Região | Cartas de Lisboa – Thomas Mann

THOMAS MANN

Em 1856, Júlia da Silva Bruhns (1851-1923), natural de Paraty, no Rio de Janeiro, embarca num vapor com destino à Europa. Naquele instante, aos cinco anos de idade, genuinamente, não poderia imaginar o que a vida lhe reservava.

Dezanove anos depois, a 6 de junho de 1875, na Cidade Livre de Lübeck (hoje, estados alemães Schleswig-Holstein e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental), dá à luz o pequeno Paul Thomas Mann.

Ensaísta, contista, crítico social e romancista, Thomas Mann viria, com a sua pujança artística, a ser um dos mais carismáticos escritores do planeta. A sua obra é uma das mais importantes da história da literatura, e é imprescindível em qualquer biblioteca de relevo.

A sua estreia literária, no ano de 1893, foi modesta, iniciando colaboração com a revista “Der Fruhlinssturm”, da qual veio a tornar-se seu coeditor. Com o passar dos anos, este grande antinazista, legatário temporão da memória idealista e romântica alemã, conseguiu reproduzir de modo muito original a consciência de sua época. A sua obra mostra-nos delineações escrupulosas num perfeito realismo psicológico, com crítica rigorosa e exata em cada minudência.

Lendo Thomas Mann é notório que, na forja da sua estética e do seu humanismo, estão bem vincados três nomes tutelares do pensamento e da literatura alemã e mundial: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), Arthur Schopenhauer (1788-1860) e Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900).

Curiosamente, segundo o próprio Thomas Mann, foi a sua descendência materna que lhe certificou a criatividade, rendendo assim, sincera e honestamente uma homenagem à sua progenitora.

Em 1900, aos 25 anos de idade, Thomas Mann atinge a fama, com “Os Buddenbrooks – Decadência de uma família”, “…um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck, ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história de sua própria família”. Depois vieram outras publicações, entre elas a novela “A Morte em Veneza”, provavelmente um dos seus mais conhecidos livros, adaptado, inclusive, para cinema, no ano de 1971, pelas mãos do diretor italiano Luchino Visconti di Modroni (1906-1976), sendo indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, no mesmo ano do seu lançamento, e vencendo o Prémio Bodil (Dinamarca), em 1972, na categoria de melhor filme europeu.

O que mais se destaca, na ficção de Thomas Mann, é a sua forma meticulosa de caracterizar cada personagem, bem como de detalhar a narrativa, muito aproximado do que fez Eça de Queiroz (1845-1900), Machado de Assis (1839-1908) e Coelho Netto (1864-1934). É de salientar, também, o modo fulgente com que Thomas Mann manobra o tempo, convertendo-o, praticamente, numa personagem da sua ficção.

Quem quiser iniciar a leitura da Obra Completa de Thomas Mann, por incrível que possa parecer, deve começar pelo “Fausto”, de autoria de Goethe. Este autor foi aquele que mais influenciou Thomas Mann, creio, até, que toda a sua obra seja um diálogo, na primeira pessoa, com esse título de Goethe. Thomas Mann também foi influenciado pela estética da expressividade de Nietzsche, e pelas teorias da psicologia moderna (no caso do subterfúgio da doença, do rancor, das distrações do dia-a-dia, e da racionalização) de Schopenhauer.

A Montanha Mágica; A Morte em Veneza; As Cabeças Trocadas; As Confissões do Impostor Félix Krull, Cavalheiro de Indústria; As Três Últimas Novelas (As Cabeças Trocadas, A Lei, A Mulher Atraiçoada); Considerações de um Apolítico; Contos; O Problema da Liberdade; O Escolhido; O Pequeno Sr. Friedemann; Desordem e Tristeza Precoce; Doutor Fausto; José e os seus Irmãos  (As Histórias de Jacó, O Jovem José, José no Egito, e José, o Provedor); Lotte em Weimar ou os Retornos Amados; Mário e o Mágico; O Cisne Negro; O Eleito; Os Buddenbrooks – Decadência de uma Família; Sua Alteza Real; A República Alemã; Tonio Kroger; Tristão e Outros Contos; Um Homem e o seu Cão; Um Percurso Político – Da Primeira Guerra Mundial ao Exílio Americano; Viagem Marítima com Dom Quixote, são, todos eles, livros impactantes, carregados com a expressiva profundidade de uma mente limpa, intensa e poderosa.

No ano de 1929, Thomas Mann ganha o Prémio Nobel de Literatura. O filho de Johann Heinrich Mann (1840-1891) chega, assim, ao patamar mais alto que um escritor pode almejar.

A 12 de agosto de 1955, com grande comoção, Katharina Hedwig Pringsheim (1883-1980), esposa de Thomas Mann desde 1905, despede-se do marido à beira túmulo. Com ela estavam quatro dos seis filhos do casal, acompanhados de um seleto grupo de amigos.

Thomas Mann encontra-se sepultado no Kilchberg Village Cemetery, em Kilchberg, uma comuna da Suíça, pertencente ao distrito de Horgen, cantão de Zurique.

Rui Calisto

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