Quando as pedras falam, em cartofilia e medalhística

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De entre os grandes e mais significativos monumentos da Europa e do mundo contam-se as Igrejas, construídas a partir do séc. IV-V, depois da chamada paz de Constantino.

A Igreja gozando de liberdade, teve possibilidade de se organizar e construir os seus espaços para o Culto Divino e para as diversas acções da comunidade cristã. Temos assim testemunhos admiráveis que nos vêm desses séculos remotos e que aí iniciaram uma tradição que chegou aos nossos dias.

De entre os principais monumentos religiosos encontram-se as Igrejas catedrais. Podemos afirmar que a catedral atinge a sua plena afirmação depois do séc. XII, com a emancipação das populações dos maiores centros urbanos, graças a uma maior instrução e ao desenvolvimento do comércio e da actividade artesanal. Estamos no início de uma reacção ao feudalismo monástico e secular, donde sai reforçado o papel dos Bispos. A Igreja adquire, nesta altura, uma nova influência esplendorosa, constituindo assim uma linguagem comum – o gótico – que se toma o elemento fundante da Europa moderna.

Ao contrário das grandes abadias, concebidas para o desenvolvimento das liturgias monásticas, a Catedral é a Igreja do Clero e do Povo, aberta para acolher toda a comunidade. Também chamada Sé ou Igreja Episcopal, ela assume este nome dado que é a sede do Bispo, na qual ele tem a sua cátedra a partir da qual exerce o seu ministério de pastor de toda a Igreja diocesana. A catedral é assim a Igreja-Mãe de toda a diocese, fonte da vida litúrgica de todas as comunidades eclesiais.

Além desta dimensão que permanece ao longo dos séculos, tempos houve em que a Catedral exercia um papel cultural determinante na vida social. As escolas catedráticas formaram elites culturais que se evidenciaram no mundo da teologia, das letras e das artes, de modo particular em vários âmbitos da chamada arte sacra e da música. Encontramos hoje espalhados por todo o mundo onde o Evangelho chegou, testemunhos que continuam a falar de uma vida que, acolhida por muitos, se tornou cultura e desenvolveu o Homem e as sociedades.

As pedras falam-nos de tudo isso… Em muitos outros lugares as pedras exuberantes deram lugares a ruínas… continuam a falar-nos de tudo isso… de um Deus que se revelou em Jesus Cristo comunicando a Sua Vida a todos os que, na liberdade, o quiseram acolher. As pedras das catedrais e dos santuários falam-nos de tudo isso… dessa história contínua, de mais de dois mil anos que hoje continua a escrever-se.

Preza a Deus que o Homem do séc. XXI continue a saber ouvir a voz destas pedras e a deixar-se seduzir pelas harmoniosas melodias que elas continuam a fazer ressoar aos seus ouvidos.

Texto: Pe. Joaquim Ganhão, Director da Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja, para a brochura da exposição.

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