Reduzir as emissões de CO2 atmosférico é preciso!

Reduzir as emissões de CO2 atmosférico é preservar o meio ambiente!

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Atribuir a degradação do meio ambiente, como frequentemente  preconizam  estudos científicos de comprovada competência, a causas  antropogénicas não será novidade para quem segue com interesse a temática ambiental.

Consensual é também a escassez de tempo para corrigir tal situação, e impedir a inevitável e previsível catástrofe pontualmente anunciada em incêndios, inundações, furacões e por outros fenómenos abióticas, cada vez mais frequentes. Ignorar, como até aqui, a gravidade do problema criado, ao longo de décadas pela utilização danosa de recursos ambientais, em nome de um desenvolvimento económico anárquico e, muitas vezes irracional, onde a produção de riqueza de uns tantos, se sobrepõe à qualidade de vida e bem- estar da maioria, com reflexos dramáticos na vida de gerações futuras, vai sendo cada vez menos sustentável mas mais habitual.

Nos últimos cem anos, o aumento da temperatura média da Terra foi de apenas 1ºC. Devido a esse, aparentemente irrisório, aumento foram atingidos recordes preocupantes, no domínio das alterações climáticas e das catástrofes naturais, como se pode constatar pela leitura de relatórios da Organização Meteorológica Mundial da ONU. Neles se refere que, por exemplo, as temperaturas de algumas regiões da Europa e dos Estados Unidos têm superado os 40ºC no verão e são demasiado baixas no inverno, o que não era habitual; na Somália registaram-se as enchentes mais catastróficas do último meio século; a calote do gelo ártico diminuiu em milhares de quilómetros quadrados, contribuindo para a elevação do nível da água dos oceanos; na China, temporais causados por ciclones provocam milhares de mortos e milhões de dólares de prejuízos; na Austrália, a seca prolongada, agravando o processo de desertificação do solo, tem causado enormes, e nunca vistos, incêndios florestais; para o verão de 2040 prevê-se o desaparecimento da totalidade do gelo no Ártico…

Se isto não basta para nos mobilizarmos no combate a situações de degradação ambiental, então melhor será começarmos a tirar medidas para o nosso próprio caixão! A continuar o ritmo atual de produção de gases de efeito de estufa mais danosos – CO2 dióxido de carbono, o principal, CH4 metano, e N2O óxido nitroso, grandes inimigos da camada de ozono – a temperatura da Terra aumentará, até 2050, entre 2 a 4ºC.

Perante o dramatismo da situação vão surgindo propostas de ações pontuais que, não obstante, poderão não ser suficientes para alterar a situação em curso. Individualmente, nenhuma nação tem capacidade para proceder a quaisquer correções reflexivas com significado na situação global. Apenas ações globais poderão revestir-se da eficácia indispensável à inversão do atual status quo. Só assim será possível reduzir o CO2, principal responsável pelo efeito de estufa, e estabilizar a temperatura impedindo o seu aumento.

Principalmente para os países industrializados serão grandes os custos económicos decorrentes de qualquer ação implementada nesse sentido o que, como é sabido, tem justificado as resistências dos principais países poluidores – Estados Unidos, China, Japão, Índia… –, até agora difíceis de ultrapassar mas que, com exceção dos Estados Unidos de Trump, começam a dar sinais positivos de combate às causas mais consistentes e com provas das alterações climáticas. O inefável Trump já começa a indiciar cedências…

Conhecida a situação real da Terra, e a necessidade de travar o ritmo da produção industrial nos moldes atuais, têm sido estudadas hipotéticas soluções de emergência, aparentemente exequíveis – substituição das centrais termoelétricas que consomem combustíveis fósseis por centrais nucleares; armazenamento de CO2 sob o solo; colocação de painéis de lentes reflexivas no espaço; pulverização de nuvens com água salgada… etc. –, algumas imbuídas de aparente bizarria! A chamada geoengenharia marítima é, de entre todas, a que parece mais interessante do ponto de vista da exequibilidade técnica, e a que permitirá avaliar melhor os resultados obtidos. Tornando possível a manipulação das características físicas, químicas e biológicas do ecossistema global, consubstancia a tentativa de provocar o confronto das alterações climáticas por via do aumento do fitoplâncton. Sendo o fitoplâncton formado por um conjunto de algas microscópicas de habitat aquático e comportamento fotossintético idêntico ao das plantas do meio terrestre, não é difícil  compreender que ao aumento significativo do seu volume corresponderá uma maior absorção do CO2 atmosférico. Assim sendo apenas há que criar as condições necessárias à sua multiplicação. Estudos realizados nos oceanos do hemisfério sul confirmaram a correlação entre a existência da abundância de fitoplâncton e o elevado nível de poeira rica em ferro, proveniente de desertos em expansão. Em 2002, cientistas americanos espalharam grandes quantidades de sais de ferro em duas parcelas oceânicas próximas do Polo Sul. O aumento da concentração do fitoplâncton nessas áreas foi apreciável e, apesar da superfície experimental não exceder mais do que dezena e meia de quilómetros quadrados por parcela, o fitoplâncton espalhou-se por milhares de quilómetros, tornando-se mesmo visível por satélite. Estudos complementares constataram que, cada uma das proliferações, foi responsável pelo consumo de 30 000 toneladas de CO2 isto é, o equivalente à emissão anual gerada por 6 000 veículos automóveis.

Os testes de fertilização oceânica realizados desde há duas décadas permitiram verificar a dispersão do ferro, por ação das correntes marítimas, e observar a temporalidade da proliferação do fitoplâncton, desconhecendo-se ainda o impacto ambiental da operação e se, futuramente, o CO2 retido nos sedimentos do solo marinho não será libertado voltando à atmosfera.

Não obstante a falta de certezas neste domínio, algumas empresas preparam-se para aproveitar este sorvedouro natural de dióxido de carbono, potenciá-lo com fertilizações químicas experimentalmente já iniciadas e produzir assim créditos de carbono para “ajudar”, obviamente mediante pagamento adequado, a indústria a compensar emissões que, eventualmente, venham a exceder as quotas que lhes forem atribuídas.

Na opinião de cientistas ligados ao processo, devido à excessiva proliferação de algas microscópicas, a composição dos oceanos pode mudar aumentando a acidez, gerando zonas “mortas” devido a situações de hipoxia ou anoxia –escassez ou ausência de oxigénio – e provocando a libertação de óxido nitroso – N2O –, outro gás de efeito de estufa, grande inimigo da camada do ozono!

Apesar das experiências com fertilizantes ferrosos, apontarem para aumentos interessantes de fitoplâncton, com reflexos na diminuição do CO2 atmosférico, não está clara a possibilidade de aumentar a transferência deste gás para profundidades oceânicas. Por outro lado sabe-se que os impactos negativos poderão aumentar conforme a frequência e as áreas fertilizadas, existindo dúvidas relativamente à possibilidade de detetar a tempo eventuais efeitos prejudiciais. Ora o professor de oceanografia da Universidade de Dalhousie no Canadá, Jonhn Cullen, afirma “é muito importante reconhecer que se aumentam os efeitos nocivos da fertilização, pode não ser possível detetá-los antes que os danos se produzam. É extremamente importante considerar os riscos ecológicos deste tipo de atividades”. Apesar de o diretor executivo da Climos, Dan Waley, afirmar que “a fertilização com ferro não é nenhuma bala de prata para a mudança climática, o que salienta a gravidade do problema que temos e a urgência da redução imediata de emissões a nível mundial”, e que “é prematuro julgar a fertilização com ferro perigosa” a verdade é que muitas nações manifestam reservas e ceticismo, havendo mesmo uma resolução no sentido de as operações de fertilização apenas serem permitidas como ações de investigação. Resta-nos aguardar que o interesse da Humanidade, perigosamente ameaçado por uma economia laisser-fair, não venha novamente a ser posto em causa pela miragem das negociatas com créditos de CO2, que poderão desmotivar a utilização de tecnologias menos gravosas para o ambiente e aumentar mais os já elevados níveis de gases de efeito de estufa.

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Açucena Açucena

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