Região | Ecologia e Ambiente. A qualidade do ar citadino

Ecologia e Ambiente

A qualidade do ar citadino

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

A qualidade do ar citadino é cada vez mais preocupante. Quem vive, ou se movimenta em cidades de maior dimensão, seja ou não sensível a questões ambientais, sente que, sobretudo nas urbes de maior dimensão o ar atmosférico se torna, por vezes, irrespirável.

Roma, Barcelona, Lisboa, Paris… são, de entre muitas outras, algumas cidades onde, pontualmente, são excedidos os padrões convencionais da qualidade do ar. Sendo certo que nos países desenvolvidos a população urbana representa cerca de 80%, nos países em vias de desenvolvimento, apesar desse valor não ultrapassar 50%, o êxodo rural continua a ser significativo o que, a curto prazo e a não serem tomadas rigorosas e adequadas medidas, provocará um inevitável aumento populacional e uma maior degradação da qualidade do ar atmosférico, à semelhança do que presentemente sucede nas grandes urbes.

O nosso País não é exceção e a tendência do movimento das populações do interior para o litoral onde procuram a qualidade de vida que o mundo rural lhes nega, não abranda. A desertificação, de que tanto se fala, há muito que é uma realidade e quem tem o dever de lhe pôr fim, não o tem feito. Curiosamente são os responsáveis pelo abandono do interior do país, que mais surpreendidos parecem estar com a dramática diminuição demográfica que os censos revelam. Não deixa de ser caricata tão grande ignorância, quando foram eles que criaram as condições para o abandono que se confirma.

Centros de saúde encerrados, escolas fechadas, serviços essenciais como correios, bancos, repartições de finanças, tribunais, destacamentos de forças de proteção e segurança extintos, vias de comunicação terceiro mundistas, etc. Perante esta realidade quem é que poderia ficar nas regiões do interior? Apenas pessoas mais idosas, incapacitadas muitas vezes por uma vida de intenso trabalho, vivendo de miseráveis reformas, que aguardam a hora de partir para um outro mundo onde, seguramente, a injustiça não será tão cáustica como a que conheceram neste. Regiões há, como o Alentejo, onde apenas  restam “nuestros hermanos”, tão injustamente criticados, para rentabilizarem e povoarem algumas zonas às quais os iluminados deste país decididamente, talvez pela escassez de votos que proporcionam, voltaram as costas. Olivais e vinhas meticulosamente instaladas, a par de grandes varas de porco preto ocupam solo nacional em regime de arrendamento, mas são propriedade espanhola que vem dinamizando um saboroso negócio de arrendamento, aos seus absentistas proprietários.

O repovoamento demográfico é tão urgente como o cadastro das propriedades, o emparcelamento ou o ordenamento cultural do país que nos últimos quarenta anos repousou no fundo das gavetas dos ministérios, mais preocupados com viagens a Bruxelas do que com o desenvolvimento do país. Tudo tem contribuído para a desertificação do interior e a concentração no litoral de populações que, em condições normais, teriam organizado a  vida nas localidades de nascimento, desenvolvendo-as com a sua força de trabalho. E assim foram crescendo as grandes cidades, aumentado a contaminação do ar  devido ao tráfego intenso de veículos motorizados, à proximidade de zonas industriais estabelecidas, muitas vezes, sem critério nem planeamento, mais ao sabor de interesses privados do que das exigências de saúde pública, ao aquecimento provocado pela utilização de variados aparelhos, etc.

Este fenómeno não é novo. Com efeito, já na Idade Média o ar das cidades  se encontrava impregnado por odores provenientes de matérias fecais, da decomposição de múltiplos organismos, de águas residuais não drenadas… A implantação de redes de saneamento básico muito aliviou a pressão, então exercida no domínio ambiental. Porém, o desenvolvimento industrial gerou, por sua vez, outro tipo de problemas. A utilização de combustíveis fósseis, nomeadamente carvão, lançando toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera, provocou inúmeros problemas de saúde pública. Nos anos sessenta, face à agudização da situação, alguns países europeus resolveram tomar providências. É assim que, em 1961, surge em França a primeira lei sobre o ar e a criação de zonas de proteção especial, obrigando a indústria a utilizar sistemas anti-contaminação. Infelizmente nem todos os países encararam do mesmo modo o gravíssimo problema da poluição do ar. A China e alguns países da antiga URSS, têm preferido privilegiar o desenvolvimento industrial em detrimento dos problemas de saúde pública, o que não tem contribuído para reduzir os contaminantes primários e secundários, resultantes do aumento do tráfego automóvel em todo o mundo. Entre 1960 e 1990 o número de veículos automóveis das famílias europeias passou de 250 para cerca de 500 por cada mil habitantes. Por outro lado calcula-se que, em todo o mundo, circulem mais de 500 milhões de automóveis, aos quais se devem juntar 200 milhões de veículos pesados.

A poluição atmosférica local deve-se, sobretudo, a contaminantes primários – óxidos de carbono, de azoto, compostos orgânicos voláteis, produtos cancerígenos, partículas sólidas produzidas por motores diesel… – resultantes dos gases provocados por combustões originadas pelos  motores dos veículos em circulação, e aos contaminantes secundários provenientes de reações químicas posteriores à emissão dos gases poluentes primários. Começam a ser decretadas proibições na circulação de viaturas a gasóleo. É um primeiro passo para atenuar a situação atual. Resta saber se o poderoso lobi petrolífero, e os escandalosos interesses instalados, permitem que sejam dados passos significativos neste domínio…

A indústria, a agricultura e os transportes têm grandes responsabilidades na degradação da qualidade do ar, sobretudo nas cidades de maior dimensão.

Categorias:Ecologia e Ambiente Tags: , , , , , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

Região | Encontro Nacional SD teve como tema ComunicaSão. Região | Encontro Nacional SD teve como tema ComunicaSão.
Região | O ar atmosférico e o seu valor ecológico e biológico Região | O ar atmosférico e o seu valor ecológico e biológico
Região | Ecologia e Ambiente. Nuclear? Só os burros não mudam! Região | Ecologia e Ambiente. Nuclear? Só os burros não mudam!
A evolução da qualidade alimentar da humanidade A evolução da qualidade alimentar da humanidade

Responder

Enviar Comentário

© 2018 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.