Região | Ecologia e Ambiente – Chuvas ácidas, causas e consequências

ECOLOGIA e AMBIENTE

Chuvas ácidas, causas e consequências.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

“Chuva ácida” pode definir-se como sendo toda a precipitação atmosférica que transporte contaminantes industriais poluentes, nomeadamente óxidos de azoto – NO2 – e de enxofre – SOx – que, combinando-se com o oxigénio e a água existentes na atmosfera, originam substâncias ácidas de que se destacam os ácidos sulfúrico e nítrico, os sais de amónio e outros ácidos minerais.

Consequências das chuvas ácidas.

As centrais elétricas, os transportes e, em geral, todas as unidades industriais que utilizam combustíveis fósseis, são responsáveis pelos elevados níveis de poluentes atmosféricos.

Tanto quanto se calcula, 97% do dióxido de enxofre – SO2 – será emitido pela indústria, enquanto os transportes serão responsáveis pela emissão de  65% de óxidos de azoto – NO2 –, e as atividades que utilizam tintas e solventes produzirão cerca de 35% dos compostos orgânicos voláteis existentes na atmosfera.

As chuvas ácidas, impelidas pelos ventos dominantes, podem causar graves danos a dezenas ou centenas de quilómetros de distância do ponto de origem. As centrais elétricas e indústrias mais poluentes, com o objetivo de afastarem e dispersarem a poluição que provocam, vêm construindo chaminés cada vez mais altas o que, se localmente pode atenuar os efeitos poluidores, não resolve a questão de fundo da redução de emissões contaminantes, nem melhora a da qualidade do ar.

A Suécia, por exemplo, exporta 2/3 da poluição que produz, embora 90% do SO2 existente na sua atmosfera tenha origem no exterior. Esta situação só poderá ser alterada através de ações internacionais concertadas, integrando participantes de boa-fé e sancionando aqueles que, como os Estados Unidos da América, boicotem, sistematicamente, resoluções tomadas no sentido da redução do dióxido de enxofre e de outros contaminantes atmosféricos, como sucedeu em 1987 na Convenção Sobre Poluição Atmosférica Transnacional. O fracasso da Conferência do Rio em 1992 é hoje rotundo e não um “sucesso relativo” como alguns quiseram fazer crer. De positivo, da Eco92 talvez a divulgação dos problemas globais do ambiente o que, convenhamos, é muito pouco tendo em conta a urgência em reduzir a crescente contaminação atmosférica. Mais uma vez, os Estados Unidos da América tiveram papel preponderante no insucesso da execução dos acordos do Rio, e assim continuará a ser sempre que quaisquer ações colidam com interesses norte-americanos. Só uma Europa forte e unida, o que não se vislumbra no imediato, poderá modificar o status quo que os americanos, por razões óbvias, tanto se empenham em manter.

Particularmente sensíveis à ação da contaminação atmosférica, sob a forma de chuvas ácidas, são as plantas, sobretudo quando vivem em terrenos com pH inferior a 6 isto é ácidos, e os peixes que têm o seu habitat em lagoas, lagos ou em quaisquer cursos de água pobres em nutrientes ou seja, oligotróficos.

A acidificação do meio ambiente

A acidificação do meio ambiente é uma temática de difícil e complexa abordagem, não sendo por acaso que especialistas de renome mundial a denominam de “malária da biosfera” ou de “holocausto ecológico”.

Em 1987, já a Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento considerava irreversível o aumento da acidificação atmosférica, e um obstáculo de vulto ao desenvolvimento económico sustentado e harmonioso de todas as nações, independentemente dos continentes em que, geograficamente estivessem inseridas.

A corrosão dos mármores do Partenon, na Grécia, do Taj Mahal, na Índia, e a acidificação de 20 000 dos 90 000 lagos da Suécia, dos quais 18 000 nem permitem a vida piscícola, juntamente com a morte epidémica de árvores de vários países do Centro da Europa, numa área superior a 70 000 km2, foram apenas alguns exemplos de contaminação ambiental citados pela Comissão.

Os países subdesenvolvidos, eufemisticamente designados por países em vias de desenvolvimento, enfrentam, se bem que por razões diferentes, problemas semelhantes. O mais óbvio é a poluição ter origem e características diferentes. Com efeito, enquanto em países desenvolvidos é originada por fábricas e meios de transporte, afetando a qualidade de vida e a saúde das populações e provocando a acumulação de resíduos tóxicos perigosos, nos países subdesenvolvidos ela aparece mais associada à produção de resíduos sólidos de origem doméstica, lixos e esgotos, consequências de uma excessiva densidade populacional e da existência de indústrias altamente poluentes, que os países desenvolvidos deixaram de tolerar dentro das suas fronteiras. Como se isto não bastasse, enquanto nos países desenvolvidos se avança na sobre-exploração dos recursos naturais – solos agrícolas, pescas, florestas, minério… – visando obter o maior, e mais imediato, lucro, nos países em vias de desenvolvimento fazer face às necessidades básicas das populações, quiçá à sua sobrevivência, e ao pagamento da dívida externa, são objetivos dominantes. Ironicamente, ou talvez não, grande parte da dívida externa dos países subdesenvolvidos relaciona-se com a importação de energia fóssil – petróleo, carvão… – e de matérias-primas neles inexistentes, sendo os credores precisamente os países desenvolvidos… Ainda não há muitas décadas Portugal exportava a cortiça e… importava as rolhas… o mesmo sucedendo em relação a alguns tipos de papel e cartão, não obstante sermos produtores de pasta de papel de excelente qualidade… Isto para não falar na célebre “alpaca inglesa” made in Covilhã…

O aumento da acidez dos oceanos

Está em curso uma investigação a cargo da Sociedade Real da Grã-Bretanha sobre o aumento da acidez dos oceanos, resultante da poluição das águas com dióxido de carbono. As consequências decorrentes da alteração ambiental, que já se verifica, poderão ser catastróficas para a vida marinha. A redução do pH da água dos oceanos pode ser acelerada por ação da queima de combustíveis fósseis o que vem provocando o aumento do nível do dióxido de carbono atmosférico, facilitando a sua absorção pelas superfícies aquosas. Ora, aumentando no ar a concentração deste gás, aumentará também a sua absorção pela água do mar, originando-se ácido carbónico. Acontece que a acidificação está a ocorrer simultaneamente com o aquecimento dos oceanos. Segundo cientistas, o prejuízo para os corais e espécies de conchas duras, decorrente do aumento da acidez, pode tornar-se irreversível. Mas, de uma maneira geral, todos os organismos poderão ser afetados visto que ao aumento da acidez corresponderá uma redução do teor de carbonato de cálcio, essencial na formação dos esqueletos. A diminuição do plâncton afetará os crescimentos e as taxas de reprodução piscícolas, nas águas de superfície… constituindo aspetos negativos a ter na devida consideração. A delapidação dos recursos naturais, visando a satisfação de necessidades pontuais que ignoram métodos e critérios racionais, aumentará o risco e a frequência de catástrofes ecológicas – secas, cheias, marés negras, pragas… – e colocará em causa a sobrevivência dos seres vivos, se persistir o adiamento da execução das medidas mais convenientes e eficazes. Neste aspeto os Estados Unidos, os maiores poluidores do Mundo, serão o paradigma mais evidente de um comportamento tão arrogante quanto intolerável, que deve unir todos os países em defesa da qualidade de vida dos Povos, independentemente do patamar de riqueza em que se encontrem inseridos.

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