Região | Diga 33 – Poesia no Teatro com Eduardo Pitta e Henrique Fialho

Esta terça terça-feira de Abril, Henrique Fialho recebe Eduardo Pitta na Sala-Estúdio do Teatro Rainha no Diga 33.

Esta terceira terça-feira, dia 16 de Abril, pelas 21h30 Hemrique Fialho recebe na Sala-Estúdio do Teatro da Rainha, nas Caldas da Rainha, Eduardo Pitta, porque o segundo ano de DIGA 33 continua um primeiro ano de descoberta dos actuais caminhos poéticos para um autêntico novo mundo.

DIGA 33 pretende ir um pouco além das fronteiras nacionais, penetrando o terreno da lusofonia e de linguagens geograficamente distantes. O tempo não se esgotará neste hoje presente, será igualmente um hoje passado. Porque é para lá de um espaço e tempo definidos que mais claramente o poema se afirma.

Quem é Eduardo Pitta

Eduardo Pitta.

Poeta, escritor, ensaísta e crítico, Eduardo Pitta nasceu em 1949, em Moçambique. Desde 1974 publicou dez livros de poesia, um romance, uma trilogia de contos, quatro volumes de ensaio e crítica, duas colectâneas de crónicas, dois diários de viagem e o livro de memórias Um Rapaz a Arder (2013). Exerce crítica literária desde 1987. Fractura (2003), ensaio sobre homossexualidade na literatura portuguesa contemporânea, é considerado por Mark Sabine “the first history of Portuguese literary homosexuality”. Em 2008 adaptou para crianças O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz. Editou a poesia completa de António Botto.

Poemas seus encontram-se traduzidos em inglês, castelhano, italiano, francês e hebraico. Tem poemas, contos e ensaios dispersos por revistas literárias de Portugal, Reino Unido, Brasil, Colômbia, Espanha, França e Estados Unidos. Participou em congressos, seminários e festivais de poesia em Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Colômbia.

Mantém desde 2005 o blogue Da Literatura.

Casou em 2010 com Jorge Neves, seu companheiro desde 1972.

Desde 1974 publicou dez livros de poesia, um romance, uma trilogia de contos, quatro volumes de ensaio e crítica, duas colectâneas de crónicas, dois diários de viagem e o livro de memórias Um Rapaz a Arder (2013)

33 OUTRA VEZ

«Para  que  serve  a  poesia  hoje?»  é  o  título  de  um  livro  de  Jean-Claude Pinson. A uma pergunta destas podemos apor outra: para que servem hoje conferências e debates sobre a utilidade da poesia? E mais esta: servirá hoje a poesia para alguma coisa que não tenha servido no passado? Um pouco à semelhança da presunção de um sentido para a vida, buscado, cavado, semeado, colhido no absurdo da existência, também a utilidade de toda e qualquer actividade criativa deverá ser pensada em função da antinomia suscitada pela prática do impraticável. Nada na vida carece de sentido senão a própria perdição dos homens.

Não queremos fugir à questão. Por isso ouvimos, durante o ano de 2018, poetas e editores de poesia neste hoje que é aqui e agora. Se algo pode ser concluído do que ouvimos é a forte convicção de que a poesia não está refém de tendências, modas, movimentos efémeros e passageiros. Há milhares de anos que vem sendo feita sem propósitos determinados, sem fins definidos, sem objectivos estipulados. Este é um dado adquirido: o maior sucesso de um poeta é o próprio fazer da poesia, sem objectivos nem grelhas constrangendo o caminho.

Se proliferam na web sítios atafulhados de poemas, as limitações de público são por demais comprovadas pelas tiragens reduzidíssimas, pelos circuitos de distribuição marginais, pela carência de locais onde o poema possa chegar ao leitor em estado bruto. Como é óbvio, a putativa utilidade de uma arte não se assegura pelo interesse que suscita nas massas. A ser verdade que há mais poetas do que leitores de poesia, de pouco servirá lamentá-lo. Ben Lerner, que escreveu um livro intitulado «Ódio à Poesia», diz que “o ódio à poesia é intrínseco à arte, porque é tarefa do poeta e do leitor de poesia usarem a temperatura desse ódio para dissiparem o real do virtual, como nevoeiro”.

Talvez seja exagerada a ideia de um ódio à poesia. Teremos, porventura, mera indiferença generalizada, algum desprezo, porventura desinteresse massivo e ridicularização, mas temos também o culto de nichos capazes de brindarem a poesia com festivais, soirées, edições a granel, numa proliferação de projectos editoriais, sítios online, festas, feiras, sessões, ciclos, intensas querelas e nervos à flor da pele, que colocam a poesia ao nível da doçaria conventual. Que público o da poesia senão aquele que comparece na soirée, mantendo viável a publicação adquirindo livros à margem do mercado oficial, que público senão esse raríssimo leitor anónimo que se mostra capaz, paradoxalmente, de seduzir críticos e congéneres numa avidez de artigos dedicados ao tema: para que serve a poesia?

Em 2019 propomos a continuação de uma viagem pelos territórios do poema, alargando a panorâmica para que seja possível ver mais e melhor. Queremos agora ouvir não só poetas e editores, mas também os académicos, os críticos, os tradutores, os promotores do debate que mantém acesa a chama. Queremos saber como era no passado, nessa Grécia longínqua, e se em alguma coisa é diferente neste “tempo detergente”. Vamos tentar perceber se a poesia é mesmo intraduzível, como tantas vezes se apregoa. E qual o papel dos críticos de poesia na actualidade? E daqueles que a estudam e aprofundam academicamente? Pretendemos ir um pouco além das fronteiras nacionais, penetrando o terreno da lusofonia e de linguagens geograficamente distantes. O tempo não se esgotará neste hoje presente, será igualmente um hoje passado. Porque é para lá de um espaço e tempo definidos que mais claramente o poema se afirma. O convite está feito.

Nota – É opção de Henrique Fialho escrever em Português anterior ao Acordo Ortográfico.

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