Região | Ecologia e Ambiente – A poluição dos lençóis freáticos

Ecologia e Ambiente

A poluição dos lençóis freáticos.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Desde há uns tempos a esta parte, é notória a preocupação com o aumento da poluição do meio ambiente e das alterações climáticas, temas que há relativamente pouco tempo, não faziam parte do debate público.

Os lençóis freáticos são reservatórios de água doce que por se localizarem em zonas próximas da superfície, mais expostos estão à poluição. No nosso planeta a superfície líquida ocupa cerca de 75% e, desse total, a água doce não representa mais do que 3%. É conhecida a diminuição da água existente nos mananciais existentes em todo o mundo o que juntamente com o crescimento populacional, a poluição e o aquecimento global conduzirá, inevitavelmente, à diminuição da água disponível para cada habitante terrestre.

Se o crescimento industrial nem sempre tem sido acompanhado de iniciativas capazes de minimizar os focos de poluição criados, as responsabilidades da urbanização da sociedade humana, neste domínio, são também apreciáveis.

adubo azotado.

Os fertilizantes, com especial relevo para os adubos são outrossim, e muito justamente, referidos como responsáveis pela poluição, sobretudo no que concerne à contaminação das águas naturais. Neste domínio, deverá contudo ter-se em consideração dois importantes aspetos. O primeiro tem a ver com a ação dos nutrientes dos fertilizantes químicos, especialmente do azoto, na composição química das águas superficiais ou subterrâneas, sobretudo quando se verificam acumulações de nitratos susceptíveis de ser prejudiciais à vida humana ou dos animais. O segundo refere-se à eutrofização das águas de lagoas, barragens, tanques… devido à ação do azoto e do fósforo, que favorece o desenvolvimento de algas e de variada flora aquática. A existência em excesso destes nutrientes pode favorecer um exagerado desenvolvimento das espécies aquáticas, provocando a redução da intensidade luminosa em detrimento da cloro carbonização e, naturalmente, da oxigenação da água. Numa fase posterior, devido à morte e decomposição microbiana das plantas, criar-se-á um desequilíbrio entre o oxigénio removido e as possibilidades de absorção da água.

O aumento das condições de anaerobiose possibilita o acréscimo de produtos tóxicos na água, prejudicando a sua qualidade, nomeadamente em termos de propriedades organoléticas, tornando-a imprópria para a vida piscícola, e não recomendada para consumo humano. Mas as plantas aquáticas também podem constituir um meio de purificação da água. Na presença de condições favoráveis o crescimento das plantas é mais rápido, extraindo da água os nutrientes de que necessitam e contribuindo para a sua depuração, se forem removidas antes de provocarem a redução drástica da fotossíntese.

A ação dos adubos no aumento do teor de nutrientes, sobretudo do azoto e do fósforo nas águas naturais, pode ser atenuada mercê da utilização de técnicas adequadas, capazes de minimizar o seu arrastamento. A aplicação nas épocas mais adequadas, a racionalização das quantidades utilizadas e a adoção de meios de combate à erosão, são algumas das medidas que podem contribuir para a redução do volume destes nutrientes nas águas naturais, sejam elas superficiais ou subterrâneas. O azoto, como se sabe, é também introduzido no solo e nas águas através das chuvas, da mineralização dos detritos orgânicos, de bactérias que o captam da atmosfera etc.

O adubo em excesso, sobretudo quando rico em azoto, aumentará o teor deste macro nutriente nas águas. As caraterísticas do solo e do clima, aliadas às formas e às épocas em que os adubos se aplicam, podem controlar os teores de azoto. Ao utilizarmos azoto na forma amídica ou amoniacal conseguimos diminuir as perdas resultantes do arrastado das água de drenagem, o mesmo sucedendo se empregarmos por exemplo, ureia/formaldeído, ureia/enxofre, etc. que permitem a libertação lenta do azoto. Para além disso, é possível reduzir significativamente as perdas de azoto quando as aplicações são fracionadas e administradas no período em que as plantas melhor absorvam este nutriente; se racionalizarmos a água das regas, quando a estrutura dos solos é boa e estes possuem uma textura conveniente e estão bem providos de matéria orgânica, sendo a pluviometria regular, a erosão está controlada…

A erosão é seguramente a maior responsável pelo arrastamento da maior quantidade de azoto na forma amoniacal em que o amonião está adsorvido e/ou fixado nas partículas coloidais. Se estas são removidas dos solos, arrastarão inevitavelmente com elas este nutriente.

A elevada retenção do fósforo em solos normais não causa grandes problemas de poluição das águas de infiltração. O arrastamento mais significativo deste nutriente resulta do processo erosivo pelo que é através de medidas de combate à erosão que o problema se controla.

É nas áreas ocupadas por culturas intensivas que a poluição das águas subterrâneas atinge níveis mais preocupantes. A excessiva, ou inadequada utilização de adubos e pesticidas provoca a contaminação destas águas, mercê da ação dos nitratos e da eutrofização das superfícies aquosas recetoras da drenagem dos solos agrícolas. Os pesticidas são, como é sabido, produtos de elevada toxicidade o que, não obstante, parece não ser suficiente para consciencializar muitos agricultores para o cumprimento das regras de segurança a que a sua aplicação deve atender.

Sendo a saúde das populações fortemente influenciada pela qualidade do ambiente, a má qualidade das águas superficiais está, em muitos casos, associada à contaminação hídrica. Infelizmente é ainda frequente a rega de produtos hortícolas com água contaminada, o que para além de revelar um baixo nível de consciência cívica, constitui uma irresponsabilidade inqualificável de quem assim procede. E como podem essas pessoas ter um procedimento correto, se também em águas de abastecimento público, com demasiada frequência, se verificam situações de contaminação bacteriológica nem sempre corrigidas com a brevidade desejável?

Apesar de tudo, a atividade agrícola não deve ser considerada o bode expiatório de tudo o que é mau, em matéria de poluição de águas. Têm existido alguns casos de certa gravidade, em situações pontuais, que não obstante terão uma expressão pouco significativa quando em confronto com, por exemplo, as indústrias pesadas, celuloses, petróleos, cimenteiras, eletricidade, etc., ligadas a lobbies políticos e económicos poderosos, que ignoram a aplicação correta das normas ambientais.

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