coincidência da primeira letra no nome?

O que nos leva a cavalgar a onda criativa de propor que os próprios Munícipes proponham. Concursos de fotografia – agora que é digital e fácil de produzir, imprimir, divulgar. Poesia, prosa, escultura, pintura, teatro, performance … De certo modo a reedição dos «Jogos Florais» que em tempos a Câmara Municipal promoveu e que nunca foram desenvolvidos e actualizados, até que caíram em desuso.

Temos Riomaiorenses capazes, interessados, disponíveis para aprender e ávidos de contribuir com as suas capacidades para uma Comunidade mais aberta e criativa.

A maior parte dos custos de organização destes eventos já estão internalizados nas Instituições e os que acrescem são perfeitamente geríveis.

Não há razão aparente para esta lacuna. Levar pessoas a percorrer 50 km para verem um Pavão em metal, com flores, no meio de um Jardim, é muito fácil nos dias que correm. E sempre bebem mais um café, vêem outras coisas, tiram uma fotografia, divulgam a amigos e é destes pequenos nadas que se criam movimentos. Que depois têm de ser alimentados e explorados.

Consta que a obra teve o desenho de uma Arquitecta Paisagista dos Serviços Municipais e que a execução teve lugar nos Estaleiros Municipais, pelas mãos de um Serralheiro, funcionário Municipal – isto porque, à data, não consta no Pavão a respectiva placa com a identificação dos autores/executores, o que desde já sugiro que aconteça.

Se assim foi, Rio Maior deve estar satisfeito por ter pessoas assim ao seu Serviço, deve dar-lhes os Parabéns pelo feito e deve encorajá-los a continuar com a criatividade e brio, enaltecendo o Executivo Municipal que fomentou e permitiu.

Sem demérito por todas as acções e eventos criativos, em várias áreas, que têm vindo a ser realizados por Instituições, Empresas e Particulares, seria bom que este Pavão servisse de inspiração para uma nova vaga de criatividade que o Concelho precisa para de uma forma actual, salutar e empreendedora se afirmar mais no contexto Regional e Nacional.

Seria um sinal de saúde, longevidade e, dá charme.

Senão, a também inspirada expressão “pavonear-se por aí” não nos caberá. Não temos bem do que nos pavonear: ainda só temos um pavão…!

Notas:

  1. Artigo publicado na edição nº 1503 de 28/7/2017 do jornal Região de Rio Maior.
  2. Texto escrito em desconformidade com o Acordo Ortográfico.
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