Os melhores de 2017, uma lista comprada por Paulo Louro

Os melhores de 2017, uma lista comprada por Paulo Louro

Como escolher os melhores álbuns do ano que chegou ao fim? Uma questão relativamente fácil de responder há coisa de uns anos atrás em que se faziam estas listas baseadas nos álbuns editados em Portugal, por tipo de suporte físico (primeiro LP e depois CD) e num período específico de tempo. Como proceder agora? Em 2017, a primeira condição que vou deixar cair, é que não faz sentido limitar o país de edição numa altura em que a maior parte das edições têm apenas edição digital, alojada num site/serviço no vasto mundo da web. A segunda idem, até mesmo para um troglodita como eu, vindo do meio da serra, comprar um disco pela internet já não constitui grande habilidade, mesmo sendo um aficionado do objecto físico que é o disco/cd/lp. A terceira, o período de tempo, não é, neste caso, variável, uma vez que é um dado definido pelo convite que me foi endereçado e que, agradecidamente, aceitei. Assim, cumprindo estas três condicionantes, parece ainda mais fácil, só tenho de falar de uma lista de discos importantes em 2017, o único problema que surge é a imensidão de álbuns editados em 2017, impossíveis de cobrir por uma pessoa só. Para uniformizar a coisa, e porque é impossível apresentar uma lista dos melhores álbuns de 2017 muito extensiva, vou apresentar a lista dos melhores álbuns de 2017 que eu comprei. Creio que será mais justo, quer para com quem está a ler, porque significa que não fui a correr ver as listas que foram sendo publicadas entretanto e também não estou para aqui a falar de álbuns que não cheguei a ouvir, e por outro lado para as bandas/artistas de que estou a falar porque retribuí pecuniariamente o prazer que me proporcionaram com o seu trabalho, ou parte, pelo menos. Por isso aqui vai; dez sugestões para uma lista dos melhores álbuns de 2017 (sem qualquer ordem de preferência), comprados por mim.

– Lo-fi Moda, Ermo (PT). NorteSul – Valentim de Carvalho Edições; Electrónica densa feita por dois bracarenses, cantada em português numa assertividade pop. Música favorita: ctrl + C ctrl + V.

Link: https://ermo.bandcamp.com/album/lo-fi-moda

– Ty Segall, Ty Segall (US). Drag City; Álbum homónimo de 2017 e o 12º da sua carreira, gravado por Steve Albini, Ty Segall, rock’n’roller máximo dos 00, a par de John Dwyer dos Thee Oh Sees, edita um conjunto de canções que vão desde a destruição de um fuzz no 11 à jingle jangle do folk rock, apresentando pelo meio um devaneio jazz-metal de cerca de 10 minutos, acabando o disco com uma música de uma só nota. Consta que no início de 2018 já há disco novo, grande parte dele já está disponível no Bandcamp. Música favorita: Papers.

Link: https://tysegall.bandcamp.com/album/ty-segall

– Domingo à tarde, Éme (PT). Cafetra Records. Talvez o álbum mais influenciado por Zeca Afonso e José Mário Branco da sua discografia, oiça-se a magnífica Buraquinho e logo a seguir Tédio, é um álbum que me acompanhou muito este ano sempre com um sorriso de ver possível um miúdo editar um álbum tão certeiro e tão popular na sua temática, impossível esquecer “Lei é do cu e liberdade é do coração.” Música favorita: Buraquinho.

Link: https://cafetrarecords.bandcamp.com/album/domingo-tarde

– Good Boys, Stone Dead (PT). Lovers and Lollypops. Segundo álbum do quarteto de Pisões, Alcobaça, excelsos rockers, Jonas, João, Bruno e Leonardo, editaram um dos melhores álbuns do ano para meter a aparelhagem no 11 e rockar como se não tivéssemos dores nos joelhos, garganta e ouvidos. Ao vivo ainda são melhores. Para além do belo disco, são responsáveis pela Filho Sarilho e por grande parte dos concertos no eixo Alcobaça, Leiria. Grande vénia a estes rapazes, tentem apanhá-los ao vivo, não se vão arrepender. Música Favorita: Moochild.

Link: https://stonedeadpt.bandcamp.com/album/good-boys

– In the Same Room, Julia Holter (US). Domino Recording Co. Ltd. Álbum gravado ao vivo em estúdio com a banda que a acompanhou na sua digressão de 2016, apresenta Julia Holter numa reinterpretação mais orgânica e espontânea dos seus principais temas, evidenciando as suas belas composições e voz. Música favorita: Silhouette.

Link: http://www.juliashammasholter.com/

– Casa de Cima, Pega Monstro (PT). Upset The Rhythm & Cafetra Records. Segunda entrada da Cafetra, terceiro álbum das irmãs Reis, Maria e Júlia, revela um jogo intrincado de melodias vocais e punk. De Lisboa para o mundo com a melhor linha punk do ano: “E tá na hora de espancar /A cabecinha dos betinhos /Bora partir /Um de cada vez”. Deram um grande concerto em Rio Maior, só interrompido pela célere diligência da GNR. Música favorita: Cachupa.

Link: https://pegamonstro.bandcamp.com/

– Vibe Killer, Endless Boogie (US). No Quarter Records. Uma banda que começa por ser uma jam semanal às quintas feiras transforma-se numa máquina infernal de blues/boogie/rock psicadélico ou qualquer coisa que faz o público entrar em transe com os seus concertos. A banda de “Top Dollar” e de “The Governor”, Paul Major e Jesper Eklow, registou no seu quarto disco de estúdio um dos seus mais consistentes discos, mantendo o ethos bater no ceguinho uma demanda sagrada. Música favorita: High Drag, Hard Doin.

Link: https://endlessboogie.bandcamp.com/album/vibe-killer

– Above the Trees, Nádia Schilling (PT). Edição de Autor. O álbum mais bonito que me chegou às mãos este ano, edição de autor, cuidadosamente editado, trás as composições e excelente voz de Nádia Schilling acompanhadas por excelentes músicos da cena jazzística nacional, entre eles o pianista, autor, cinéfilo Filipe Melo e o baixista João Hasselberg. A edição conta ainda com o impressionante trabalho gráfico do João Pombeiro. Nota adicional, tanto a Nádia, como o João Pombeiro estão nas Caldas da Rainha, criam a partir das Caldas da Rainha, já aqui ao lado, aproveitem para acompanhar o trabalho deles. Música favorita: Misfire.

Link: https://nadiaschilling.bandcamp.com/album/above-the-trees

– Big Attraction, Amyl and the Sniffers (AU). Edição de Autor. Contrariamente ao disco anterior na lista, este é o disco mais feio da lista, são 6 músicas em 12 minutos e 30 segundos, pouco mais de 2 minutos por música. As músicas são rápidas, diretas e tesudas, como se quer no rock’n’roll. Consta para a história que a banda formou-se um ano antes da edição deste segundo disco, tendo gravado o primeiro disco no primeiro dia de banda. Este segundo álbum é um tratado de bom pub rock por quatro miúdos no início dos seus 20 anos, directamente do outro lado do globo, Melbourne, Austrália. Música Favorita: Westgate.

Link: https://amylandthesniffers.bandcamp.com/album/big-attraction

– Half Love, Tracy Lee Summer (PT). Hey! Pachuco. Melhor edição cueca do agora quarteto de garage rock do Barreiro. Uma das bandas nacionais mais fixes para ver ao vivo. Música favorita: No Way Rosita.

Link: https://tracyleesummer.bandcamp.com/album/half-love

Menção honrosa: A história do Rock – para pais fanáticos e filhos com punkada. Livro para miúdos e graúdos sobre a história do rock e as suas inúmeras personagens, trata-se de uma prova de amor pela música e pela sua história da autora, Rita Nabais, com ilustrações de Joana Raimundo e edição pela editora alcobacence Edições Escafandro, Associação Cultural. No dia em que escrevo esta lista, Iggy Pop, lenda viva do rock’n’roll, publicou na sua conta de instagram a sua ilustração constante no livro, um sinal de reconhecimento do belíssimo trabalho realizado pelas editoras do livro.

Autor: Paulo Louro

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