Opinião – Charlie Hebdo: ataque à Liberdade de Expressão

Depois de passar uma “vista de olhos” pelos textos que têm sido escritos nas últimas horas, no seguimento do que se passou em França, parece-me haver por aí muito boa gente que não compreende o que foi colocado em causa com o infame ataque ao Charlie Hebdo: a LIBERDADE DE EXPRESSÃO!

Charlie Hebdo: ataque à Liberdade de Expressão

por: Houari Costa

A liberdade de expressão é, muito possivelmente, a maior conquista do “mundo livre” e, apesar de ser algo que não espero que seja compreendido por todos (uns porque nunca o tiveram e outros porque sempre o tiveram), tem de ser respeitado, acarinhado e mantido, sob pena de regressarmos à Idade Média e aos tempos da Censura e da Inquisição (quem não sabe o que é, que “google”).

As opiniões são como os umbigos, todos têm mas não é por isso que umas são melhores do que outras, no entanto há algumas que não têm lógica absolutamente nenhuma, como as que tentam justificar o injustificável. Nesse particular, há uma frase que me tem surgido incessantemente e que, quanto a mim, se trata de uma concordância (ainda que encapotada) em relação a um acto bárbaro sem desculpa possível, como que dizendo “eles andavam a pedi-las”.

 A frase em questão, que serve para cimentar as mais diversas opiniões (umas mais inteligentes, outras completamente obtusas), é: “É preciso haver limites quando se trata de crenças religiosas…” (e outras variantes) … ora, isto é a coisa mais absurda com que se pode argumentar e, por outro lado, é uma ofensa a quem defende a liberdade de expressão (mas esses não andam por aí a matar ninguém).

Já que há fanáticos para tudo, por essa ordem de ideias, é preciso haver limites quando o assunto são clubes de futebol, partidos políticos, marcas de automóveis (de telemóveis é melhor nem falar), e por aí fora, pois corremos o risco de bulir com crenças tão (ou mais) profundas que as religiosas… bem… se calhar, o melhor mesmo é andarmos todos caladinhos e não criticar/satirizar absolutamente nada!

É engraçado que se defenda a ideia de um limite na liberdade de expressão, porque a liberdade de expressão que permitiu a existência do Charlie Hebdo é a mesma que permite à população (neste caso a europeia) exprimir-se religiosamente, independentemente da sua crença, algo que não é possível em muitos outros países.

Não me venham com tretas!!! Não há desculpa ou justificação possível para o que foi feito ontem!

Primeiro porque não existe desculpa para se tirar uma vida, depois, porque se tratou de um acto cobarde perante pessoas desprevenidas e desarmadas e por último, porque mesmo que se trate da defesa de uma crença ou ideal, estas duas (ou três) “virgens ofendidas” vivem afinal num país onde impera a liberdade de expressão e como tal só têm é de aceitar essa mesma liberdade de ter/exprimir opiniões diferentes das suas… se não gostarem, podem sempre emigrar para um local onde não tenham de “levar” com essas opiniões… matar é que não!

Resumindo, pode-se gostar, ou não, da sátira/crítica religiosa, mas tentar justificar, com o fanatismo religioso, o fim da liberdade de expressão, será sempre o princípio do fim da sociedade moderna, que cada vez mais se deve reger pela tolerância e respeito de cada um pelas ideias e ideais do próximo.

Se devem existir limites á liberdade de expressão!? Meus caros, eles já existem! Esses limites estão consagrados na constituição de cada país europeu (e não só), que fornecem a cada indivíduo, grupo ou instituição os meios legais para manter o seu bom nome e reputação… até porque a liberdade de uns acaba onde começa a de outros.

Por último, aproveito para relembrar as doze vítimas do ataque de ontem, que pereceram na defesa pela sua convicção e crença (a LIBERDADE DE EXPRESSÃO), que não sendo religiosa, é tão válida (ou mais) como quaisquer outras, deixando uma frase de um conhecido autor, para reflexão sobre o valor da Liberdade de Expressão:

“Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até à morte o direito que tens de as dizer.” – Voltaire

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