Região | Ecologia e Ambiente – A luz solar e as plantas

Ecologia e Ambiente

A luz solar e as plantas.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Sendo a luz o conjunto de radiações, de diversos comprimentos de onda, que constitui a porção visível do espetro solar, é ela que proporciona às plantas a energia indispensável à função clorofilina, sem a qual a assimilação do carbono atmosférico – CO2 – não seria possível. É na direção da luz solar, e em função da sua intensidade, que as plantas orientam os crescimentos –fototropismo positivo.

Se a intensidade luminosa é abundante, os crescimentos são mínimos, mas se a sua repartição é irregular os crescimentos são maiores e orientados na direção da fonte luminosa mais intensa.

Comparando, por exemplo, o comportamento de um maciço florestal de Pinus pinaster e árvores isoladas da mesma espécie, constatamos que estas apresentam fustes mais curtos, mas de maior diâmetro, enquanto os indivíduos do maciço, que se ensombram mutuamente, exibem troncos mais compridos mas de menor diâmetro.

Nas sementeiras de cânhamo, em que é necessário produzir fibras longas, comercialmente mais valiosas, são aconselháveis densidades maiores, para permitirem a obtenção de caules delgados e compridos.

A relação entre a intensidade luminosa e a assimilação do carbono atmosférico é direta isto é, quanto maior for a intensidade da luz mais elevada será a assimilação e, obviamente, maior a produção lenhosa e o diâmetro dos caules. Por outro lado verifica-se também o aumento da transpiração e da formação de matéria verde que é, por assim dizer, a sede da formação clorofilina.

A importância da natureza das radiações na vida dos vegetais é conhecida. Com efeito, as funções vegetativas e a fotossíntese são ativadas pelas radiações vermelhas que, não obstante, são igualmente as que mais contrariam a respiração; radiações amarelas são importantes na formação de matéria verde; tanto as azuis como as violetas ativam e regulam os crescimentos, enquanto as ultravioletas favorecem a floração.

Em termos gerais, a luz solar retarda a respiração, razão pela qual esta é mais intensa de noite do que de dia. Pode chegar às plantas por incidência direta que, se demasiado intensa será nociva, ou difusa, mais favorável mas dependente quer do teor da humidade atmosférica quer da nebulosidade.

O fotoperiodismo, isto é o efeito da duração do período diário de luz sobre as plantas, é um dos mais importantes fatores para a vida dos vegetais. As plantas designadas de dias curtos, como o sorgo, o milho, o algodão, o morangueiro… e as tropicais, adaptam-se bem a regimes de 6 a 12 horas diárias de luz, enquanto as plantas de dias longos, como o trigo, a cevada, a aveia, a alface… têm um desenvolvimento máximo em períodos diários de luz superiores a 12 horas. Há ainda um grupo de plantas, denominadas de indiferentes como o tomateiro, constituído por espécies que não sofrem alterações no seu desenvolvimento tanto na presença de dias curtos, como na de dias longos. A  floração das plantas de dias curtos é retardada quando confrontada com um aumento de duração do dia, podendo verificar-se também um desenvolvimento vegetativo anormal. Quando as plantas de dias longos são submetidas a um fotoperíodo curto, a época da floração é prolongada.

As plantas de altitude são designadas de dias longos, porque iniciam tardiamente o período vegetativo, mercê das baixas temperaturas do ar e, tanto a floração como a frutificação destas espécies têm lugar no período de dias longos do ano, que ocorre no verão.

O rendimento pode variar substancialmente, consoante a duração do dia. Os conhecimentos, neste domínio, são de importância capital na escolha das espécies a utilizar e na determinação da melhor época para proceder às sementeiras. Em condições favoráveis do ponto de vista técnico e edáfico climático, uma planta pode oferecer fracos rendimentos se a duração do dia lhe não for favorável. Não obstante, mesmo perante condições ambientais menos favoráveis, pode uma cultura proporcionar rendimentos interessantes, se lhe forem disponibilizadas as horas/luz mais adequadas. Um técnico agrícola ou um bom agricultor, não podem ignorar a importância que os conceitos sumariamente expostos podem ter no êxito da decisão das culturas a instalar.

A floricultura foi pioneira na aplicação prática do fotoperíodo, através de culturas programadas de crisântemos e ásteres, e da alternância dos períodos de iluminação e obscuridade, técnicas que possibilitaram a obtenção de várias florações ao longo do ano. Atualmente vulgarizada que está a cultura protegida é possível fazer variar, artificialmente, a duração da iluminação e alterar  o período de floração de inúmeras espécies, em função dos objetivos que tenham sido definidos.

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Um Comentário

  1. Isabel Ferreira diz:

    Artigo muito bom e esclarecedor.

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