Região | Ecologia e Ambiente. O aquecimento global do planeta

ECOLOGIA e AMBIENTE

O aquecimento global do planeta.

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

O aumento do teor dos GHG – green-house gases – ou seja, gases de efeito de estufa como o dióxido de carbono, vapor de água, metano e outros hidrocarbonetos que se vem verificando devido à utilização de combustíveis fósseis – carvão, gás natural e derivados do petróleo – pela agricultura, indústria, transportes, serviços domésticos… tem contribuído para a sua acumulação na atmosfera provocando a subida  da temperatura da superfície do planeta isto é para o aquecimento global.

Embora a alteração climática dependa também de processos naturais como a atividade solar, as emissões vulcânicas e as variações da órbita terrestre é consensual, entre cientistas, a opinião que atribui aos gases de efeito de estufa a principal responsabilidade por esta calamitosa situação. Todavia, nenhum dos fatores condicionantes é instantâneo. A inércia térmica dos oceanos e a resposta lenta de outros efeitos indiretos condicionará a relação de equilíbrio entre as variantes climáticas terrestres e as condicionantes que as sujeitam. Com efeito, recentes estudos concluíram que, mesmo que os gases de efeito de estufa estabilizassem ao nível atual, verificar-se-ia sempre um aquecimento global adicional de 0,5ºC. O degelo produzido nas regiões polares, mercê da elevação da temperatura, provocará o aumento do nível da água do mar e a sua expansão, submergindo regiões como as ilhas Maldivas, ou Bora Bora na Polinésia francesa, podendo também repercutir-se em regiões europeias onde, devido à subida das águas do Atlântico, regiões de França, Espanha e Portugal poderão ficar submersas antes do fim do século XXI. Os glaciares localizados em regiões tropicais têm perdido uma parte importante da sua massa, à semelhança do que sucedeu com as neves perpétuas do Kilimanjaro (Tanzania) desaparecidas no espaço de vinte anos. São apenas algumas das consequências do aquecimento global do planeta.

Se bem que não se saiba ainda em que medida o aquecimento da Terra poderá vir a condicionar o ciclo da água admite-se, como provável, que a sucessão mais frequente de tempestades violentas pode aí encontrar plena justificação. Períodos de chuva mais extensos, precipitações mais copiosas, em menores intervalos de tempo e ventos mais fortes que já se observam serão, seguramente, consequências do aquecimento climático. Nas regiões mediterrânicas, as tempestades têm aumentado, o vento sopra com maior intensidade na zona ocidental da Europa, na América Latina os furacões têm sido mais frequentes e violentos, na Índia as monções têm-se tornado mais débeis na parte Este, mas mais fortes a Oeste provocando secas e inundações pouco habituais e na Grã-Bretanha os meteorologistas constataram  que ao aumento da percentagem do dióxido de carbono na atmosfera correspondeu uma pluviosidade mais abundante e intensa. Um forte nevão caiu nos Emirados Árabes Unidos e uma onda de frio assolou o país que, normalmente, tem de suportar temperaturas superiores a 50ºC; na Rússia verificou-se um degelo antecipado superando-se as temperaturas normais em cerca de 10 ºC ; nos Estados Unidos, na Venezuela e na Costa Rica chuvas diluvianas, cada vez mais frequentes, colocam em risco a vida de muitos milhares de pessoas, em Veneza o pavimento da magnífica Praça de S. Marcos chega a ficar submerso por águas que já atingiram 1,10 m acima do nível normal, em Palermo, na Sicília, registaram-se ondas de calor mais elevadas e frequentes que o habitual… Estes factos outra coisa não são que consequências das alterações climáticas, devidas ao aumento da temperatura à superfície da Terra.

Para além de situações climáticas catastróficas, em termos económicos e sanitários não se consideram despiciendas as hipóteses do aparecimento de patologias em latitudes até agora imunes. Por exemplo, o aparecimento epidémico de mosquitos transmissores do dengue em regiões de clima mediterrânico, é muito provável. O paludismo, responsável pela morte de cerca de três mil pessoas por dia em todo o mundo poderá estender a sua zona de influência a novas e extensas regiões, aumentando para mais duas mil vítimas o índice de mortalidade pelo qual é responsável. Em países de clima temperado, sendo os invernos  mais suaves, diminuirão as mortes devidas ao frio mas, em contrapartida, não é de excluir o aumento da mortalidade devido a problemas cardiovasculares e respiratórios e, como consequência da desidratação, aumentarão as situações patológicas relacionadas com cálculos urinários. Por último, é de admitir que um clima mais favorável pode propiciar o aparecimento de um coberto vegetal mais exuberante, mas mais suscetível de criar condições ao desenvolvimento de doenças alérgicas como a asma.

Segundo dados do relatório IPCC – Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, da ONU, divulgados pelo «El País» o planeta “caminha para uma situação irreversível, apesar dos sucessivos apelos. São esperadas vagas de calor mais frequentes e prolongadas, incêndios florestais cada vez mais catastróficos, aumento das temperaturas médias, degelo mais intenso e consequente subida do nível da água do mar… O que é surpreendente é que, se fosse possível eliminar todas as emissões poluentes responsáveis pelo efeito de estufa, os resultados não seriam diferentes”. Infelizmente muitos deste acontecimentos já são uma realidade!         

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