Região | Bons Sons em Cem Soldos é mais que um festival

Bons Sons é mais que um festival.

Entre os dias 9 e 12 de agosto, a melhor música portuguesa voltou à aldeia de Cem Soldos, situada bem perto da cidade de Tomar. Foram 4 dias de mais um festival Bons Sons. Mas o que acontece na aldeia, todos os anos no mês de agosto, é muito mais que um simples festival como muitos que se realizam no verão.

Ao longo de quatro dias e quatro noites os artistas atuam nos oito palcos espalhados pela aldeia.

Os milhares de visitantes encontram uma programação muito extensa, cheia de outras atividades.

O telhado, um balcão alternativo.

Para além da criteriosa escolha de artistas portugueses, que ao longo de quatro dias e quatro noites atuam nos oito palcos espalhados pela aldeia, os milhares de visitantes encontram uma programação muito extensa, cheia de outras atividades.

A aldeia de Cem Soldos tem 600 habitantes, sendo dinamizada por um vasto projeto designado Aldeia Cultura, assente numa identidade cultural forte e um envolvimento comunitário único. Fruto de um trabalho de há alguns anos, existe nesta aldeia uma dinâmica única que permite a criação e o desenvolvimento de projetos comunitários para toda a população. Por ano, em Cem Soldos acontecem cerca de 50 eventos culturais e recreativos, de diferentes escalas e para diferentes públicos, totalmente organizados pelos habitantes em regime de voluntariado. O Bons Sons é apenas o projeto mais visível.

Um ponto de observação privilegiado.

O desenvolvimento sustentado da aldeia e dos seus habitantes é uma realidade que se afirma em seis vertentes: envelhecimento, turismo, desporto, urbanismo, cultura e educação.

O projeto Aldeia Cultura foi escolhido este ano pela Fundação Calouste Gulbenkian como exemplo de boas práticas do envelhecimento no lugar, mostrando que é possível ser inovador e pensar o futuro da população mais senior. Numa outra vertente, o projeto Escola Aldeia, premiado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, permitiu a abertura de uma segunda turma no jardim-de-infância, motivada pelo aumento do número de alunos em idade pré-escolar. Há até famílias que, entre comprar casa na cidade de Tomar ou na aldeia, estão a optar por viver em Cem Soldos. Encontramos nesta aldeia uma dinâmica que apresenta resultados práticos na qualidade de vida da população. Um exemplo para muitas outras regiões!

Muito mais haveria a escrever sobre Cem Soldos, mas é o festival Bons Sons que por agora nos importa. Muitas iniciativas, muita música, com mais de cinquenta atuações dos melhores sons que se fazem em Portugal, alguns mais tradicionais, outros com influências de outras paragens, mas sempre com músicos, com artistas genuínos.

A atuação de Sean Riley & The Slowriders.

Os Paus, em silhueta.

Estes são os Dead Combo.

Os Linda Martini, em luminescência.

De entre todos, este ano destacaram-se, a estreia de Salvador Sobral, as atuações de Mazgani, os 10 000 Russos, Sara Tavares, Zeca Medeiros, Sean Riley & The Slowriders, Paus, Cais Sodré Funk Connection, Peltzer, Dead Combo e Linda Martini. Destacamos o cada vez mais popular Luís Severo que já se apresentou com uma banda, ele que há cerca de ano e meio atuou, a solo, na extinta loja Anacronista, na Rua Serpa Pinto em Rio Maior, na altura perante cerca de 15 pessoas, e ao qual o jornal Região de Rio Maior deu capa. Hoje já se houve bastante nas rádios nacionais e tem um público vasto que sabe de cor as letras das suas canções.

Lena d’Água acompanhada pelo pessoal da Xita Records.

Este ano destacamos também o regresso de Lena d’Água, ícone da pop-rock portuguesa, na companhia de Manuel Lourenço, o cantor e compositor que se apresenta como Primeira Dama, e dos membros do coletivo Xita Records. Um concerto único de jovens músicos com Lena d’Água a interpretarem temas memoráveis da carreira da cantora.

Jogos do Helder nos Bons Sons em Cem Soldos.

Mas este ano houve também a feira de artesanato, a música para crianças, as exposições, os jogos do Helder, o teatro, as oficinas criativas e as visitas orientadas à aldeia.

Foram quatro dias, onde milhares de visitantes foram recebidos por uma organização de centenas de cem-soldenses, que há mais de dez anos se juntam à organização, para dar forma ao evento que em Portugal melhor celebra a música portuguesa. Um festival cheio de pormenores, como os presentes personalizados oferecidos aos artistas ou a rigorosa conduta de boas práticas ambientais. Todo este trabalho já tem reconhecimento internacional, pelos vários prémios já conquistados nos Iberian Festival Awards!

Texto e fotos: Manuel Silva

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