Rancho de Chãos esteve na Polónia

RFC além-fronteiras, em representação da cultura etnográfica portuguesa 

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Eram 5h00 da manhã do dia 29 de junho e quinze jovens reuniam-se na aldeia de Chãos, para iniciar uma viagem de sete dias em que se adivinhavam grandes desafios e se transformou num orgulho para todos. André, Beatriz, Carolina, Eduardo, Diana, Diogo, Inês, Lúcia, Maria, Mariana, Pedro, Rafael, Rodrigo, Tomás e Vera, num misto de sonolência e excitação, preparavam-se para a enorme responsabilidade que seria representar o Rancho Folclórico de Chãos, a cultura do nosso país num intercâmbio cultural na cidade de Bydgoszcz, na Polónia.

Este intercâmbio era organizado pela academia polaca Palac Mlodziezy, tinha como países parceiros Portugal e a Ucrânia, e cada grupo era constituído por jovens dançarinos dos 13 aos 30 anos, com um líder que poderia ser de uma faixa etária superior. O objetivo principal era a troca e aprendizagem da cultura e etnografia dos diferentes países, e por isso mesmo todos íamos apetrechados com os trajes que tão bem representam a nossa região.

Depois de três horas de voo, de muita linguagem gestual por terras polacas (já que todas as senhoras na bilheteira insistiam em falar connosco em polaco!) e muitas horas de viagem de comboio até Bydgoszcz (cerca de quatro horas), finalmente pisámos “terra firme”, conhecemos aquela que seria a nossa “sombra” durante aquela semana, a nossa guia Natalia, e fomos até à cerimónia de abertura. Escusado será dizer que chegámos com um relativo atraso… digamos que chegámos praticamente no final da cerimónia, e que mesmo não tendo sido por nossa culpa mas sim da sincronização de todos os transportes que tivemos de apanhar, ouvimos pela primeira vez a frase que (às vezes dita com razão, outras nem por isso) nos iria acompanhar durante todo o intercâmbio: “you’re too late, too late!” (vocês estão atrasados, muito atrasados!) E aí começou a nossa aventura!

Fomos alojados num colégio interno, com excelentes instalações, a cerca de 10 minutos da cidade onde iriam decorrer as actividades, e recebidos com uma ceia composta por pão, doce, fiambre, tomate, salsichas e chá. Achámos curioso servirem-nos tudo aquilo (sendo que já passava das 23h00) mas agradecemos e aproveitámos, pensando para nós: ora aqui está a primeira grande diferença cultural entre os dois países. Sabíamos lá nós que a grande diferença cultural a nível de hábitos alimentares íamos nós sentir nos dias seguintes!

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Na manhã seguinte, depois do pequeno-almoço, fomos para a academia promotora do intercâmbio, o Palácio da Juventude (tradução portuguesa), onde seriam os nossos ensaios durante toda a semana. Para além de Portugal, da Ucrânia e da Polónia, também lá estavam jovens de outros países como a Bulgária. Aí tivemos o nosso primeiro ensaio da tradicional dança polaca Krakowiak, que iríamos apresentar no espetáculo final. Quando começou a explicação nós, portugueses, andávamos literalmente à pesca. Perna para aqui, perna para ali, pulinho, pulinho, pulinho, rodopios para trás e para a frente… Como é que alguma vez íamos aprender aquilo?! Não tinha nada a ver com as nossas danças! Ao fim de três horas muito intensas era como se não tivéssemos saído da cepa torta, as coreógrafas polacas só levavam as mãos à cabeça… aquilo é que iria ser um desafio!

Para ajudar, deparámo-nos com a maior diferença cultural sentida durante todo o intercâmbio. Ao aproximar-se a refeição a que nós, portugueses, denominamos de jantar, confrontámo-nos com uma realidade completamente diferente. Tradicionalmente, para os polacos, a refeição jantar não existe. Eles ceiam, por volta das 18h00, ceia essa composta pelo que descrevi acima, com excepção das salsichas, e nada mais. Ali sim, as diferenças culturais acentuavam-se, e muito!

No início do segundo dia o panorama não continuava muito animador no que toca à nossa performance mas, ao fim de algum tempo, todos começaram a atinar com os passos. Os ânimos levantaram novamente! Daí por diante foi sempre a melhorar, sendo que nos ensaios finais todos nós passámos com distinção, já para não falar dos sorrisos rasgados que as coreógrafas nos lançavam.

Enquanto as manhãs eram passadas a treinar a coreografia Krakowiak, as tardes eram passadas com algumas actividades lúdicas e com visitas às cidades de Bydgoszcz e Tórun, a cidade de Copérnico, do pão de gengibre e de tantas outras coisas maravilhosas, não fosse Tórun considerada a 26ª Maravilha do Mundo.

Na quinta-feira começaram as atuações ao público. Trajados a rigor e um pouco (vá, muito) nervosos, mostrámos numa atuação de 15 minutos as danças do Rancho Folclórico de Chãos. Não podia ter corrido melhor! Muitos sorrisos e aplausos, muitos abraços e beijinhos e muitas exclamações “I love Portugal!” Ficámos todos de peito inchado e muito orgulhosos!

O dia seguinte foi todo dedicado aos ensaios do grande espetáculo final que iria decorrer na Ópera Nova, no centro da cidade, para o qual tínhamos treinado toda a semana. Neste espetáculo participavam grupos de mais de dez nacionalidades diferentes, não era brincadeira. Para além da dança polaca, e de uma dança búlgara mais curta onde também participávamos com um par, também iríamos dançar uma dança do Rancho de Chãos, o Fadinho Batido. À semelhança do dia anterior, correu tudo maravilhosamente, não parámos de ouvir as palavras “parabéns” e “orgulho”, o que nos deixou a todos com aquela sensação de dever cumprido com distinção.

O último dia do intercâmbio foi mais descontraído. Como já não havia ensaios a manhã foi passada com atividades desportivas e artísticas. Depois do almoço foi a vez das despedidas; hino nacional entoado no refeitório enquanto oferecíamos a bandeira portuguesa aos nossos companheiros ucranianos, em género de lembrança, e seguimos viagem rumo a Varsóvia, onde passaríamos o último dia da nossa viagem antes de regressar a casa, depois de uma viagem de momentos únicos, de muita dedicação, muito convívio e muito companheirismo, como se pode ver pelos testemunhos de alguns dos participantes:

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  • Foi uma experiência incrível, foi possível conhecer um lindo país e descobrir novas culturas. Aquilo que mais gostei foi conhecer pessoas de outros países e ver as diferenças e semelhanças entre nós, o aspeto menos positivo foi a comida, não que ela fosse má, mas eu como português estou habituado a comer muito. – Tomás Sá, 15 anos.
  • Gosto muito deste tipo de intercâmbios, porque há uma troca cultural muito boa, onde temos experiências das quais nos vamos recordar sempre, não só pelo que aprendemos sobre outros países e o que damos a aprender do nosso, mas também pelo convívio que há entre o nosso grupo e com grupos dos diferentes países! Acho que não há nada que não tenha gostado, mas há que se saber que não há comida como a portuguesa. Se para o ano houver outro projeto deste género, eu não hesitaria, tenho a certeza! – Beatriz Santos, 14 anos.
  • Gostei muito. Foi bom conhecer a cultura polaca. Gostei muito de conhecer a história da Polónia, gostei da cidade de Tórun… e gostava de repetir. – Vera Amaro, 29 anos.
  • Foi uma experiência inovadora, pois nunca tinha participado num intercâmbio. Gostava de continuar a participar neste tipo de atividades porque acho que é importante para nós, para criarmos novas amizades e falarmos melhor Inglês, como no meu caso. O que mais gostei foi da dança e da nossa amizade com os ucranianos, o que menos gostei era o comer mas pronto, cada um tem os seus hábitos de tradição, e se os polacos viessem a Portugal também podiam não gostar da nossa comida. – Rafael Adrião, 14 anos.
  • Gostei muito. Foi uma experiência nova, bastante divertida. Apesar de serem muito rígidos com os horários, dos ensaios intensivos e de não termos tido todo o tempo que gostaríamos para conhecer um pouco melhor a cidade, o balanço é bastante positivo, porque conhecemos uma cultura diferente da nossa, a começar pela diferença das refeições, não só pela composição mas também pelos horários. Os ensaios da dança polaca, apesar de cansativos, foram muito divertidos. As diferenças das nossas músicas e dos nossos trajes eram significativas em comparação com os nossos colegas polacos e ucranianos, o que tornou a experiência ainda mais especial, por nós marcarmos a grande diferença de culturas. Com este intercâmbio fiquei com uma vontade ainda maior de conhecer novas culturas, pelo que voltaria a participar noutra oportunidade destas. – Inês Ramos, 21 anos.
  • Foi a melhor viagem que já tive e agradeço ao Rancho Folclórico de Chãos por isso. Diverti-me ao máximo, todos os dias, e adorava repeti-lo outra vez. Partilhei o momento com os meus melhores amigos e adorei… gostei de tudo, acho que não houve aspetos negativos (…) Espero que possamos ter outra oportunidade destas. – Rodrigo Ricarte, 15 anos.

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Texto de Diana Frazão | Rancho Folclórico de Chãos

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