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ECOLOGIA e AMBIENTE

Energias limpas: o futuro no presente!

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Tanto o calor terrestre, como a água, o vento e o sol podem ser fontes não contaminantes e inesgotáveis de energia.

As  cotações do petróleo, determinadas por movimentos e interesses difíceis de entender, devem merecer uma profunda reflexão sobre este statu quo e uma atuação eficaz para que as economias de países consumidores, não sejam postas em causa por um espirro da senhora Trump, ou uma enteralgia do seu amantíssimo esposo.

Sem um mínimo de independência energética, nenhum país do mundo pode aspirar a um desenvolvimento sustentado, ou a uma economia minimamente estável, demasiado vulnerável aos caprichos de atuações especulativas no domínio dos preços dos produtos petrolíferos, determinados por aqueles a quem falta em escrúpulos o que sobra em ganância.

Sem energia elétrica, tanto a vida no campo como a atividade industrial, a gestão dos centros urbanos e a vida em geral potenciariam problemas de difícil resolução. Calcula-se que dois terços da produção mundial de eletricidade dependa de energias fósseis – petróleo e carvão –. Da parte restante, 18%  tem origem em energia hidráulica;17% em energia nuclear, e apenas  2% são originados por energias renováveis limpas como a biomassa, a geotermia, a energia eólica e a energia solar.

É longo, e porventura difícil, o caminho a percorrer, mas vale a pena inovar neste domínio, porque dessa inovação dependerá o bem-estar de muitos milhões, e até mesmo a dignidade do homem como ser humano, atualmente dependente do poder de uns tantos. A eficácia das técnicas de exploração das energias renováveis, surgidas no século passado, e a evolução que certamente se virá a verificar no futuro, serão um desafio e um convite à conquista de alguma independência energética de países como o nosso, e a aposta num legítimo desenvolvimento sem estrangulamentos, ou espartilhos habilmente tecidos pelos “donos” da economia dos mais vulneráveis.

Apenas uma pequena parte da produção mundial de eletricidade, tem origem em células fotovoltaicas de painéis, ou em centrais solares. Ora, as células fotovoltaicas, pelo baixo custo de manutenção, são uma ótima solução para o mundo rural onde a eletricidade de outra origem, pelos elevados custos que comporta, não pode ser instalada.

Também o vento, como produtor de energia, tem-se revelado surpreendente sendo cada vez mais aceite. Alemanha, Dinamarca e Espanha têm feito notáveis progressos neste domínio. A energia eólica representa um importante marco no combate à diminuição das emissões de gases de efeito de estufa, em ordem ao cumprimento do estabelecido pelo protocolo de Quioto, que como se sabe também beneficia os países que ajudem outros na produção desta energia limpa aumentando-lhes, como recompensa, a quota de emissão de contaminantes atmosféricos.

Em regiões onde existe atividade vulcânica, como  em algumas ilhas açorianas, o aproveitamento do calor dos lençóis freáticos subterrâneos na produção de energia geotérmica, constitui outra alternativa a explorar. Sendo uma energia totalmente limpa, obtém-se utilizando turbo alternadores alimentados por circuitos de água quente – superior a 100ºC – sob pressão. A Itália, pioneira na produção de eletricidade por processos geotérmicos explora, desde 1913, na Toscana, uma central deste tipo à semelhança do que também  existe nos Estados Unidos, Filipinas e México. Presentemente, no Sudeste Asiático e na América Central, decorrem ambiciosos programas neste domínio.

A energia com origem na biomassa é mais uma alternativa à utilização de combustíveis fósseis poluentes – carvão, petróleo… –, responsáveis pelo aumento dos gases de efeito de estufa na atmosfera. A biomassa como fonte de energia vem sendo utilizada, com assinalável êxito, em países desenvolvidos da Europa Ocidental duma maneira crescente, o que vem ao encontro do preconizado no protocolo de Quioto.

Outro recurso energético limpo e renovável, cuja exploração se encontra ainda em fase experimental, reside no aproveitamento do movimento da água dos oceanos. A França, pioneira neste domínio, instalou em 1967 em Rance uma central maremotriz, produtora de eletricidade, que abastece cerca de 250.000 habitações. Embora os custos de produção e manutenção destas centrais sejam elevados, os não menos elevados e especulativos preços dos combustíveis fósseis, e a perigosa dependência dos não produtores de cartéis petrolíferos, atualmente constituídos, justificam amplamente todos os esforços para a obtenção de uma independência energética, que não tem merecido a atenção devida.

A hidroeletricidade é a forma mais antiga de produzir energia elétrica. No entanto, em países desenvolvidos, os locais de interesse para a instalação de albufeiras ou não existem, como sucede na Europa, ou se existem, como sucede no Canadá, deixaram de ter interesse pelo facto de se localizarem em países que já cobriram as necessidades energéticas deste tipo. Apenas para países emergentes como o Brasil, a Índia ou a China, a energia hidráulica terá ainda algum futuro. No entanto, as grandes represas de água, provocando alterações ambientais, deslocações massivas de populações, conflitos sociais a elas associados e perturbações importantes no ciclo da água, requerem uma prudente ponderação e a análise cuidadosa dos impactos sócio ambientais resultantes da sua construção. As grandes albufeiras implantadas em  Narmada, na Índia, e em Três Gargantas, na China, têm sido bastante criticadas. Em 1998 foi criada a organização mundial das grandes represas cujo objetivo é, para além de financiar estudos meio ambientais relacionados com as albufeiras, proceder à arbitragem de litígios surgidos no âmbito da instalação destas estruturas.

Finalmente não deve esquecer-se que economizar energia, tendo em conta a importância do desperdício negligente, é também uma importante fonte de produção energética. Utilizar lâmpadas e adquirir aparelhos elétricos de baixo consumo, empregar na construção de habitações os materiais que melhor isolem os edifícios, e penalizar as indústrias exageradamente consumistas, são medidas que podem estimular o aproveitamento dos  recursos naturais de energia não contaminante.

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