Parcerias entre o ensino profissional e as empresas

É preciso estreitar parcerias e aprofundar o conhecimento mútuo entre o ensino profissional e as empresas.

Professor Doutor José Matias Alves.

Professor Doutor José Matias Alves.

Este ano, a fechar as suas XXIV Jornadas Profissionais, a Escola Profissional de Rio Maior (EPRM) promoveu, no dia 11 de maio, no Talego, no Alto da Serra, um jantar tertúlia que juntou a componente escolar e a empresarial, para que entendam melhor as linguagens uns dos outros e encontrem pontos de convergência que, deseja-se, seja cada vez mais estreita na definição a uma só voz das qualificações profissionais necessárias ao desenvolvimento das empresas, dos seus profissionais e da economia da região e do país.

“Não faz sentido a escola ter ensino profissional sem contacto com as empresas, pois precisa de estar atenta às oportunidades de trabalho geradas pelas empresas”, explicou Lopes Candoso, presidente do conselho de administração da EPRM, a abrir a tertúlia.

A intervenção mais aguardada era a do Professor José Matias Alves, licenciado em Filosofia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mestre em Ciência da Educação e Administração Escolar pela Universidade do Minho e doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade Católica do Porto. É professor associado convidado na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, diretor adjunto da Faculdade de Educação e Psicologia, coordenador do serviço de apoio à melhoria da escola, coordenador do doutoramento em Ciências da Edução e membro integrado no Centro de Estudo do Desenvolvimento Humano.

“As empresas que não se organizarem, não escutarem o que é preciso para a região e para o país morrem e a escola, também uma empresa noutro formato, tem que estar atenta às necessidades das empresas para que possa responder, com sucesso, às necessidades e contribuir para um maior desenvolvimento do país”, deixou como reflexão, logo a abrir a sua exposição, o Professor José Matias Alves.

Sendo a EPRM uma escola profissional “são imprescindíveis estas parcerias com as empresas, para inovarem e ajudarem as comunidades a crescer, o que só se consegue com pessoas – as máquinas ajudam mas sem pessoas pensantes, inovadoras, criativas, a capacidade competitiva baixará, por isso as pessoas são um elo essencial a ligar as empresas às escolas”, argumentou Matias Alves, para quem não existem empresas completamente autónomas tal como não há ninguém completamente autónomo “pois dependemos todos uns dos outros”, daí que as empresas necessitem “do novo saber, dos novos conhecimentos para se inovarem” o que exige que “ativemos esta lógica da interdependência para que possamos crescer juntos, defendeu o Professor.

Agora que os países estão tão globalizados e internacionalizados o conhecimento é essencial porque sem ele não há futuro. Logo as escolas profissionais são um pilar para o futuro da sociedade porque trabalham no conhecimento mobilizável para os contextos de ação que é onde reside a empregabilidade do conhecimento. Portanto, ensina José Matias Alves, “as empresas necessitam de acreditar na formação exercida pela escola, precisam que a escola prove que os seus estudantes são merecedores de uma aposta por parte das empresas, e creio que Rio Maior é um exemplo, uma referência na formação dada aos seus estudantes. Mas pode ir mais além conquistando a confiança de uma maior quantidade de empresas, para que estas valorizem os estudantes e lhes deem oportunidades de carreira suficientemente atrativas, porque isso ativa a procura, na sociedade, dessas escolas”.

Mas o Professor Matias Alves acredita que as escolas profissionais só se afirmarão a nível nacional quando conseguirem concorrer com os ensinos científicos ou humanísticos na formação de Direitos Profissionais, e isto é o principal elemento para motivar a procura de escolas profissionais. “Se os jovens e as suas famílias virem que os outros conseguem, terminando o seu curso, ter oportunidade de trabalho digno e dentro da sua área, isso será um fator determinante de uma maior procura das escolas profissionais e será também uma prova de afirmação do conhecimento que se retém de um curso profissional”.

O orador não duvida de que as escolas profissionais “têm que estar à frente no que toca ao conhecimento para a formação dos seus estudantes, para que estes possam vir a ser uma ‘alavanca’ de inovação, internalização, de gestão e organização nas empresas”, por isso tanto as escolas como as empresas só têm a ganhar se trabalharem em cooperação, e portanto esta correspondência criativa tem que ter tradução na interação entre estes dois mundos.

As escolas e as empresas estarem à “escuta” entre si é um fator de enriquecimento: a escola atenta às necessidades das empresas e as empresas atentas à formação dada pela escola é uma mais-valia para o mundo dos negócios, afirmou o professor que tem a convicção de que “a própria orientação curricular ganharia se tivesse uma maior flexibilidade e se pudesse ser ‘alimentada’ pelas empresas”. Aprofundando este tópico, no seu entendimento as empresas não deveriam só sugerir o curso A, B ou C mas intervir na formação, “libertando a escola de uma matriz muito fixa”. As escolas deviam poder ter “mais mão em termos de monitorização dos cursos, o que enriqueceria a escola, aumentaria o reconhecimento e a confiança e abriria mais portas de futuro”.

Mas este não será o único caminho de revitalização do ensino profissional o qual tem sofrido algumas variações. Em 1983 houve um relaxamento do ensino profissional por parte do ministro José Luís Seabra, mas em 1989, de alguma forma foi substituído pelo ensino técnico profissional. Em 1976, a lógica que prevaleceu foi a de que o liceu seria o melhor que haveria no país e por isso foi oferecido a todos, o que fez disparar as taxas de insucesso até 40%. “Tivemos de lançar o ensino técnico profissional pois estávamos a sacrificar muitos jovens ao insucesso escolar e assim dar-lhes mais alternativas escolares”, rematou.

Texto e fotos: C. M.

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